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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Vamos apagar mensagens do telemóvel

O sitio mais indicado para começar a apagar mensagens do telemóvel é precisamente quando estou sentada numa cadeira de plástico, agrupada a outras cadeiras iguais, todas suportadas pelo mesmo suporte de metal, pode ser de cor laranja, branca ou azul conforme o sítio onde estiver à espera da minha vez de ser atendida por alguma funcionária que naquele dia poderá estar bem disposta. 

 

Enquanto espero entretenho-me a apagar bocadinhos de tempo que alguém me dispensou quando pensou e pegou no telemóvel para me enviar algum recado importante através de uma mensagem, naquele momento era importante, depois de ser lido e refletido por mim e levado à pratica, aquela mensagem que também passou a ser um bocadinho do meu tempo, deixou de ter importãncia e agora eu vou apagá-la.

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Percorro as mensagens para ver o que apago e o que vou deixar à espera para outra oportunidade, é que, há mensagens que acho que ainda vou querer reler, normalmente nunca mais as vou voltar a ler, mas ficam ali imóveis a preencher espaço, mas ficam ali.

 

Aqueles bocadinhos de tempo de outras pessoas e meus, fizeram parte de dias ou horas já passadas. Pode ter sido ontem como pode ter sido há um mês ou um ano. Bocadinhos de vida, talvez, quando se estava num centro comercial, num autocarro, ou em casa ou mesmo a caminhar. Hoje pode-se enviar uma mensagem escrita em qualquer lugar a qualquer hora. 

 

Mas existem muitos outros tipos de mensagens que não se podem apagar enquanto estou sentada numa cadeira de plástico.

 

 O acenar de mão é uma mensagem, ligar o pisca de um carro é uma mensagem, um olhar pode ser uma mensagem, estender a mão pode ser uma mensagem, um grito é uma mensagem....

 

Este post é uma mensagem, alguém o vai ler e interpretar à sua maneira. Não será interpretado por todas as pessoas da mesma forma. Cada um lê e interpreta de uma forma genuína, só sua!

 

 

 

 

A saga do telemóvel

Ok, o telemóvel apareceu, mas nem por isso ela ficou satisfeita. Já era noite há bastante tempo quando ela deu por falta do telemóvel, esse aparelhinho que se tornou indispensável, que se tornou numa companhia de dia e noite (quase uma obsessão). Quando o procurou  e não o encontrou, usou a tática mais óbvia, ligou para si mesma, surpresa, ou talvez não, o toque era de desligado. Pronto, pensou, "perdi-o, alguém o achou e já lhe retirou o cartão". Foi então que começou a recapitular as últimas utilizações e, só se lembrou de ter visto as horas às 18,30h na praia. O seu pensamento - quando viu as horas, o telemóvel deve ter escorregado do saco no momento em que o guardou, ter caído na areia e lá ter ficado, quando a maré encheu, levou-o: ficou assim convencida de que foi o que aconteceu. Pelo sim pelo não, ligou para a operadora e pediu para bloquear tudo. Iria pedir uma segunda via do cartão. No dia seguinte a falta do aparelho causou-lhe muito transtorno e perda de tempo, uma vez que havia assuntos urgentes para tratar. Dirigiu-se a um agente da operadora e perguntou: se pedisse agora a segunda via do cartão se este ficava logo operacional, a resposta foi afirmativa, mas, há sempre um "mas", o sistema estava em manutenção e iria estar nas próximas horas, não era possível obter nada, que frustação. Assim, foi para casa desanimada. Como, quando se chega a casa hà sempre a vontade de ir á casa de banho, foi para lá que se dirigiu e, enquanto desabotoava o botão das calças, olhou para dentro da sanita - um objeto escuro estava no fundo da sanita - a medo (não fosse algum bicho ter entrado pelo esgoto acima) com o cabo da escova do cabelo tocou no objeto, era duro, não parecia ter a consistência de bicho. Muniu-se de uma luva e meteu a mão dentro da sanita - "não acredito" disse em voz alta, era o telemóvel. Esquecera-se de que, quando chegou da praia o meteu no bolso de trás das calças para ir ao quintal ver as alfaces e outras coisas, de volta a casa foi á casa de banho. O aparelhinho que a acompanhava há já alguns anos, caíu na sanita e ela não deu por isso, ficou mergulhado na água e na espuma do desinfetante durante muitas horas! Colocou-o ao sol por dentro no parapeito da janela, ali ficou dias e mais dias, tentou algumas dicas para a sua recuperação mas nada surtiu efeito, foram muitas horas mergulhado ne água, continua em estado morto.  Tinha anos de uso, era muito estimado, andava sempre protegido com a sua capa própria de cor preta, raramente caía ao chão, estava em muito bom estado, é com muita pena que ela lhe diz adeus para sempre. Agora, é hora de adquirir outro, será um mais sofisticado, com mais funções, possivelmente com funções a mais que nunca vão ser utilizadas, mas então, os telemóveis agora fazem tudo, só é pena que não trabalhem por nós - ou não será bem assim - antes do telemóvel a vida e a comunicação entre as pessoas eram muito diferentes. Hoje comunica-se muito,(existe mil maneiras de comunicar) mas convive-se pouco... E aquela ansiedade da chegada do correio? Quem ainda se lembra dela? E a paixão de escrever cartas onde está?....

 

Conselho: Evitem colocar o telemóvel no bolso de trás das calças