Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Abrigo das letras

Abrigo das letras

Escrever, uma exigência a mim própria

O sol já estava no ocaso mas ainda deixava ver os canaviais e os pequenos montes que se recortavam na paisagem, daí a pouco seriam apenas sombras na noite que se aproximava, baixo os olhos para o telemóvel, procuro o sapo blogs e perco-me nas leituras dos blogues, depois no facebook vou vendo o que os amigos publicam e fico a par de muitas novidades. Não sei quanto tempo passou, apenas sei que quando levantei os olhos era noite escura, olho o relógio e fico pasma.

Como é possivel que o tempo corra tanto e tão depressa que nem dou por isso, às vezes penso que vivia melhor, com mais qualidade de vida sem as tecnologias. Por outro lado sem as tecnologias como encheria pedaços de tempo, poderia dedicar-me mais à leitura como fazia antes, poderia fazer mais trabalhos de mão como antes, poderia visitar mais vezes as pessoas, e tomar mais vezes café ou lanchar com elas como fazia antes. Sim, poderia, mas será que quero?

Não, não quero, era simples largar as redes sociais, mas não quero, também acho que não era simples, isto é quase um vício, vir aqui deitar palavras para uma folha em branco dá-me imenso prazer, saber que alguém me lê é gratificante, escrever obriga-me a pensar nas coisas de modo diferente e com mais pormenor, e gosto dessa exigência que faço a mim própria!

tubitakblog5.jpg

 (imagem obtida da net)

O sapinho e o bichinho da escrita

O gosto pela leitura e pela escrita começa muito cedo, ainda quando somos crianças pequeninas. Quando ainda era adolescente, mostrei a minha vontade de continuar estudos, tal não me foi permitido, assunto que me ficou sempre "atravessado na garganta". Lia sempre que podia, mas o mesmo já não se podia dizer com a escrita, às vezes começava um diário que passado pouco tempo abandonava e rasgava as páginas escritas. A minha escrita resumia-se apenas à correspondência que trocava com amigos e amigas, mais nada escrevia. Até isso acabou.

 

Muito anos depois, inscrevi-me num ensino de adultos e, foi-me pedido que escrevesse um texto, podia ser sobre mim. Com uma folha de papel branco à frente e um lápis ou caneta, não me lembro bem, olhei e pensei - o que vou escrever aqui e como vou escrever. Escrever alguma coisa sobre mim poderia ser fácil, tinha é que ser coerente e ter pontuação acertada para que os outros percebessem que era uma coisa e não outra que ali estava escrito. Mesmo assim, não poderia escrever coisas que só a mim pertenciam. Escrevi o texto, não me lembro o que lá escrevi.

 

O que importava realmente para eles, era verificar em que grau de escrita me enquadrava e não aquilo que eu era ou deixava de ser. Mas, nós a escrever alguma coisa sobre nós mesmas, queremos sempre deixar boa impressão a quem vai ler

 

Ingressei no ensino de adultos e, foi-me pedido que escrevesse muito, mesmo muito. Escrevi e ilustrei centenas de páginas em computador. Depois daquele ensino concluído o bichinho da escrita ficou entranhado. Um dia descobri o sapo blogs, comecei a interessar-me pela plataforma, que poderia ser um modo de pôr o bichinho a mexer. Já lá vão quatro anos que, umas vezes com mais, outras vezes com menos frequência aqui venho deixar as minha impressões e não deixar que o bichinho da escrita morra!

mão-667x376.jpg