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Abrigo das letras

Abrigo das letras

O latido do Doutor Adam

Ler enriquece o homem, o torna culto e lhe abre as portas ao mundo!
A história de um miúdo que tem que sair da sua aldeia, deixar a sua familia e ir viver na capital com um tio bem instalado na vida, mas muito sovina, vale-lhe a tia que se compadece dele. Justino deixa a sua terra, um lugar pobre, perdido no norte de Portugal, para poder estudar e ser alguém na vida, ser um "Doutor". Uma vida de muito trabalho e sacrificio, vivida no tempo de Salazar e  que atravessa a revolução de 25 de Abril. Uma época em que quase tudo era proibído e tabu.

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Uma obra não muito rica em conteúdo, na minha opinião, que o leitor é tentado a saltar algumas linhas por achar menos interesse nalgumas descrições mais longas. Ainda assim, é uma leitura que prende a curiosidade de quem o lê até à última linha!

 

Ponte Salazar

"Às dez e meia em ponto ouve-se o hino nacional “enquanto no forte de Almada uma bateria dá os 21 tiros da ordenança em salvas compassadas. Lá longe, sobre o rio, sobe um foguete que estoira e deixa um rasto de fumo. E mais foguetes e morteiros rebentam nas alturas, anunciando o começo da cerimónia” de inauguração da Ponte Salazar, lia-se na edição de 7 de agosto de 1966 do DN.

 

O dia será vivido em clima de festa em Lisboa e Almada. Assim se descreve o ambiente na Margem Sul: “Cedo as ruas das terras da Outra Banda começaram a cruzar-se de gente com ar domingueiro e feliz.” A “maioria tomava o rumo dos pontos altos (…). Era uma autêntica romaria. (…). E todos se encaminhavam a pé ou (…) em camionetas para os cimos de Almada, donde se avistam os lugares da festa”.

 

 

Em Lisboa, à noite, toda a cidade saiu para as ruas para ver um “grandioso espetáculo” de fogo-de-artifício.

 

Os elétricos passavam apinhados, com gente dependurada, em equilíbrio precário, arris- cando a integridade física na ânsia de alcançar um ponto estratégico que lhe permitisse ver o show de luzes e cores fabricado pelos pirotécnicos nortenhos”. Por sua vez, a “ponte, profusamente iluminada, oferecia um deslumbrante espetáculo que valia a pena contemplar”.

 

Após o 25 de Abril de 1974, é rebatizada com a designação da data da queda do regime fundado por Salazar. e passa a designar-se "Ponte 25 de Abril"

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 Ponte Salazar

 

Escola Primária

Arquitetura do tempo de "Salazar", espalhado por todo o nosso Portugal,este tipo de edificio serviu para dar a instrução primária a várias gerações. Vemos agora, muitos deles um pouco como este, com os portões cerrados, alguns vidros partidos e as ervas a crescer no espaço onde antes pairava a alegria das crianças que brincavam aos tradicionais jogos de rua como: o berlinde, salto à corda, macaca, cabra-cega, apanhada, lencinho que vai na mão, caracol e tantos outros que a minha lembrança agora me atraiçoa...
Estas estabelecimentos de ensino foram substituídos por edificios modernos e maiores, locais onde se concentram todas as crianças que outrora frequentavam as escolas das aldeias, deixando estas mais vazias de pessoas e de alegria, já que agora todas as crianças vão para a escola nos automóveis dos pais ou avós ou então em carrinhas fretadas para o efeito. Noutros tempos todas as crianças iam mais ou menos em grupo a pé para a escola mesmo que a mesma se situasse a alguns quilómetros de distância, enchendo de vida as ruas, ruelas e caminhos. As aldeias palpitavam de vida.  
Quem como eu frequentou este tipo de estabecimento olha agora para ele com alguma nostalgia, recordando tempos que não estando muito longínquos na memória, parecem afinal tão distantes do tempo e do espaço.
Alguns destes antigos estabelecimentos de ensino ganharam outra vida pois foram aproveitados para outras actividades em prol das populações locais. Pelo o muito que contribuiram para a educação e aprendizagem de tantas gerações merecem ser dignificados no mínimo com uma suficiente apresentação exterior.