Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Abrigo das letras

Abrigo das letras

Uma boa iniciativa natalícia

Hoje fiquei alegremente surpreendida com a notícia sobre a iniciativa que foi criada para ajudar os bombeiros e preservar a floresta. Sim, uma excelente iniciativa, estão a alugar pinheiros verdadeiros para a árvore de natal, uma vez que estes pinheiros já estavam destinados a ser cortados para organização da floresta. Estes pinheiros são alugados e no fim das época natalícia retomam ao mesmo lugar de onde saíram e serão aproveitados para a produção de biomassa. É chamado o "pinheiro bombeiro". Assim, quem gosta mesmo de ter um pinheiro verdadeiro em casa tem agora uma oportunidade de o possuir sem precisar de ir ao pinhal cortar um pinheiro qualquer como se fazia noutros tempos. Recordo que era isso que eu fazia antes de aparecerem as árvores artificiais, foi muito giro quando comprei a primeira árvore artificial, mas depressa percebi que não é nada a mesma coisa e me cansei dela, uma árvore verdadeira era o que eu gostava, mas por questões ambientais que todos conhecemos nunca mais cortei um pinheiro.

Agora monto a minha árvore de natal artificial, gosto dela pequena, o meu espaço não suporta uma árvore grande, mas mesmo que suportasse, optaria na mesma por uma árvore pequena, é assim que gosto, e a decoro com fitas e bolas, ao lado monto o presépio com as figuras principais, do outro lado uns presentinhos e já está.

A euforia do natal consumista não me diz nada, penso mesmo que o verdadeiro sentido desta quadra se perdeu a favor do comércio do consumo. Tudo está ricamente iluminado, os centros comerciais, as lojas de rua, as ruas e praças e também as nossas casas, mas, estarão também os corações das pessoas iluminados pela bondade, solidariedade e calor humano?

Jesus veio ao mundo dentro de uma cabana, tendo como berço a manjedoura dos animais e o calor dos mesmos não o deixaram arrefecer, é certo, Jesus também recebeu presentes, os reis magos vieram de muito longe para o adorar e lhe ofereceram presentes valiosos. Nós não precisamos de gastar dinheiro algum para presentear aqueles com que cruzamos na rua, por vezes basta uma simples saudação ou uns dedos de conversa para deixar alguém feliz, por vezes basta um telefonema para quebrar a solidão de alguém que durante esse dia ainda não falou com ninguém, por vezes basta oferecer um café a alguém ou um elogio... gestos tão simples podem fazer grandes diferenças e poderão ser presentes valiosos para quem os recebe!

009584c3712e72efdadfb5ab4701951e-754x394.jpg

 

 

 

A árvore de natal

f_218838.jpg

 

Hoje foi dia de montar a árvore de natal lá em casa, não uma árvore grande onde as crianças não chegam para ajudar a montar mas sim, uma pequenina, onde as crianças chegam até ao cimo para colocar a estrela. Foi o trabalho de casa das gêmeas, a avó colocou as luzes em primeiro lugar, elas colocaram fitas, laços e bolas; a avó montou a cabana com pedaços de madeira para o presépio, elas desembrulharam as figuras uma a uma e, vendo que faltava uma peça, uma das gêmeas pergunta: avó, onde está o menino Jesus?  a avó guardava durante todo o ano a figura do menino noutro local, estava sempre à vista, tinha um carinho especial por aquela figura de menino em posição de deitado num berço, foi buscá-lo e colocou-o nas palhinhas dentro da cabana, as meninas colocaram as restantes figuras, o presépio era composto apenas pelas figuras principais. Árvore e presépio ficaram prontos, a avó ligou as luzes, acendeu umas velas pela casa, colocou uma coroa de natal na porta de entrada, assim, deu à casa aquele espírito natalício que já se vive fora de portas. 

 

A avó recua no tempo e revive a época em que ia ao pinhal, levava um serrote, procurava um pinheiro com o tamanho e a forma que mais se adequasse ao seu gosto, era sempre um pequeno pinheiro, cortava-o  e trazia-o para a árvore de natal, metia as mãos por debaixo das camadas de musgo, procurava o mais macio e verde, rasgava-o em bocados grandes que trazia para casa numa caixa de madeira, trazia também umas heras, areia e algumas pedras. Montava então um grande presépio, com as pedras cobertas de musgo dava-lhe relevo em alguns locais para formar os montes e vales, com a areia que levou, desenhava os caminhos por onde passavam os pastores na sua ida  para visitar Jesus. As heras ajudavam a decorar e dar uma idéia mais real ao cenário. Colocava então as figuras, eram muitas, havia as figuras principais e também mais uma catrefa delas: pastores, muitas ovelhas, cães, o anjo em cima da cabana, lavadeiras, padeiros, os três reis magos, mendigos etc.

 

Com a chegada dos pinheiros artificiais esta prática deixou de existir, evitou-se assim o corte de tantos pinheiros em crescimento nesta quadra, também não se montavam tantas árvores de natal, montavam-se mais os presépios com musgo real.

 

Bom Natal!