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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Assim são as Palavras

"As palavras são como os frutos, se não forem colhidos na altura certa, caem da árvore e apodrecem, consumidos pelos vermes até serem nada. Assim são as palavras: nada. Se não forem ditas na hora devida, o seu poder e o seu valor extinguem-se no tempo como grãos de poeira. Até serem nada" 

Do livro (A perdição de D. Sancho II), o Rei que Portugal não quis!

O Poder das Palavras.jpg

 

Desafio de escrita dos pássaros - Não tenho Tempo para te aturar

Era noite, a hora já ia adiantada, mas o sono não vinha, preocupada, deitada na cama estava, e ouvia o vento desvairado lá fora querendo arrancar tudo dos seus lugares, os estores dançavam dentro dos caixilhos, os assobios eram vivos com a garra de alguém em fúria, a sua força inatingível soprava querendo levar tudo para longe dos seus lugares,  neste vaivém acompanhava-o a chuva a bater nos estores, uma sinfonia até agradável de ouvir quando estamos entre lençóis. Ao som desta música os meus pensamentos deslizam para o assunto da actualidade e dou por mim a rezar, a pedir a Deus que tenha misericórdia do mundo, que alivie o seu povo deste mal tão grande que se abateu sobre a humanidade! E nas minhas preces encontro uma vontade enorme de esquecer certas palavras ditas algures noutro tempo, antes deste tempo, palavras essas: "não tenho tempo para te aturar" palavras ditas a pessoas que agora tenho todo o tempo do mundo para escutar, pessoas que agora estão longe de mim que provavelmente já me esqueceram! Porque vivíamos num mundo de pressas, num mundo de individualismo, de consumismo, e para quê? Agora nos damos conta da inutilidade de tantos dos nossos comportamentos, de tantas palavras ditas sem sentido! Este é um tempo que nos convida à reflexão da nossa existência, o quê e porquê andarmos aqui? temos uma missão a cumprir, não andamos neste mundo apenas por andar.

"Não tenho tempo para te aturar" merece a pena reflectir bem nestas palavras! Pode mudar a nossa forma de lidar com os outros, pode mudar a nossa vida!

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Em modo de "Pausa"

Por vezes sentimos que se esgotaram as idéas, ou o pensamento se encaminhou noutra direcção, por mais que se pense nada faz sentido escrito numa folha em branco, assim, dá-se inicio a um ou outro post e não se gosta do que aparece nessa folha. Talvez a folha em branco seja demasiado pura para suportar palavras que não fazem sentido. Por vezes as palavras andam tão baralhadas dentro de uma cabeça como um puzle complicado e por mais voltas que se dê às peças, elas não encontram o lugar, porém o seu lugar está lá e mais nenhuma peça lá consegue entrar.

As palavras, eu amo as palavras, mas muitas vezes elas fogem-me, esgueiram-se entre pensamentos, são fugases como a luz, num instante se apaga, tudo escurece.... depois voltam, voltam mais alinhadas com maior sentido, corro a escrevê-las naquela folha branca, tão branca como a neve e elas deslizam entre os dedos que se tocam num teclado de computador, não páram mais, vão surgindo umas atrás das outras tão alinhadas como as formigas quando transportam os alimentos que guardam para o inverno (desculpem a comparação) foi a que instantaneamente surgiu, as palavras são assim.

A folha em branco, agora deixou de ser uma folha em branco, passou a ser uma folha que carrega um significado, nela estão as palavras que lhe dão vida, que dizem coisas aos outros, coisas grandes e coisas pequenas, a folha será tão importante como as palavras que transporta....

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 Em modo de pausa é o modo em que tem estado este meu blog, estará cansado, esgotado????

 

 

 

São um perigo as palavras

 

"Sempre amei por palavras muito mais

do que devia,

são um perigo
as palavras,

quando as soltamos já não há
regresso possível,
ninguém pode não dizer o que já disse,
apenas esquecer, e o esquecimento acredita
é a mais lenta das feridas mortais,
espalha-se insidiosamente pelo nosso corpo
e vai cortando a pele como se um barco
nos atravessasse de madrugada

e de repente, acordamos um dia
desprevenidos e completamente
indefesos,

um perigo
as palavras,

mesmo agora,
aparentemente tão tranquilas
neste claro momento em que as deixo em desalinho,
sacudindo o pó dos velhos dias
sobre a cama em que te espero!"

(Alice Vieira)

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