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Abrigo das letras

Abrigo das letras

O verdadeiro sentido da Páscoa

Quando faço uma pesquisa de imagens sobre a Páscoa, aparece-me de imediato uma quantidade de imagens com coelhinhos e ovinhos coloridos, eu própria comprei coelhinhos e ovinhos de chocolate embrulhados em embalagens coloridas. Tudo bem, a Páscoa é um periodo de alegria porque se celebra a ressurreição de Jesus mas, não é só isso, o periodo que antecede o dia de Páscoa, a Quaresma é um tempo de reflexão e preparação para esse mesmo dia. As cerimónias que decorrem nas capelas e igrejas nestes dias da Semana Santa são momentos de muito louvor e recolhimento, são momentos dedicados à reflexão sobre o sofrimento de Jesus. Não deixemos passar em branco estas cerimónias, não deixemos passar em branco a reflexão para que possamos viver uma páscoa feliz junto das nossas famílias e amigos com uma mesa posta de comida saborosa, ovinhos e coelhinhos coloridos e sentir o verdadeiro sentido da Páscoa!

Santa e feliz Páscoa

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Eram bandos de pardais à solta

As férias da Páscoa representavam,levantar cedo e espantar pardais. Vinham aos bandos, pousavam na sementeira e, se ninguém os espantasse comiam até lhes aptetecer, e vinham outros e outros até não haver mais sementes para comer.

Eram bandos de pardais à solta, mas não eram os "pardais" que Carlos do Carmo muito bem canta, eram de facto pardais, mesmo pardais à solta em grandes bandos.

 

De manhã cedo Margarida era acordada pelo seu pai, tinha uma tarefa para aquele dia. Após o pequeno almoço feito de café com leite e pão com manteiga, Margarida agasalhava-se o melhor que podia e saía de casa tendo como destino a fazenda onde o seu pai há poucos dias tinha feito sementeira. A manhã era muito fria, à medida que ia caminhando ia encontrando grandes espaços de ervas verdes cobertos de um manto branco, uma geada branca e fria que se dissolvia com o aquecer do sol, ia também encontrando pequenas poças de água congelada, divertia-se a pisá-las e a sentir o gelo estalar debaixo dos seus pés, como se fosse vidro a partir, calçava botins de borracha e assim podia passar por cima das poças. O caminhar não deixava que os pés arrefecessem. O sol já despontava para lá daquela linha entre a terra e o espaço, era de uma cor alaranjada, linda de se ver, formava uma pintura deslumbrante digna de artistas de famosos.

 

Chegada à fazenda, construia um espécie de uma tenda com sacas grandes de serapilheira e alguns paus ou então com um grande chapéu de chuva, no chão estendia outra saca de serapilheira. A manhã era muito fria. Tinha uma lata velha e um pau, espantava os pardais batendo na lata que produzia um barulho muito forte que os assustava, por vezes eles já se acostumavam ao barulho e não iam embora, continuavam a comer as sementes tranquilamente. Os pardais vinham em grandes bandos alimentar-se das sementes que o pai de Margarida deitara à terra. Quando as sementes começavam a germinar era altura própria para eles comerem tudo se não se estivesse atento. O periodo que decorria entre o começo de germinar até estar toda a sementeira germinada era critico, por isso, dentro deste periodo era preciso estar atento à passarada.

Margarida passava horas sozinha na fazenda espantando pardais, nestas horas apreciava o silêncio, apreciava a natureza, tentava destinguir alguma variedade diferente de pássaros e sonhava, sonhava tanto que por vezes se esquecia dos pardais que com tranquilidade comiam as sementes que o seu pai semeara, sonhava com a vida nas cidades, sonhava estudar numa grande escola e tirar um curso para poder fazer outra coisa que não fosse espantar pardais. Não sabia ainda que a vida no campo é muito mais saudável que a vida nas cidades e que o previlégio que tinha nessa altura de poder andar livremente por onde lhe apetecia, hoje é impensável, existe sempre o medo de raptos e coisas do género.  Assim, esperava ansiosamente pela hora do almoço e de seguida pelo o pôr do sol, a hora de deixar a fazenda, para no dia a seguir ir para lá outra vez. Eram assim dias seguidos nas férias da Páscoa.

 

 

Amanhã é dia de Páscoa, Margarida não vai para a fazenda, o seu pai irá para lá de manhã, depois irão todos á missa e a seguir irão almoçar galo da capoeira corado no forno com batatas fritas e arroz, a sua mãe preparará também uma canja com os miúdos do galo à qual adicionará uma folha de hortelã.

 

Foi assim nos anos sesseta/setenta, Margarida recorda-se bem dessa época.

 

Amanhã é dia de Páscoa! 

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Páscoa do tempo da minha avó

Como se vivia o poríodo da quaresma e da Páscoa no tempo da minha avó. Lembro-me que durante todo o periodo da quaresma, em todas as sextas feiras não se comia carne e fazia-se jejum (jejum e abstinência), não se ouvia música e (televisão não havia), não havia bailes nem outras diversões, era um tormento para a juventude que assim ficava privada de se divertir durante esta época. Nos domingos das procissões, participava-se nelas, tal com hoje havia a procissão dos Santos Terceiros, do Senhor dos Passos, da Burrinha e do Enterro do Senhor. Na semana santa, principalmente na quinta e sexta feira santa, não havia feriado nem férias, havia sim, descanso na tarde de quinta feira e na manhã de sexta feira. Estes periodos não eram aproveitados para ir à praia ou outro sitio qualquer, eram para ir rezar à igreja e meditar no sofrimento de Jesus na cruz. Não se lavava nem se punha roupa a secar e, claro não se comia carne e fazia-se jejum. 

Nesta era e nesta povoação (principalmente para esta classe) não havia amêndoas, não havia ovos de chocolate nem coelhinhos da Páscoa. Havia galinha ou galo da capoeira que se comia no Domingo de Páscoa ao almoço, corada e em canja, como sobremesa era arroz doce e filhós. No domingo de Páscoa ninguém faltava à missa. Os meus avós e os meus pais eram muito rigorosos no cumprimento destes procedimentos.