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Abrigo das letras

Abrigo das letras

A minha marmelada

Sendo a marmelada um dos meus doces preferidos, nunca deixo de a fazer nesta época do ano. No quintal estão os marmeleiros que me dão a matéria prima. Quando estão bem amarelos, colho-os e com casca ou sem casca faço uma deliciosa marmelada bem apuradinha para durar bastante tempo, disponho-a em taças de vidro que cubro com papel vegetal depois de o passar por aguardente.

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Ainda a coloco ao sol algumas vezes para a tornar mais dura. Fica tão boa quando a corto em deliciosas fatias e saboreio sobre finas fatias de queijo, pão ou simplesmente sem nada! Tenho marmelada para o ano inteiro!

Assim são as Palavras

"As palavras são como os frutos, se não forem colhidos na altura certa, caem da árvore e apodrecem, consumidos pelos vermes até serem nada. Assim são as palavras: nada. Se não forem ditas na hora devida, o seu poder e o seu valor extinguem-se no tempo como grãos de poeira. Até serem nada" 

Do livro (A perdição de D. Sancho II), o Rei que Portugal não quis!

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Erva das Pampas

Os caminhos são pedregosos, olhas o chão e procuras onde colocar os pés, sob eles soltam-se pedras quando as pisas, ao teu lado esquerdo e direito erguem-se grandes ervas meio secas que te arranham a pele, o pó fininho da terra levanta-se e vai pousando na tua face tornando a tua pele áspera mas tu já te habituaste a isso e nem te importas.

Continuas caminhando, traçaste um percurso e vais quase fiel a ele, por vezes fazes algum desvio, o sol está muito quente e tentas procurar as sombras, bebes água de vez em quando na tentativa de tornar mais leve aquelas subidas de que não gostas nada, (odeias as subidas) o teu esforço triplica.

Quando chegas ao planalto, respiras fundo e ergues o teu olhar para longe, o que vês deixa-te sem fôlego, as elevações, os vales, as mansões dispersas umas das outras, a cidade e o mar tudo se conjuga numa harmoniosa paisagem que te faz saber que te encontras num lugar soberbo.

Acompanha-te neste percurso, o canto dos pássaros, o saltitar dos gafanhotos e o esvoaçar das borboletas, sentes falta do som da água correndo nas ribeiras, passas por elas, e com pena verificas que estão todas secas, nalgumas ainda corre um fiozinho de água e crescem agriões.  Encontras um grande tanque cheio de água até cima, refrescas as mãos e sabe-te pela vida. De longe vem o som abafado dos carros que competem num autódromo que se situa perto.

Ainda tens muito pó de terra para apanhar, muitas pedras para pisar e muito mato para te arranhar, ainda assim continuas, vês passar por ti algo desconcertante, alguma coisa vai ao contrário, o ciclista sobe o trilho com a bicicleta às costas, os outros vão pedalando.

Encontras os cactos, eles estão carregados de figos, não sabes que neles existem picos muito fininhos e mexes só para perceber a consistência, vais de arrepender da tua imprudência. Os picos enterram-se na pele das tuas mãos e vão te picar até ao fim da tua caminhada pelos trilhos. Aprendeste alguma coisa hoje. Numa pesquisa feita ficas a saber das inúmeras propriedades desses figos e que só podes colhê-los à noite que é quando os picos amolecem.

Agora o cenário que se depara na tua frente é algo com que tu já te familiarizaste neste outono pelos caminhos que percorres, as plumas erguem-se esbeltas, fofas e de tons suaves, são muitas, crescem e multiplicam-se a cada ano que passa, onde o ano passado não havia nada, este ano já ali estão exibindo para quem gosta de olhar a sua elegante beleza.

Não obstante a sua beleza elas são uma praga infestante, estão por todo o lado invadindo até os caminhos por onde tu passas. Elas são as "ervas das pampas"

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