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Abrigo das letras

Abrigo das letras

O dia era de nevoeiro

O dia era de nevoeiro, não se via um palmo à frente do nariz. Também estava frio. Enrolada numa manta, assistindo a um daqueles programas que passava na televisão tipo " Júlia Pinheiro ou Cristina Ferreira", enchera uma chávena de chá que lentamente fumegava em cima da mesa, obervava sem ver aqueles anéis de vapor que se desfaziam no ar, o seu olhar distante detinha-se na televisão, mas na verdade nem via o que passava, ouvia falar, nem sabia o que diziam... a manta aquecia-lhe as pernas, o pensamento divagava, estava a muitos quilómetros dali, dir-se-ia que flutuava numa outra dimensão, num outro mundo.

 

O pensamento levara-a para aquele dia frio de Inverno, aquele dia que levara tanto tempo a chegar de tanta ansiedade que o antecedeu, vestira-se toda de branco, cobrira as mãos com umas luvas também brancas, na cabeça usara uma tiara, um taxi a transportou até à porta da igreja onde os convidados a esperavam. Chegara primeiro que o noivo, não era suposto ser assim, o noivo atrasara-se. Finalmente ele chegou. Estava nervosa como qualquer noiva, mas tranquila, tinha a certeza absoluta que viria. Ele de braço dado com a madrinha ela de braço dado com o padrinho, entraram na igreja, dirigindo-se ao altar onde o padre os esperava, iriam dizer o "sim" um ao outro. 

 

Casara naquele dia frio e chuvoso de Inverno " casamento molhado, casamento abençoado" assim diz o ditado popular. O dia foi de festa, o dia foi inesquecível. Cantou-se à desgarrada, bebera-se uns copos a mais.

Uma vida a dois começara, era o principio do resto das suas vidas, até que a morte os separe, como prometeram no altar. Esperavam envelhecer juntos.

 

A morte chegou cedo demais...

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