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Abrigo das letras

Abrigo das letras

À noite

À noite,

sento-me nas escadas

vazias de passos,

olho o céu cheio de estrelas

e também a lua.

Aquela estrela ali

brilha sempre mais,

o seu brilho é resplandecente

e encandeia;

e falo,

falo com essa estrela,

ela me ouve, me escuta,

tranquiliza as minhas mágoas,

 e no silêncio da noite,

 e na claridade da lua,

vejo o meu ser,

lamento as minhas perdas

e agradeço as dádivas

que a vida me concedeu!

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Do outro lado da rua

Os sons que atravessam rua e as janelas chegam-me aos ouvidos na forma de música a tocar num som bastante elevado, mas levando em conta que a hora da noite ainda suporta este tipo de ruídos, a juventude está no auge e precisa de se divertir. Ao fim e ao cabo é sabado à noite.... Possivelmente está a decorrer uma festa de anos, a churrasqueira está acesa, a carne a grelhar e todas as luzes da casa estão acesas....

Sabado á noite... também eu poderia estar numa festa ou num cinema, mas o conforto da minha casa é tanto ou mais agradável que essas coisas, enroladinha numa manta e de lareira acesa, um filme na televisão, boa companhia e estão reunidas as condições para ser uma noite bem passada!

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A Noite na Ilha

A Noite na Ilha

Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora – pão,
vinho, amor e cólera – te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.

Pablo Neruda )

A noite

Estou deitada, deixo cair as pálpebras sobre os olhos e vejo o escuro. Um escuro cheio de sombras, as mesmas sombras que povoaram as horas de luz que se apagaram com o cair da noite. Sim, vejo o escuro e escuto o silêncio da noite, nesse silêncio ouço sons. Não o som do vento ou da chuva, hoje tudo está muito tranquilo, ouço o som das paredes, talvez porque sei que elas estão ali a protger-me do frio e da maldade do mundo. Decoram as minhas paredes alguns quadros que não deixam esquecer momentos já vividos e eternizados pelas imagens recolhidas por uma qualquer máquina fotográfica. Ouço as vozes dos móveis que sussuram entre si palavras que não compreendo, ouço-os porque sei que estão ali, que fui eu que os escolhi para conforto do meu quarto e das minha coisas. Os meus ouvidos escutam sons que mais ninguém escuta, parecem sons vindos de um búzio quando o encostamos ao ouvido e temos a sensação de escutar o mar ao longe. A letargia destes sons é quebrado pelo ladrar tímido de um cão, que logo se cala, parecendo envergonhado por ter perturbado esta tranquilidade. Tudo volta ao normal e ouço a minha própria respiração. A minha respiração é tranquila, normal, sei que vou adormecer daqui a nada e vou sonhar sonhos que de manhã não me vou recordar. Este amanhã é o agora e não me lembro dos sonhos da noite!

As ruas fervilham de gente

Saio á rua, já é noite alta e está um pouco fresca, o casaquinho que me cobre os ombros é suficiente para quebrar a aragem, caminho lentamente e passo em frente aquele bar, a música está alta, as lanternas estão em cima das mesas, pessoas conversam animadas de copo numa mão e cigarro na outra, indiferentes ao barulho que todo aquele movimento provoca. Continuo caminhando e passo em frente à casa da minha amiga que tem a sua casa paredes meia com aquele bar, penso nela e até me dá dó saber que tem que suportar aquele "inferno" todas as noites. Sim, para ela aquilo é um inferno já que lhe perturba largamente o merecido descanso depois de um longo dia de trabalho. Mas que fazer, o bar tem licença para trabalhar e ela não pode mudar a casa para outro lado. Os meus pés levam-me mais adiante e cruzo com casais de namorados e grupos de adolescentes de telemóvel na mão alheios ao mundo que os rodeia, já que o telemóvel se tornou o centro do universo. As ruas fervilham de gente que está de férias, ansiosas para se divertirem, a noite está agradável. Chego ao local onde deixei o carro e vou para casa, definitivamente a "night" não foi feita para mim!

Como um rio

Alguns dias de férias souberam a pouco, muitas coisas para fazer e o tempo a esgotar-se, o dia de hoje, esta hora, este minuto já passarm, não se voltam a repetir, cada dia que passa é a sensação de de um dia a menos que temos para viver;  quantos dias, horas, minutos desperdiçados, tempo que não volta mais. Quero abraçar o mundo, quero abraçar as pessoas, quero viver com elas, quero fazer coisas que ainda não tenha feito... quero ser uma pessoa melhor e aproveitar bem o tempo que me foi destinado nesta vida que me foi permitida viver... fervilham festivais de música por esse país fora, há loucura nas ruas, transito a mais e juventude a deambular, consequência de noites perdidas... e urgência de viver cada minuto. Ouve-se a música vinda de longe nesta noite quente e tranquila, apenas uma pequena aragem refresca, a lua redonda empresta a sua luz e envolve na sua aura corpos sedentos de adrenalina. Na varanda da minha casa, nesta noite quente de verão, observando a lua e as estrelas, vão passando pelo meu imaginário imagens do passado, aquilo que fui e que já vivi, antevejo o futuro, aquilo que serei, que me será concedido ser... e sei que a vida é como um rio, não passa duas vezes pelo mesmo lugar, é apenas um  momento em que devemos dar o melhor de nós!

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Procuro-te

 

Procuro-te

Procuro-te no ar que respiro,

nas ondas do mar

que te levam e trazem,

no silêncio de um campo deserto

ou na calma noite….

Um rosto desvanecido pelo tempo

 um espírito presente.

Procuro-te e encontro-te nas coisas que tocaste,

nas palavras que disseste,

nas flores que deixaste….

Nesta senda da vida que foi preenchida de raios de luz e

da alegria que espalhavas á tua volta.

Procuro-te, encontro-te!  

Mas perco-te nas agruras da vida,

nas desilusões, na ânsia de te encontrar e

não conseguir  encontrar-te.

Vejo-te naquele rosto, naquelas mãos,

naquele perfil de aura límpida que

por breves momentos está ali tão presente.

Tudo se desvanece e, este momento

se transforma em passado,

num passado que deixou para sempre este vazio,

esta saudade,

esta vontade de te encontrar a cada momento.

Procuro-te e encontro-te! no silêncio da noite….

(Maria Flor)