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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Dias de Nevoeiro

O dia amanheceu cinzento, porém sem chuva, pelo que deu para aproveitar para jardinar, cortar troncos velhos de algumas árvores, arrancar ervas. A meio da manhã começou a chover e pela tarde iniciou-se a formação de nevoeiro que lentamente se foi adensando até se tornar num imenso nevoeiro, daqueles que não deixam ver um palmo à frente do nariz. Estes dias são melancólicos e por vezes temos que fazer um esforço para conservar a calma porque este estado de tempo tende a criar "neura" nas pessoas. Dou por mim a preparar uma chávena de uma bebida quente à base de cevada sem acúcar para fazer as vezes de café, e pegar numa broa dos Santos com sabor a erva doce e canela. O doce da broa corta o leve amargo da cevada e sabe-me bem este lanche. Enquanto faço este pequeno lanche sentada à mesa da cozinha, observo pela janela o imenso nevoeiro que se formou, não deixa ver mais nada além do chopo que está em frente, o qual está a perder a folhagem aos molhos para dentro do meu quintal, o outono não perdoa, é altura de todas aquelas folhas adquirirem um tom amarelo, alanranjado, depois cairem inertes no chão e  serem levadas pelo vento para os mais diversos sitios. Ouço ao longe a sirene dos bombeiros ou da polícia, não sei distiguir, talvez algum acidente, o tempo está propício a isso, é necessária uma atenção redobrada a quem conduz ou circula nas estradas. Pego no "calhamaço" que ando a ler, um livro com mais de novecentas páginas ( A Queda dos Gigantes) de Ken Follett. Trilogia "O século" e mergulho naquela leitura que remonta aos tempos da primeira guerra mundial. A leitura me prende e as horas de nevoeiro vão passar num ápice!

Dias assim, são mesmo aqueles dias em que apetece deitar no sofá com um bom livro seja ele grande ou pequeno, o importante é que seja interessante para quem o está a ler!

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O dia era de nevoeiro

O dia era de nevoeiro, não se via um palmo à frente do nariz. Também estava frio. Enrolada numa manta, assistindo a um daqueles programas que passava na televisão tipo " Júlia Pinheiro ou Cristina Ferreira", enchera uma chávena de chá que lentamente fumegava em cima da mesa, obervava sem ver aqueles anéis de vapor que se desfaziam no ar, o seu olhar distante detinha-se na televisão, mas na verdade nem via o que passava, ouvia falar, nem sabia o que diziam... a manta aquecia-lhe as pernas, o pensamento divagava, estava a muitos quilómetros dali, dir-se-ia que flutuava numa outra dimensão, num outro mundo.

 

O pensamento levara-a para aquele dia frio de Inverno, aquele dia que levara tanto tempo a chegar de tanta ansiedade que o antecedeu, vestira-se toda de branco, cobrira as mãos com umas luvas também brancas, na cabeça usara uma tiara, um taxi a transportou até à porta da igreja onde os convidados a esperavam. Chegara primeiro que o noivo, não era suposto ser assim, o noivo atrasara-se. Finalmente ele chegou. Estava nervosa como qualquer noiva, mas tranquila, tinha a certeza absoluta que viria. Ele de braço dado com a madrinha ela de braço dado com o padrinho, entraram na igreja, dirigindo-se ao altar onde o padre os esperava, iriam dizer o "sim" um ao outro. 

 

Casara naquele dia frio e chuvoso de Inverno " casamento molhado, casamento abençoado" assim diz o ditado popular. O dia foi de festa, o dia foi inesquecível. Cantou-se à desgarrada, bebera-se uns copos a mais.

Uma vida a dois começara, era o principio do resto das suas vidas, até que a morte os separe, como prometeram no altar. Esperavam envelhecer juntos.

 

A morte chegou cedo demais...

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