Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Abrigo das letras

Abrigo das letras

Na parede de pedra

O sol, a praia, o céu azul, o mar, os passeios à beira mar, os longos dias, o vento, o nevoeiro matinal, os chuviscos, o tempo encoberto, manhãs e noites frias intercaladas com algumas manhãs e noites quentes, é isto o Verão na minha zona de morada. Sempre que posso e, ou me apetece dou um pulinho até à praia, quase sempre está vento, salva-me o corta vento, apanho sol, vou ao banho, a água é fria, (nem sempre é fria) por incrível que pareça, eu gosto desta água fria, da areia molhada, do corpo molhado a escorrer estas pingas frias, depois sento-me na toalha e olho longe, lá estão eles, estão sempre lá, se não são uns, são outros, mas estão sempre lá, as pranchas não tem descanso e quem as monta também não, estão horas naquilo, depois regressam, despem aqueles fatos e vestem casacos quentes por alguns momentos, ou não fazem nada disto e vão embora assim mesmo com a prancha debaixo do  braço, está feito o desporto de hoje.

Está calor, vou até à água refrescar quando regresso, estou a escorrer, olho para cima, para a parede de pedra que se encontra à minha frente, a parede que suporta o acesso até à praia, e vejo isto, esta planta que no meio das pedras nasceu e cresceu, talvez outras sementes também tenham germinado nesta parede, mas apenas esta vingou, a lei dos mais fortes, tal como os homens também a natureza se rege segundo esta regra. Fico por alguns momentos ali a olhar e a pensar, "tu podes estar no meio do nada, mas isso não te impede de vingar no teu objectivo, apenas tens que possuir uma força de vontade e fazer acontecer", vê esta planta, aqui sozinha no meio do nada, ninguém trata dela, nem água lhe dão e ela cresce...e floresce.

Hoje o sol aqueceu, a praia está composta, tudo com as devidas distancias, tem que ser, não se pode facilitar mesmo que já estejamos vacinados,  os grupos de jovens lá estão sempre naquela zona, mais para a esquerda, a música deles não pára, tenho que ser justa para mim mesma e não estender a toalha muito perto deles senão quero ser incomodada com a musica e as conversas deles. É tão bom ser jovem, sentir a vida a pulsar... mas tudo tem a beleza certa na idade certa, há que saber aproveitar o de melhor que cada idade oferece!

20210728_173326.jpg

 

Areia embrulhada em espuma

Caminho sobre o rebentar das ondas, piso areia embrulhada em espuma, a frescura envolve os meus pés e os beija com doce ternura. As pegadas que atrás de mim deixo, são engolidas pela mesma areia embrulhada em espuma que piso deixando a areia lisa e intocada, nenhum rasto de mim fica com se de uma vida apagada se tratasse... o mar tem este poder... da mesma forma que apaga as tuas pegadas na areia, apaga a tua memória quando contemplas essa imensidão de água até perder de vista que é o oceano.

Estendo o olhar e avisto no pontão dois pescadores que estendem a linha e esperam... esperam... e... pronto.... um esticão.... algo puxou a linha, o pescador enrola rapidamente a linha e, sai saltitando da água um belo peixe... talvez um robalo... o pescador já tem um belo almoço.

Continuo pisando areia embrulhada em espuma e agora observo alguns surfistas que apenas brincam com as pranchas, vão de cá para lá e vice versa, o mar não dá para mais, está muito calmo, eles divertem-se  são felizes.

O sol está muito quente, alguns pequenos grupos de pessoas já aproveitam a praia e já se bronzeiam ao sol de Abril.

A cor do mar está magnifica de um azul quase verde com ligeiros tons de esmeralda, quase cristalino. O sol reflete-se e dá-lhe uma tonalidade prateada... A areia é fina e dourada, tão bela e sedutora... este é o mar que eu amo, é o mar da Ericeira!

20210408_162019.jpg

 

20210408_163042.jpg

 

As caminhadas em tempo de Covid-19

Sou uma amante de caminhadas, adoro fazê-las à beira mar, tenho o privilégio de viver perto do mar. Agora que todas as entradas para a praia e parques de estacionamento à beira mar estão vedados com fitas, no paredão muitas pessoas ainda fazem as suas corridas e caminhadas, eu optei por outros trilhos para evitar ajuntamentos e cruzamentos. Assim, como a minha zona também é campo, dei preferência aos percursos por onde quase ninguém passa, por trilhos de terra batida, onde abundam pinhais e hortas. Equipo-me de chapéu de sol e outro de chuva porque ora faz sol ora pode fazer chuva, óculos de sol, os meus ténis de caminhada, telemóvel, fones nos ouvidos e música do Spotify, aí vou eu para mais uma. Dou por mim parada a observar as batatas que crescem rapidamente, a chuva ajuda a que toda a natureza de desdobre de um dia para o outro, flores campestres lindas, malmequeres brancos e amarelos, as flores do mato, os pinheiros novos, e encontro lamaçais enormes, já lhes dei o nome de "grandes lagoas", passo pelos lados, salto poças lamacentas, verifico que não à pegadas recentes, o que significa que ninguém passou por ali naquele dia, aparece uma vez ou outra o rasto de bicicleta.Uma vez ou outra cruzo com algum casal que também vai fazer o seu passeio. Desfruto da tranquilidade que só a natureza pode oferecer e, enquanto caminho passo atrás de passo somo quilómetros, esqueço a guerra que grasa pelo mundo e o meu corpo e mente agradecem. No fim, quando chego a casa me sento num banco, estou cansada mas tranquila. Estamos a atravessar um período difícil, que vai fazer historia, não sabemos até quando vai durar mas já conhecemos um bocado da dimensão dos estragos que causa! Manter a sanidade mental e algum exercício físico é fundamental! 

Arvore.jpg

batatal.jpg

 

Flores campestres.jpg

 

Olhando o mar

entardecer.jpg

Sob um céu nublado

vou olhando o mar

A minha  mente se esvasia de pensamentos,

apenas existo eu, a pessoa que está a meu lado e o mar.

Em silêncio contemplamos,

Somente contemplamos porque não são necessárias as palavras.

 O crepúsculo se aproxima devagar

Sinal de que mais um dia chegará ao fim,

Lentamente começo a sair da quietude 

E acordo para a realidade,

A realidade de todos os dias!!!

O sol hoje não namora

Cinzento está o dia

chuvisca lá fora,

parece que se perde a alegria.

O sol hoje não namora,

ele se afunda no mar

porém, não o vejo,

não sei onde foi parar

aquele que tanto invejo!

DSC00085.JPG

 Uma gaivota sobrevoa,

alimento procura,

restos de comida talvez

que na praia ainda perdura!