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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Não posso me enganar a mim própria!

Não sei se é só comigo que esta impressão acontece ou se é à generalidade das pessoas!

Assola-me uma impressão estranha, como se tudo de repente tivesse voltado ao normal, eu sei que ele continua a andar por aí, as notícias bem nos indicam e e nos alertam para que não tenhamos ilusões, ele anda por aí, disfarçado mas anda, não se foi embora. No entanto, talvez seja porque as notícias são mais animadoras, porque já se vê mais pessoas na rua, porque algum comércio já vai abrir....e posso ir cortar o cabelo, ou porque foi levantado o estado de emergência...  tudo isto dá uma falsa sensação de liberdade e segurança, mesmo sabendo que se passou de estado de emergência para estado de calamidade. Posto isto,  penso que até vai ser necessário ter muito mais cuidado agora, uma vez que o pessoal vai todo sair para a rua, e nem todos vão ter o bom senso e paciência de usar as devidas medidas de precaução como o distanciamento social, as máscaras, luvas e desinfecção das mãos, e se estiverem com esta mesma sensação que eu, que tudo de repente parece ter ficado bem, então rezemos para que tudo corra mesmo bem e não haja necessidade de dar um passo atrás.

Não me posso enganar a mim própria, digo para mim mesma, e o mesmo sugiro a quem ler estas linhas, não se enganem a vós próprios, vamos ter que conviver com ele, por isso é bom que não facilitemos, por mim vou continuar com a rotina que adquiri nestes últimos dois meses, ou seja sair só quando estritamente necessário!

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E parecia tudo tão real!

Havia uma razão para me levantar cedo, queria me sentar em frente ao PC e escrever coisas que me têm vindo à ideia, momentos vividos em tempo de Covid-19 que podem se perder no tempo e na memória quanto tudo isto passar, porque um dia isto vai passar e, embora seja algo que nunca se vai apagar da nossa memória, existem pormenores que se vão esvair no tempo, para guardar memórias eu escrevo algumas coisas, por isso havia o propósito de levantar cedo e escrever. A seguir ao almoço resolvi fazer uma pequena sesta, acordei terrivelmente assustada! Sonhei, e o meu sonho era espantosamente igual à realidade:

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Via imagens dos aviões da TAP num dia de um sol radioso e céu azul, todos alinhados em terra no aeroporto de Lisboa, um postal lindo com as cores da nossa bandeira, fiquei intrigada, porque estariam todos os aviões em terra? vi os barcos parados nas docas, os comboios vazios e também os autocarros antes sempre lotados, agora vazios sem vida, sem passageiros, vi autoestradas e cidades vazias, parecendo fantasmas de onde toda a população fugiu ,  ou se escondeu, imagens impressionantes e muito tristes, nunca se viu nada assim, falava para mim sozinha, vi pessoas a cantar às janelas e a aceder velas em união e solidariedade uns com os outros, querendo dizer, estamos todos unidos, e (Vamos ficar todos bem), o barco é só um e todos nós estamos dentro dele,  vi uma multidão de gente usando máscaras de todas as cores e modelos, vi as pessoas a desviarem-se umas das outras, era surreal, havia medo nos seus olhos, medo de se aproximar do seu próximo como se uma lepra houvesse por ali com via em certos filmes, vi toda a gente a desinfectar as mãos com álcool e gel desinfectante, vi comentários desastrosos nas redes sociais, vi igrejas e escolas fechadas, passeei pela minha vila e vi todo o comercio fechado, montras vazias, esplanadas arrumadas, bancos de jardim vedados e acesso às praias vedados com fitas, continuei a ver tantas coisas que não faziam parte da vida que eu estava habituada a viver!

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Vi um Homem vestido de branco sozinho a rezar pelo mundo, na Praça de S. Pedro no Vaticano, no Domingo de Páscoa, uma imagem poderosíssima e comovente,  também vi gente fazendo uma vida normal como se nada se passasse, continuava intrigada com tudo o que via, a ver coisas estranhas ao normal, vi números e imagens de outras cidades do mundo com comportamentos igual a Portugal; no meu sonho eu via tudo isto e interrogava-me o porquê de toda esta mudança na vida de cada dia, porquê que tudo tinha mudado, até que, enquanto circulava a ver todas estas coisas vi algo que me impressionou e assustou, olhei acima de mim e vi muitos pontinhos em coroa passeando-se no ar, aterrorizada percebi que o mundo estava perante uma pandemia viral de dimensões jamais vistas, comecei também a ver outras imagens que parecia vindas do futuro ou daqueles filmes de ficção cientifica, de hospitais cheios de profissionais de saúde equipados como se tivessem a braços com uma bomba atómica estafados e cansados, ouvia dizer que havia milhares de mortes em todo o mundo vitimas de uma pandemia... dei um salto na cama, o meu sonho estava a tornar-se muito pesado e acordei a transpirar!

corona virus.jpgCredo!!, parecia tudo tão real, falei em voz alta, talvez para me certificar que tudo não tinha passado afinal de um pesadelo!

Isto foi um pesadelo, disse para mim mesma!

Depois, bem acordada, a colocar as ideias em ordem, voltei à minha rotina diária e concluí que afinal a minha rotina era igual ao meu sonho! Fiquei triste, eu queria a minha vida de volta!

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(Imagens tiradas da net)

Memórias

Era uma vez, no tempo em que era normal ir passear num autocarro cheio de gente, onde todos se cumprimentavam com beijinhos e apertos de mão, onde se cantava, contava anedotas, se conversava com a pessoa que estava ao nosso lado, e com o grupo, um tempo em que podíamos mexer em todos aqueles artigos artesanais sem aquele medinho que hoje temos na ponta dos dedos. Já houve um tempo que visitava castelos, igrejas, jardins, museus, adegas, espaços artesanais de azeite e queijo, um tempo em que pernoitava em hotéis e comia em restaurantes...um tempo em que não eram necessárias máscaras, luvas e desinfectante de mãos, um tempo bom, em que tão pequenas coisas eram apenas normais e por serem tão normais nem sabíamos dar o valor porque simplesmente era um dado adquirido por natureza. Hoje temos saudades desse tempo que parece que já ficou para  trás e que já faz parte de um passado, que já faz parte da historia de cada um de nós. Hoje temos medo de ir ao supermercado, de andar em transportes públicos, de ir à farmácia e ao centro de saúde..... ficaram as memórias! Uma vez por outra, quando a melancolia se instala percorro essas memórias através das imensas fotos que enchem a minha caixa. Hoje, encontrei estas de uma viajem a Chaves, uma viajem muito divertida com um excelente grupo! Que saudades dos passeios e de tantas outras coisas! Numa palavra, saudades da vida normal!

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