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Abrigo das letras

Abrigo das letras

E parecia tudo tão real!

Havia uma razão para me levantar cedo, queria me sentar em frente ao PC e escrever coisas que me têm vindo à ideia, momentos vividos em tempo de Covid-19 que podem se perder no tempo e na memória quanto tudo isto passar, porque um dia isto vai passar e, embora seja algo que nunca se vai apagar da nossa memória, existem pormenores que se vão esvair no tempo, para guardar memórias eu escrevo algumas coisas, por isso havia o propósito de levantar cedo e escrever. A seguir ao almoço resolvi fazer uma pequena sesta, acordei terrivelmente assustada! Sonhei, e o meu sonho era espantosamente igual à realidade:

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Via imagens dos aviões da TAP num dia de um sol radioso e céu azul, todos alinhados em terra no aeroporto de Lisboa, um postal lindo com as cores da nossa bandeira, fiquei intrigada, porque estariam todos os aviões em terra? vi os barcos parados nas docas, os comboios vazios e também os autocarros antes sempre lotados, agora vazios sem vida, sem passageiros, vi autoestradas e cidades vazias, parecendo fantasmas de onde toda a população fugiu ,  ou se escondeu, imagens impressionantes e muito tristes, nunca se viu nada assim, falava para mim sozinha, vi pessoas a cantar às janelas e a aceder velas em união e solidariedade uns com os outros, querendo dizer, estamos todos unidos, e (Vamos ficar todos bem), o barco é só um e todos nós estamos dentro dele,  vi uma multidão de gente usando máscaras de todas as cores e modelos, vi as pessoas a desviarem-se umas das outras, era surreal, havia medo nos seus olhos, medo de se aproximar do seu próximo como se uma lepra houvesse por ali com via em certos filmes, vi toda a gente a desinfectar as mãos com álcool e gel desinfectante, vi comentários desastrosos nas redes sociais, vi igrejas e escolas fechadas, passeei pela minha vila e vi todo o comercio fechado, montras vazias, esplanadas arrumadas, bancos de jardim vedados e acesso às praias vedados com fitas, continuei a ver tantas coisas que não faziam parte da vida que eu estava habituada a viver!

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Vi um Homem vestido de branco sozinho a rezar pelo mundo, na Praça de S. Pedro no Vaticano, no Domingo de Páscoa, uma imagem poderosíssima e comovente,  também vi gente fazendo uma vida normal como se nada se passasse, continuava intrigada com tudo o que via, a ver coisas estranhas ao normal, vi números e imagens de outras cidades do mundo com comportamentos igual a Portugal; no meu sonho eu via tudo isto e interrogava-me o porquê de toda esta mudança na vida de cada dia, porquê que tudo tinha mudado, até que, enquanto circulava a ver todas estas coisas vi algo que me impressionou e assustou, olhei acima de mim e vi muitos pontinhos em coroa passeando-se no ar, aterrorizada percebi que o mundo estava perante uma pandemia viral de dimensões jamais vistas, comecei também a ver outras imagens que parecia vindas do futuro ou daqueles filmes de ficção cientifica, de hospitais cheios de profissionais de saúde equipados como se tivessem a braços com uma bomba atómica estafados e cansados, ouvia dizer que havia milhares de mortes em todo o mundo vitimas de uma pandemia... dei um salto na cama, o meu sonho estava a tornar-se muito pesado e acordei a transpirar!

corona virus.jpgCredo!!, parecia tudo tão real, falei em voz alta, talvez para me certificar que tudo não tinha passado afinal de um pesadelo!

Isto foi um pesadelo, disse para mim mesma!

Depois, bem acordada, a colocar as ideias em ordem, voltei à minha rotina diária e concluí que afinal a minha rotina era igual ao meu sonho! Fiquei triste, eu queria a minha vida de volta!

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(Imagens tiradas da net)

Dia mundial do Livro

“A leitura é importante hoje mais do que nunca. Leia e você nunca estará sozinho”,

copiei esta frase que li algures por aí e creio ser uma grande verdade, nós que sentimos prazer no acto da leitura nos faz uma certa confusão de como existem tantas pessoas que não nutrem qualquer prazer neste acto. A leitura tem o poder e a força de nos levar em viagens que jamais imaginaríamos, com ela parece que tudo se movimenta, conseguimos estar em vivência quase real através da imaginação, recriação, coração e espírito nos lugares e tempo em simultâneo com as personagens  da obra que estamos a ler, e as horas passam de uma forma diferente, divertida e enriquecedora. Nas horas em que dedicamos à leitura, de uma certa fora estivemos a viajar, a conhecer lugares, culturas e formas de viver diferentes e por isso eu pessoalmente encaro a leitura como uma fonte de conhecimento do mundo!

A minha leitura actual, "O Historiador"!

A trama se passa na Europa do período da Guerra Fria, onde uma menina, filha de um diplomata, descobre uma série de cartas misteriosas dentro de um livro na biblioteca de seu pai. Após pesquisas e histórias contadas por seu pai, a menina descobre o legado que foi deixado a ela.

Nas histórias do pai, ele conta que em sua época de pós-graduação em História, ele conheceu um professor, Bartholomew Rossi, que antes de seu desaparecimento misterioso, deixou-lhe o livro com as cartas, nas quais ele afirma ter descoberto que Conde Drácula ainda estava vivo.

O livro percorre a natureza da história e na sua relevância para o mundo actual.

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Nunca fez tanto sentido dar um especial valor à leitura como neste período que estamos a viver, o prazer de ler um bom livro é uma riqueza a ser redescoberta, sobretudo em tempos de quarentena ou isolamento social. O 25º Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor celebra-se este ano quando o mundo vive uma das suas mais duras experiências, a pandemia de coronavírus ou covid-19!

Memórias

Era uma vez, no tempo em que era normal ir passear num autocarro cheio de gente, onde todos se cumprimentavam com beijinhos e apertos de mão, onde se cantava, contava anedotas, se conversava com a pessoa que estava ao nosso lado, e com o grupo, um tempo em que podíamos mexer em todos aqueles artigos artesanais sem aquele medinho que hoje temos na ponta dos dedos. Já houve um tempo que visitava castelos, igrejas, jardins, museus, adegas, espaços artesanais de azeite e queijo, um tempo em que pernoitava em hotéis e comia em restaurantes...um tempo em que não eram necessárias máscaras, luvas e desinfectante de mãos, um tempo bom, em que tão pequenas coisas eram apenas normais e por serem tão normais nem sabíamos dar o valor porque simplesmente era um dado adquirido por natureza. Hoje temos saudades desse tempo que parece que já ficou para  trás e que já faz parte de um passado, que já faz parte da historia de cada um de nós. Hoje temos medo de ir ao supermercado, de andar em transportes públicos, de ir à farmácia e ao centro de saúde..... ficaram as memórias! Uma vez por outra, quando a melancolia se instala percorro essas memórias através das imensas fotos que enchem a minha caixa. Hoje, encontrei estas de uma viajem a Chaves, uma viajem muito divertida com um excelente grupo! Que saudades dos passeios e de tantas outras coisas! Numa palavra, saudades da vida normal!

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Tempo de aproveitar o tempo

Já se passaram alguns anos, trabalhinhos de mão como ponto de cruz, tricô ou Arraiolos eram quase vícios que se apoderaram de mim, sempre que tinha algum tempo, pegava naquilo e fazia mais um bocadinho, varias peças foram começadas e acabadas com êxito, outras porém ficaram pelo caminho, ora porque me desinteressei, ou porque se tornaram muito complicadas ou porque me dediquei a outras coisas e simplesmente deixou de haver tempo. Quando criei este blog em 2012, com este primeiro post, este foi um factor que veio roubar tempo aos trabalhinhos manuais, também a leitura que é um dos meus outros vícios me roubou tempo aos ditos trabalhinhos! Quando iniciei este blog à oito anos estava numa época com tempo de sobra por motivos de saúde, por isso resolvi dedicar-me um pouco à escrita, perceber se tinha algum jeito, alguma imaginação ou criatividade, hoje, com oito anos de blog penso que melhorei um pouco mas sei que não melhorei assim tanto como gostaria, às vezes faço intervalos grandes e a pouca inspiração varre-se. Estou a fugir ao tema principal desta publicação que são os trabalhinhos de mão para entreter o tempo, sendo que no presente tempo, nem as deslocações frequentes ao supermercado são aconselhadas, pouco nos resta fazer senão apelar à inspiração para ocupar o tempo, assim sendo vasculhando gavetas encontro trabalhos de mão suspensos no tempo e resolvo retomar, terminar certas peças que ficaram inacabadas, à espera não sei de quê, talvez à espera de uma pausa como esta ou parecida com esta para saltarem da gaveta para a parede, para o chão ou para a mesa! Até para retomar algum ritmo aqui nesta plataforma agora há tempo, assim haja inspiração para os temas! 

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Tudo parece igual a ontem

Da minha varanda observo a rua, tudo parece igual a ontem, a mesma estrada ladeada de casas amarelas, azuis ou brancas, os passeios para caminhar, algumas ervas surgem aqui e ali, os pássaros cantam, a chuva caiu e as plantas revigoraram, as laranjeiras estão floridas, as andorinhas começam a abeirar-se dos seus ninhos, uma ou outra pessoa passa,  tudo parece realmente igual a ontem; no entanto, quando olho as pessoas, nada é igual a ontem, os seus olhares, as suas preocupações e receios estampam-se nos rostos, nas palavras, na incerteza de um futuro que ninguém sabe onde nos conduz. Ontem os carros circulavam uns atrás dos outros numa pressa sempre desenfreada, as pessoas numa correria para o trabalho, para as compras, para levar e buscar as crianças da escola, era uma vida, achávamos  nós, completa, sem tempo para nada, sem tempo para os filhos, para os pais, para os vizinhos, para os amigos, o tempo não chegava e dávamos por nós a pedir mais tempo ao tempo e o tempo nunca chegava!

Hoje o tempo sobra para quem tem que fazer quarentena ou isolamento social, palavras pouco usuais no nosso vocabulário de ontem, o tempo sobra mesmo apelando à imaginação e criatividade na tentativa de reinventar outra forma de viver, outra forma de fazer as coisas, outra forma de comunicar e demonstrar os afectos e carinhos pelos outros.

As noticias cansam, os números cansam, a nossa capacidade de ouvir sempre as mesmas noticias esgota-se, em cada novo dia temos esperança que os números apresentem sinais de abrandamento que nos acalme o espírito, sabemos que esse dia chegará, mas quando não sabemos!

Todos os que estão na linha da frente (frente de batalha) porque esta pandemia provocada pelo virús covid-19 é uma guerra sem igual da qual ninguém está livre, todos os que estão na linha da frente num combate levado à exaustão para salvar vidas, arriscando em cada hora, em cada minuto a sua própria vida, merecem todo o apoio e solidariedade do mundo. Eles sim são os Grandes Heróis nesta guerra, e a nós que estamos no isolamento social eles só pedem que Fiquemos em casa. Tão simples comparado com a luta deles. Pensando neles devemos fazer o que nos pedem para que eles possam tratar de nós! 

Tudo parece estar igual a ontem mas não está!

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Primavera 2020

Primavera

Chegas de mansinho, contigo vêem as andorinhas que no meu beiral regressam aos seus ninhos, contigo despontam flores simples de todas as cores, contigo os dias são maiores e mais mornos, contigo o sol brilha e alegra os corações, os pássaros cantam em sintonia numa maravilhosa sinfonia! Primavera, convidas-me a sair para a rua, não sabes que não devo ir, convidas-me a ficar feliz com todas as coisas boas que me ofereces, mas não sabes que não as posso desfrutar, ainda assim, alheia aos meus problemas e aos problemas do mundo tu, Primavera, todos os dias cumpres o teu dever com a ordem natural das coisas e dás ao mundo aquilo que o faz feliz, não sabes porém, que o mundo está a viver a sua mais dura prova deste século, não sabes porque és apenas uma estação do ano, porém a mais bonita, a mais convidativa, contigo tudo desabrocha e encanta! Alguma vez ouviste falar de Covid-19? Não ouviste porque és apenas uma estação do ano e prossegues o teu destino indiferente aos problemas dos homens; Sabes Primavera, este é um virús terrível espalhado pelo planeta, matando milhares de pessoas, e deixando um rasto destruítivo muito elevado ao nível da saúde e da economia... 

Um dia tudo voltará à normalidade, mas muitas coisas terão mudado, as mentalidades terão mudado, certamente encararemos o mundo sob outra perspectiva! Nada será igual!

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Inspecções Periódicas

Pronto, chegou o mês da inspecção do carro! Todos os anos é isto: verificar se está tudo em condições no veículo para não ter surpresas na hora. Os peneus estão com bom rasto, não há faróis fundidos, os piscas funcionam, a buzina também, os travões estão bem e o resto também deve estar, o inspector verificará. Posto isto, vamos lá ao centro de Inspecções!

Se gosto de fazer isto? não, não gosto, me dá um certo nervoso, o que me faz esquecer momentaneamente onde estão os sítios que o instrutor me vai dizendo para mexer, mas é só uns instantes de hesitação e lá vou fazendo tudo o que me pedem. O que mais me enerva mesmo é quando ele se põe debaixo do carro e o abana todo comigo lá dentro, parece que estou na corda bamba. Aquilo dura apenas uns escassos minutos e pronto está a inspecção feita. Arranco, estaciono mais à frente e vou buscar o dito papel que vai acompanhar o veículo até ao ano seguinte dizendo para o instrutor: Muito Obrigada e até para o ano se Deus quizer!

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Dias de Nevoeiro

O dia amanheceu cinzento, porém sem chuva, pelo que deu para aproveitar para jardinar, cortar troncos velhos de algumas árvores, arrancar ervas. A meio da manhã começou a chover e pela tarde iniciou-se a formação de nevoeiro que lentamente se foi adensando até se tornar num imenso nevoeiro, daqueles que não deixam ver um palmo à frente do nariz. Estes dias são melancólicos e por vezes temos que fazer um esforço para conservar a calma porque este estado de tempo tende a criar "neura" nas pessoas. Dou por mim a preparar uma chávena de uma bebida quente à base de cevada sem acúcar para fazer as vezes de café, e pegar numa broa dos Santos com sabor a erva doce e canela. O doce da broa corta o leve amargo da cevada e sabe-me bem este lanche. Enquanto faço este pequeno lanche sentada à mesa da cozinha, observo pela janela o imenso nevoeiro que se formou, não deixa ver mais nada além do chopo que está em frente, o qual está a perder a folhagem aos molhos para dentro do meu quintal, o outono não perdoa, é altura de todas aquelas folhas adquirirem um tom amarelo, alanranjado, depois cairem inertes no chão e  serem levadas pelo vento para os mais diversos sitios. Ouço ao longe a sirene dos bombeiros ou da polícia, não sei distiguir, talvez algum acidente, o tempo está propício a isso, é necessária uma atenção redobrada a quem conduz ou circula nas estradas. Pego no "calhamaço" que ando a ler, um livro com mais de novecentas páginas ( A Queda dos Gigantes) de Ken Follett. Trilogia "O século" e mergulho naquela leitura que remonta aos tempos da primeira guerra mundial. A leitura me prende e as horas de nevoeiro vão passar num ápice!

Dias assim, são mesmo aqueles dias em que apetece deitar no sofá com um bom livro seja ele grande ou pequeno, o importante é que seja interessante para quem o está a ler!

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Quando algo nos foge

Sem conseguires evitar, algo te escapa entre os dedos e que, no teu coração está amarrado. Tentas soltar essa "coisa" que poderás apelidar de amor ou outro nome que aches mais apropriado, no entanto, embora te esforces, esse fenómeno é mais forte que tu e sem quereres te invade de uma dor estranha que tu não queres. Sim, tu não queres essa dor, ela se torna insuportável, tentas em vão que o teu pensamento voe para outras alturas, outras paragens e, sem mais nem menos estás de novo a pensar no mesmo, é quase um vício... que não consegues evitar!

Dizem os que já viveram mais, que o tempo se encarrega de sarar todas as feridas, dizem, porque já aconteceu com eles e portanto sabem do que falam. 

Por mim, acho que as feridas ficarão saradas mas as cicatrizes profundas ficarão lá para sempre!

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Meu nome é Alice

Decididamente há certos filmes não deveria ver à noite, e o exemplo disso é este "Meu nome é Alice", um filme que retrata o drama de uma mulher que tem uma vida familiar feliz, uma carreira brilhante como professoara universitária, é uma mulher inteligente e realizada de cinquenta anos que percebe o que lhe está a acontecer quando começa a esquecer-se de palavras, de objetos, de lugares...  Quando consulta o neurologista  e faz os exames, estes dão possitivo, é portadora da doença de Alzheimer precoce rara, um tipo de demência que provoca uma deterioração progressiva e irreversível da memória, atenção, concentração, linguagem e pensamento. 

Alice é uma mulher muito inteligente e forte, tem plena consciência do que lhe está a acontecer e de que o futuro lhe reserva, por isso tenta viver o melhor possível cada dia, mas a doença não perdoa e progride muito rápidamente. Num espaço muito curto de tempo a vida de Alice muda como a noite para o dia....

Já trabalhei com doentes com Alzheimer, pessoas idosas, e sempre me impressionou esta degradação humana, mas desconhecia que podia acontecer a pessoas tão novas e que a degradação fosse tão rápida em idades mais precoces, por isso este filme me tirou o sono nessa noite!

Niguém está livre pois estamos todos debaixo do mesmo telhado!

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(Imagem tirada da net)