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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Pai, esta carta é para ti

Pai, se ainda estivesses cá podia te dizer que hoje sou quem sou  porque me ensinaste tantas coisas às quais eu não dava qualquer importância quando era pequena e depois adolescente. Mais tarde, já mulher começei a refletir naquilo que me dizias e a pôr em prática os teus ensinamentos. Não sabias ler, mas mandaste-me à escola para eu aprender, não sabias ler mas acatavas tudo o que ouvias e sabias falar das coisas como qualquer um que soubesse, não tiveste aulas de canto, mas gostavas muito de cantar. Trabalhaste muito junto com a minha mãe para que nada faltasse aos teus muitos filhos, a terra era o teu ganha pão e o teu sustento e, quando perdeste as forças para a trabalhar, foi a tua maior tristeza, foi como se te tivessem roubado um pedaço de ti. Amaste muito a minha mãe e a fizeste feliz, por isso ela te recorda com muita saudade e fala de ti como o melhor dos maridos e o melhor dos pais, amaste os teus filhos por igual, nunca fizeste distinções entre uns e outros, não lhes destes coisas e mais coisas, porém, desde cedo lhes mostraste o valor do dinheiro e como era difícil ganhá-lo, ensinate-os a levantar cedo e a trabalhar para que um dia pudessem e soubessem governar as suas vidas.

Obrigada pai por tudo o que foste, por tudo o que me ensinaste, pelos valores que me transmitiste, por todo o apoio que deste ao longo da tua longa vida!

Mentira

Perceber que uma pessoa está a mentir pode ser uma tarefa difícil. Muitas vezes o mentiroso acredita na sua própria mentira. No entanto ao conviver com alguém que mente todos os dias e que o faz com desenvoltura e naturalidade é constrangedor, mas fácil de detetar quando a mentira está a acontecer. Todas as pessoas mentem, com maior ou menor gravidade, isso acontece quase tão naturalmente como existir... muitas pessoas preferem ouvir mentiras bonitas a verdades menos agradáveis. Mentir para se proteger, mentir para prejudicar outra, mentir para tirar proveito, mentir para não fazer outro sofrer... há tantas razões para ocultar a verdade que as pessoas mentem quase sem dar por isso.

Maus hábitos

Sentada numa repartição de serviço público à espera de vez para ser atendida, ia ouvindo sem querer a conversa de duas amigas, onde uma dizia que não entrava cedo ao trabalho porque a colega com quem fazia equipa também não entrava e até dizia, que estava lá outra colega a iniciar o serviço. Sendo eu uma pessoa que apenas estou a ouvir a conversa ocasionalmente, tendo portanto uma opinião imparcial, acho que nem uma nem outra estão a ter um comportamento correto no trabalho. Quando queremos que as coisas corram bem e dentro da normalidade, temos que fazer alguma coisa por isso, e não é porque alguém tem um mau comportamento que os outros o vão imitar, a agir desta maneira tudo correrá mal e vão se atribuindo culpas a quem as não tem, porque sabemos que alguém ou alguma coisa, com razão ou não, será responsabilizado pelo mau funcionamento das coisas.

Esconder frustração

Estás rodeada de pessoas mas vais cantarolando baixinho uma música qualquer, como se estivesses sozinha, não estás alheia ao que se passa tua volta, mas finges que estás,e que nada do que te rodeia te interessa. Fingimento, teatro ... todos sabem que estás mais atenta que qualquer outro, mas é assim o teu modo de vida. Que te leva agir dessa maneira? alguma frustração com a vida, alguma influência de alguém que se diz tua amiga, mas não o é, porque te influencia para atitudes pouco corretas e tu nem te apercebes, e vais na onda... 

Amor de mãe

Habitualmente a senhora mostra uma cara alegre, de bem com a vida, uma vida que já viveu e que já conta muitos anos. Nesse dia o olhar dela era diferente, preocupado ... que me levou a perguntar; está triste D. Elvira ?(nome fiticio) - sim, responde ela

- porquê que a senhora está triste? pergunto

- a minha filha foi passear para fora do país com uma amiga e eu estou preocupada, responde

- ora D. Elvira, então elas estão a divertir-se à grande e a senhora está preocupada e triste! não esteja assim porque elas estão bem, digo eu.

Amor de mãe não tem limites, mesmo que os filhos/as também já sejam avós, para as mães são sempre motivo de preocupação. Preocupação que começa quando se encontram no ventre e dura para a vida toda... Amor de mãe é assim.

 

As crianças

Dia de ir buscar a menina à creche, e porque a temperatura está boa e o sol brilha, uma escapadinha até ao parque infantil vem mesmo a calhar. Os baloiços, o escorrega o espaço para correr fazem delícias na vida dos miúdos. Correm, brincam, travam conhecimento, transpiram, estão felizes. Ao ver a felicidade destas crianças, penso nas outras que nada disto têm, nem as coisas mais básicas como comida, roupa, uma cama quentinha... penso nelas e sinto tristeza porque todas as crianças vêm ao mundo com os mesmos direitos; uma casa, uma familia, acesso aos cuidados de saúde educação, alimentação, higiene... As crianças são vida, são esperança, são o futuro...

A senhora está linda

"Que bela que a senhora está!", "mas que bela que está", não me canso de lhe repetir... de fato a senhora está muito bonita. Os oitenta e tantos anos que conta não impede que todos os dias saiba escolher a roupa, sapatos e mala que vai usar nesse dia. De calça branca, túnica em fantasia nos tons lilás e branco, sapatos brancos, anel, pulseira e relógio, tudo a condizer.... assim, sai a senhora de oitenta e tal anos para a rua, para os seus passeios e conversa com as amigas. O céu está azul, o sol brilha e a temperatura está convidativa. Porque todas as idades têm a sua beleza, e todas as pessoas merecem elogios, seja porque se apresentam bonitas, ou porque têm uma atitude simpática, ou fazem algo bom, ou simplesmente vivem com um sorriso nos lábios que vão distribuindo por aqueles com que se cruzam durante o dia. Elogiar alguém não custa nada e pode fazer toda a diferença num dia de uma pessoa...

Escrever, é enfeitar a vida

Nã resisti a partilhar ese texto (lindo)

 

"Escrever, é enfeitar a vida

Escrever, é como voar sem asas! É guardar folhas verdes para que mudem de cor, de tom. É juntar letras e laçar palavras, passar mel e colar em Almas! Escrever, é enfeitar a vida, é dar forma no sentir, é apalpar as emoções, tactear as lágrimas, sentir o riso! Escrever, é soltar balões, é deitar-se no chão, perfumar-se de estrelas, enfeitar-se de Lua, colorir-se com raios de Sol! Escrever, é parir sem dor, é cura pela palavra, é medicina de Alma! Escrever, é sair da caverna, é abrir o peito, é tirar o véu, é saber-se Céu, é esvaziar-se do nada, é preencher-se de Infinito!"

(Rose Ponce)

Desagrado

O que é isto? perguntei eu a mim mesma quando cheguei à praia, outras pessoas fizeram a mesma pergunta para si e para todos os que quizeram ouvir. Havia chapéus de sol (daqueles que agora as entidades competentes colocam em todas as praias a dar a impressão que estamos num país tropical), e espreguiçadeiras de madeira feitas com paletes (muito originais por acaso), até aqui tudo bem, o que despertou a revolta dos veraneantes foi que, à volta do perímetro dos chapúes e espreguiçadeiras foi feito um murinho com as pedras que foram retiradas aquando a limpeza do referido perímetro. A primeira impressão - temos um espaço limpo na praia que está vedado e o resto da praia são só pedras grandes e pequenas - o que significa? ouvindo conversas daqui e dali percebi que as entidades competentes vão a partir de amanhã (16 de Junho) dia em que abre oficialmente a época balnear, começar a cobrar a quem queira ocupar o tal espaço - Estamos a falar de uma praia à qual foi atribuído a bandeira azul e está incapaz de se tomar um banho ou até molhar os pés, porque toda ela são pedras e limos. Ainda por cima querem cobrar no pequeno espaço que limparam? A indignação é total...

A saga do telemóvel

Ok, o telemóvel apareceu, mas nem por isso ela ficou satisfeita. Já era noite há bastante tempo quando ela deu por falta do telemóvel, esse aparelhinho que se tornou indispensável, que se tornou numa companhia de dia e noite (quase uma obsessão). Quando o procurou  e não o encontrou, usou a tática mais óbvia, ligou para si mesma, surpresa, ou talvez não, o toque era de desligado. Pronto, pensou, "perdi-o, alguém o achou e já lhe retirou o cartão". Foi então que começou a recapitular as últimas utilizações e, só se lembrou de ter visto as horas às 18,30h na praia. O seu pensamento - quando viu as horas, o telemóvel deve ter escorregado do saco no momento em que o guardou, ter caído na areia e lá ter ficado, quando a maré encheu, levou-o: ficou assim convencida de que foi o que aconteceu. Pelo sim pelo não, ligou para a operadora e pediu para bloquear tudo. Iria pedir uma segunda via do cartão. No dia seguinte a falta do aparelho causou-lhe muito transtorno e perda de tempo, uma vez que havia assuntos urgentes para tratar. Dirigiu-se a um agente da operadora e perguntou: se pedisse agora a segunda via do cartão se este ficava logo operacional, a resposta foi afirmativa, mas, há sempre um "mas", o sistema estava em manutenção e iria estar nas próximas horas, não era possível obter nada, que frustação. Assim, foi para casa desanimada. Como, quando se chega a casa hà sempre a vontade de ir á casa de banho, foi para lá que se dirigiu e, enquanto desabotoava o botão das calças, olhou para dentro da sanita - um objeto escuro estava no fundo da sanita - a medo (não fosse algum bicho ter entrado pelo esgoto acima) com o cabo da escova do cabelo tocou no objeto, era duro, não parecia ter a consistência de bicho. Muniu-se de uma luva e meteu a mão dentro da sanita - "não acredito" disse em voz alta, era o telemóvel. Esquecera-se de que, quando chegou da praia o meteu no bolso de trás das calças para ir ao quintal ver as alfaces e outras coisas, de volta a casa foi á casa de banho. O aparelhinho que a acompanhava há já alguns anos, caíu na sanita e ela não deu por isso, ficou mergulhado na água e na espuma do desinfetante durante muitas horas! Colocou-o ao sol por dentro no parapeito da janela, ali ficou dias e mais dias, tentou algumas dicas para a sua recuperação mas nada surtiu efeito, foram muitas horas mergulhado ne água, continua em estado morto.  Tinha anos de uso, era muito estimado, andava sempre protegido com a sua capa própria de cor preta, raramente caía ao chão, estava em muito bom estado, é com muita pena que ela lhe diz adeus para sempre. Agora, é hora de adquirir outro, será um mais sofisticado, com mais funções, possivelmente com funções a mais que nunca vão ser utilizadas, mas então, os telemóveis agora fazem tudo, só é pena que não trabalhem por nós - ou não será bem assim - antes do telemóvel a vida e a comunicação entre as pessoas eram muito diferentes. Hoje comunica-se muito,(existe mil maneiras de comunicar) mas convive-se pouco... E aquela ansiedade da chegada do correio? Quem ainda se lembra dela? E a paixão de escrever cartas onde está?....

 

Conselho: Evitem colocar o telemóvel no bolso de trás das calças