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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Salto à corda

Acabei de saber que existe um campeonato mundial de salto à corda. Fez-me recordar a minha infância. Se havia coisas que gostava de fazer, era isto, saltar à corda. Naquela época tinha energia para tudo, saltava à corda sozinha ou acompanhada em qualquer hora do dia, bastava ter uma corda qualquer, escusado será dizer que não tinha nenhuma destas cordas próprias com pegas e tudo. Era uma corda que o nosso pai ou a nossa mãe nos arranjava.

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 Vê-los saltar ali na televisão fez-me querer ser outra vez criança e voltar a saltar à corda com a aquela energia que me lembro bem de ter. É certo que ainda posso saltar, para isso basta comprar uma corda e voltar a saltar, era uma maneira de praticar mais um pouco de exercício fisíco e perder alguma gordurita que está a mais! 

O natal da minha infância

Éramos uma familia numerora de nove pessoas, os meus pais e os seus sete filhos. Era normal todos os domingos irmos à missa, um ritual ao qual me fui habituando desde que nasci. No dia de natal a missa era diferente, a igreja era pequena e estava sempre cheia, o que a tornava quente e acolhedora, eu ainda era pequena e as leituras sobre o nascimento do menino cativavam a minha atenção, os cânticos soavam aos meus ouvidos como melodias de anjos, no fim da cerimónia beijava-se a imagem do menino Jesus, era como se beijasse um bébé verdadeirao, todo o ritual tinha para a minha inocência de menina um encanto e uma promessa de que o mundo vivia em paz e era feliz, que havia um teto para todos e todos tinham o que comer. Neste dia a minha mãe cozinhava galinha da capoeira e também fazia canja, recorde-se que neste tempo não se comia galinha com muita frequência pelo que este prato era muito esperado e apreciado, também havia filhoses. Comia-se na cozinha numa mesa grande e com o lume aceso que a aquecia e, que servia principalmente para cozinhar as refeições, só tinhamos um pequeno fogão a petrólio para preparar o café da manhã, o lume situava-se em cima dum poial onde também estava o forno onde a minha mãe cosia o pão uma vez por semana para toda a semana. Não havia prendas, não sentia falta delas, não fui habituada a recebê-las mas, havia muito calor humano, amor, respeito, comunicação e amizade uns pelos outros dentro das paredes da casa dos meus pais e também do lado de fora da porta. Montava-se o presépio com musgo fresco que um dos meus irmãos apanhava em algum pinhal, e muitas figuras de barro, era o presépio que representava o nascimento de Jesus, não uma árvore de natal. Hoje, a cerimónia religiosa do dia de natal celebra-se mais ou menos da mesma maneira que na época da minha infãncia, eu é que perdi a inocência e deparei com um mundo onde não existe paz entre os povos e onde não há alimento nem teto para todos. Sinto alguma saudade dos sons, das cores, dos cheiros e do encanto do natal da minha infância. A minha mensagem de natal: Que a marca"Natal" não se resuma apenas a uma marca que serve para fazer mais negócios, mas sim que a sua verdadeira essência entre no coração dos homens e os torne mais humildes e atentos ao vizinho que vive a seu lado.