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Abrigo das letras

Um blogue para interagir com as pessoas partilhando imagens, ideias e pensamentos!!

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Não pertences ali

Maria, 09.09.25

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A vontade de conhecer novos sítios, novas formas de usar o tempo ou mesmo novas formas de entretenimento leva-nos a tomar decisões de forma a sair da nossa zona de conforto e ir experimentar coisas novas, ver novas pessoas. Por vezes isso é bom, outras nem tanto.

Entras em determinado lugar e sentes de imediato algo estranho em ti, algo como um pouco à vontade, uma carta fora do baralho, um peixinho fora d`água, um lugar que não é o teu e perguntas-te: o que estou aqui a fazer??

Tentas ambientar-te, entrar no espírito de diversão dos outros, manter conversas, mas acontece o inverso e o teu incómodo cresce a cada segundo e só pensas em voar dali para fora ...o espaço é bonito sim, as pessoas conversam umas com as outras, divertem-se, (ou parecem que se divertem) mas tu não, tu sabes que não pertences ali... que precisas de sair dali... e, tens mesmo que sair dali porque se não o fazes, embarcas num desconforto total e o teu objectivo de diversão passa a ser uma grande desilusão. Despedes-te de alguns .... encaminhas-te para a porta, assim que transpões o umbral, voltas a ser tu, e não um ratinho que não sabe onde se meter, voltas a estar na tua...onda, que importa que só gostes da tua zona de conforto que não te consigas integrar em alguns ambientes... agora...corre, vai procurar a "tua praia", aquela onde podes ser tu mesma, aquela em que tu realmente vives e convives sem te sentires uma  uma lesma. A noite ainda está no começo!!

(Mais vale ires para a Ilha)

 

 

A Noite na Ilha

Maria, 14.05.16

A Noite na Ilha

Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora – pão,
vinho, amor e cólera – te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.

Pablo Neruda )

Os Desafios da Abelha

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