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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Pobre gato

Saiu de casa e com alguma pressa pegou no carro e se fez à estrada, poucos metros tinha ainda andado quando, assim do nada, um bichano surge e se atravessa na frente do seu carro, não teve tempo para nada. Quando olhou o retrovisor viu o gatito mexer-se e atarantado tentar levantar-se.

Encostou o carro na berma da estrada e saiu para verificar se tinha magoado o coitado. Na realidade quando chegou ao sítio não havia vestigios nem de gato nem de qualquer ferimento. Pensou, felizmente que nada aconteceu ao bicho, mas que levou um susto valente, lá isso levou. 

Voltou a entrar no carro e pelo caminho foi pensando no pobre animal, será que ficou ferido e conseguiu fugir dali, pode ter uma perna partida ou qualquer outra parte do corpo magoada, mas como saber? Costuma-se dizer que os gatos têm sete vidas, este provávelmente agora só tem seis porque esteve muito perto de perder uma.

Os gatos são uma "fofura", jamais faria mal a um gato propositadamente, não são raras as vezes que os vê desfeitos na estrada e se compadece sempre, sabe que existem pessoas que o fazem de propósito. Muitas vezes não há como evitar, eles se atravessam na frente, surgindo do nada no momento menos propício.

Vamos lá "gatitos" tenham mais cuidado com vocês mesmos ...... 

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Gato por lebre

Era domingo, e como já vinha sendo hábito aos domingos iamos almoçar ao restaurante, tentávamos variar os restaurantes para podermos assim fazer a degustação e comparação entre uns e outros. Neste domingo, vendo a ementa verifiquei que havia coelho à caçadora, como sou uma apreciadora desta carne e da forma como é cozinhada, resolvi pedir esse prato. 

Tudo muito bem, pediu-se um bom vinho tinto para acompanhar, vieram as entradas, pãozinho quentinho e tudo o mais a que havia direito...

Chegados os pratos pedidos, para ele foi outra escolha para mim o referido coelho à caçadora. Preciso dizer que o que mais aprecio no coelho são as patas, as mãos, a cabeça, o pescoço, as costelas e ainda o figado. O que menos aprecio é precisamente o lombo, acho que é uma parte mais seca. Ora bem, olhando para o meu prato, só encontro lombo, nada mais, uns tantos bocados de apenas lombo. Desiludida comento com a pessoa que me acompanha - este coelho era anormal. Comi.

Passado um bocado o dono do restaurante e também cozinheiro, chega-se a nós e pergunta se está tudo bem - não me contive e disse: Sim a comida está saborosa mas diga-me uma coisa - este coelho era anormal? Não sei porquê ele percebeu de imediato a pergunta e responde-me logo; é que eu ontem fiz coelho à caçadora só com as patas e mãos e deixei os lombos para grelhar para hoje, mas hoje acabei por fazer novamente coelho à caçadora e é por isso que só lhe apareceu lombos... uma grande conversa que não engoli. Comi o coelho mas não engoli o raio da desculpa que ele arranjou para justificar o erro de só colocarem pedaços de lombo no meu prato. Cabe então na cabeça de alguém fazer coelho à caçadora só com uma coisa ou só com outra e mais, em minha opinião, se o lombo já se torna seco estufado imaginem grelhado?

Não era gato nem era lebre, era apenas uns bocados de lombo de coelho que a mim me soube ser "gato quando pedi lebre"!

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O voo da gaivota

"Ditosa voava solitária na noite de Hamburgo. Afastava-se batendo as asas energicamente até se elevar sobre as gruas do porto, sobre os mastros dos barcos, e depois regressava planando, rodando uma e outra vez sobre o campanário da igreja. Estou a voar! Zorbas! sei voar! - grasnava ela, eufórica lá da vastidão do céu cinzento.... "

... à beira do vazio a gaivota compreendeu que

"Só voa quem se atreve a fazê-lo"

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 Do livro de Luís Sepúlveda (História de uma gaivota e do gato que a ensinou a voar)

Uma excelente história contada como uma fábula e repleta de mensagens como só Sepúlveda sabe contar!