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Abrigo das letras

Abrigo das letras

O verão, as férias, a piscina e o mar

Lá em baixo está a piscina e o relvado, está um pai deitado na relva que vai levantando e baixando uma perna, as suas crianças divertem-se a saltar por cima da perna, elas correm e saltam uma e outra e outra vez, depois desatam a correr a volta da piscina com uma energia que não se esgota. Como é bom  ver e sentir as crianças felizes.

 

Noutro ponto da relva está um grupo de adolescentes a jogar às cartas, estes também se divertem exercitando o cérebro, puseram de parte por, talvez umas horas as tecnologias.

 

Grandes e pequenos refrescam-se na piscina, mergulham, nadam, brincam.... o calor é muito e é verão!

 

As espreguiçadeiras estão para os que querem descansar e aproveitar as sombras, lendo livros e revistas ou apenas conversando uns com os outros.

O colorido e a graciosidade que o cenário apresenta é agradável aos olhos de quem se encontra uns metros mais acima e, de onde pode desfrutar de uma paisagem lindíssima com o mar como pano de fundo. Bem lá ao longe no meio do azul vislumbra-se um veleiro de pequeno porte, certamente um barco de recreio, também estes, os ocupantes do veleiro estarão no pleno gozo das suas férias...

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Já avisto a minha chaminé

Quando vamos para fora do nosso país ou mesmo da nossa cidade por uns tempos, por umas férias, ou outro motivo qualquer, é comum quando estamos a chegar dizer "já avisto a minha chaminé".

O verão está a chegar e com ele, as férias já estão a dar o seu ar de graça. Muitos irão para fora do país, muitos irão para as zonas onde existe praias, outros preferirão zonas mais sossegadas como o Alentejo e o turismo rural, o contato com a natureza e os animais. Muitas e diversificadas serão as preferências das pessoas.

Por muito que se aprecie estar fora do nosso ambiente de todos os dias, por muito que se goste de correr mundo, a nossa chaminé é sempre a nossa chaminé, e quando regressamos temos uma sensação tão boa, tão nossa que parece que tivemos fora séculos!

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 Delicia de amêndoa

Eram bandos de pardais à solta

As férias da Páscoa representavam,levantar cedo e espantar pardais. Vinham aos bandos, pousavam na sementeira e, se ninguém os espantasse comiam até lhes aptetecer, e vinham outros e outros até não haver mais sementes para comer.

Eram bandos de pardais à solta, mas não eram os "pardais" que Carlos do Carmo muito bem canta, eram de facto pardais, mesmo pardais à solta em grandes bandos.

 

De manhã cedo Margarida era acordada pelo seu pai, tinha uma tarefa para aquele dia. Após o pequeno almoço feito de café com leite e pão com manteiga, Margarida agasalhava-se o melhor que podia e saía de casa tendo como destino a fazenda onde o seu pai há poucos dias tinha feito sementeira. A manhã era muito fria, à medida que ia caminhando ia encontrando grandes espaços de ervas verdes cobertos de um manto branco, uma geada branca e fria que se dissolvia com o aquecer do sol, ia também encontrando pequenas poças de água congelada, divertia-se a pisá-las e a sentir o gelo estalar debaixo dos seus pés, como se fosse vidro a partir, calçava botins de borracha e assim podia passar por cima das poças. O caminhar não deixava que os pés arrefecessem. O sol já despontava para lá daquela linha entre a terra e o espaço, era de uma cor alaranjada, linda de se ver, formava uma pintura deslumbrante digna de artistas de famosos.

 

Chegada à fazenda, construia um espécie de uma tenda com sacas grandes de serapilheira e alguns paus ou então com um grande chapéu de chuva, no chão estendia outra saca de serapilheira. A manhã era muito fria. Tinha uma lata velha e um pau, espantava os pardais batendo na lata que produzia um barulho muito forte que os assustava, por vezes eles já se acostumavam ao barulho e não iam embora, continuavam a comer as sementes tranquilamente. Os pardais vinham em grandes bandos alimentar-se das sementes que o pai de Margarida deitara à terra. Quando as sementes começavam a germinar era altura própria para eles comerem tudo se não se estivesse atento. O periodo que decorria entre o começo de germinar até estar toda a sementeira germinada era critico, por isso, dentro deste periodo era preciso estar atento à passarada.

Margarida passava horas sozinha na fazenda espantando pardais, nestas horas apreciava o silêncio, apreciava a natureza, tentava destinguir alguma variedade diferente de pássaros e sonhava, sonhava tanto que por vezes se esquecia dos pardais que com tranquilidade comiam as sementes que o seu pai semeara, sonhava com a vida nas cidades, sonhava estudar numa grande escola e tirar um curso para poder fazer outra coisa que não fosse espantar pardais. Não sabia ainda que a vida no campo é muito mais saudável que a vida nas cidades e que o previlégio que tinha nessa altura de poder andar livremente por onde lhe apetecia, hoje é impensável, existe sempre o medo de raptos e coisas do género.  Assim, esperava ansiosamente pela hora do almoço e de seguida pelo o pôr do sol, a hora de deixar a fazenda, para no dia a seguir ir para lá outra vez. Eram assim dias seguidos nas férias da Páscoa.

 

 

Amanhã é dia de Páscoa, Margarida não vai para a fazenda, o seu pai irá para lá de manhã, depois irão todos á missa e a seguir irão almoçar galo da capoeira corado no forno com batatas fritas e arroz, a sua mãe preparará também uma canja com os miúdos do galo à qual adicionará uma folha de hortelã.

 

Foi assim nos anos sesseta/setenta, Margarida recorda-se bem dessa época.

 

Amanhã é dia de Páscoa! 

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Como um rio

Alguns dias de férias souberam a pouco, muitas coisas para fazer e o tempo a esgotar-se, o dia de hoje, esta hora, este minuto já passarm, não se voltam a repetir, cada dia que passa é a sensação de de um dia a menos que temos para viver;  quantos dias, horas, minutos desperdiçados, tempo que não volta mais. Quero abraçar o mundo, quero abraçar as pessoas, quero viver com elas, quero fazer coisas que ainda não tenha feito... quero ser uma pessoa melhor e aproveitar bem o tempo que me foi destinado nesta vida que me foi permitida viver... fervilham festivais de música por esse país fora, há loucura nas ruas, transito a mais e juventude a deambular, consequência de noites perdidas... e urgência de viver cada minuto. Ouve-se a música vinda de longe nesta noite quente e tranquila, apenas uma pequena aragem refresca, a lua redonda empresta a sua luz e envolve na sua aura corpos sedentos de adrenalina. Na varanda da minha casa, nesta noite quente de verão, observando a lua e as estrelas, vão passando pelo meu imaginário imagens do passado, aquilo que fui e que já vivi, antevejo o futuro, aquilo que serei, que me será concedido ser... e sei que a vida é como um rio, não passa duas vezes pelo mesmo lugar, é apenas um  momento em que devemos dar o melhor de nós!

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As férias

Finalmente uns dias de férias... Aproveitar para ir à praia, passear um pouco, almoçar com a familia e amigos, relaxar, repousar, pôr em dia algumas leituras, algumas arrumações e também visitar pessoas amigas e vizinhas. Comer sardinhas ou carapaus grelhados com uma boa salada de tomate e pepino, comer melancia, gelados e preparar bons refrescos naturais para combater o calor... tanta coisa e tão poucos dias, eles se esgotam num virar de olhos!

O meu refresco para hoje:

- Algumas folhas de hortelâ

- Rodelas de limão

- Cevada solúvel

- Uma colher de mel

- Água

Colocar tudo num jarro e levar ao frigorifico, fica delicioso e bastante refrescante.

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Férias

Férias não são só sol, praia e passeios. Outras coisas se fazem nas férias, como tirar prazer de estar em casa e com calma fazer algumas arrumações, ao fazê-lo mexe-se em objetos que estão arrumados há tanto tempo que já ficaram esquecidos. Os albuns de fotografias deslumbram cada vez que os abrimos, pois cada vez as diferenças entre aquilo que fomos e aquilo que somos hoje, são maiores; já nem conhecemos aquelas garotinhas de minisaia e calças à boca de sino, de pele lisa sem rastos de preocupação, com uma "vida inteira pela frente". Estar em casa e usar o tempo com tranquilidade só para si própria, ouvindo música, olhar o horizonte, as árvores, os pássaros, repousar na espreguiçadeira na varanda e, no fim do dia assistir ao pôr do sol, dá um prazer imenso.

 

José Saramago

 

 

Imponente edificio setecentista, o Palácio nacional de Mafra mandado construir por D. João V. Diz-se que para cumprimento de uma promessa se a rainha lhe desse um filho varão. A idéia era construir um convento de franciscanos na vila de Mafra, originalmente a idéia não previa um investimento tão grandioso como o que viria a ser feito. A obra foi encomendada por D. João V e consistia num monumento religioso para agradecer a chegada do seu primogénito. A primeira pedra foi lançada em 1717, mas, à medida que chegavam aos cofres reais mais e mais riquezas do Brasil, o projecto foi redesenhado, acrescentado, e não se olhou a despesas para transformar o pequeno monumento naquilo que é hoje: 40 mil metros quadrados de construção com uma fachada de 200 metros de comprimento e uma altura que atinge os 68 metros nas duas torres; mais de cinco mil portas e cerca de 2500 janelas que escondem numerosas obras artísticas encomendadas pelo monarca à França, Flandres (de onde chegaram os dois carrilhões de 92 sinos, cujo peso se estima em mais de 200 toneladas) ou Itália; e uma biblioteca ricamente ornamentada com um acervo de cerca de 35 mil obras.

José Saramago (Prémio Nobel da literatura) cria em livro "Memorial do Convento", uma história ao redor da construção do convento, criando entre outras, duas personagens ricamente descritas, que dão vida ao livro e o tornam numa leitura deveras interessante a ponto de fundir romance e realidade numa só dimensão.

Blimunda de Jesus é uma mulher do povo, a quem o Padre Bartolomeu, batiza de “Sete-Luas”; Possui o dom de, em jejum, ver o interior das pessoas e das coisas, o que lhe permite recolher as duas mil “vontades” indispensável para o funcionamento da passarola.

Baltasar Mateus, de alcunha Sete-Sóis foi um soldado da guerra da sucessão de Espanha durante quatro anos; Foi dispensado do exército por ter perdido a mão esquerda em combate.

Blimunda e Baltazar são o casal que, simbolicamente, guardará os segredos dos infelizes, dos humilhados, dos condenados, enfim, dos oprimidos.

 

"Memorial do Convento" recomenda-se para as leituras de Verão, aproveitando as férias. É uma leitura apaixonante para quem gosta de romance histórico.