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Abrigo das letras

Um blogue para interagir com as pessoas partilhando imagens, ideias e pensamentos!!

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Raízes

Maria, 23.03.22

Na quietude dos dias em que os minutos se tornam horas contrastando com o tempo em que as horas se traduziam a minutos, chega-me disfarçadamente o som das pingas em tom crescente despertando a minha curiosidade de "felina". As pingas se transformam numa chuva tranquila que ao entrar em contacto com o solo, este a engole rapidamente sôfrego que está do aconchego macio e húmido que a chuva lhe proporciona.

As ervinhas, pequenos e frágeis fios verdes que despontam com uma ou duas folhinhas, cada uma feliz lutando por marcar o seu lugar no universo da sua natureza, não supondo sequer que daí a dias uma cruel ferramenta viria revolver  a terra, expondo as suas minúsculas e indefesas raízes, qual guerra que tudo vira do avesso.

Num período de acalmia, algumas raízes se agarram de novo à terra, vingam as mais fortes e vigorosas, até chegar outra ferramenta mais poderosa que as volta a derrubar, ainda assim, as mais fortes, resilientes, lutam na esperança de que ninguém se lembre de algum produto químico poderoso e perigoso que embora proibido seja utilizado para exterminar as ervas por muitos consideradas como daninhas! 

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Fui ver o rio

Maria, 13.02.22

Olho o leito do rio com desalento, um fio, apenas um fio de água ainda se aguenta a percorrer o caminho, mais à frente esse fio vai ser travado, as hortas que estão nas margens alimentam-se dessa água que o rio trás. Ergo os meus olhos ao céu, detecto algumas nuvens, as previsões dizem que vai cair alguma chuva, tenho as minhas dúvidas.... 

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A terra abre-se em frestas com a secura e, em um local ou outro assiste-se com algum espanto à resiliência da flora, como pode uma planta tão frágil germinar e desenvolver-se num local tão árido.

A seca que nos atinge é uma forma de a natureza colocar à prova a resiliência humana, ou uma forma de nos avisar de que devemos ter mais respeito pelo meio que nos acolhe, pelo ambiente que queremos deixar aos nossos filhos e netos, às gerações futuras.

O rio quase não corre, está ali enfraquecido, desalentado, cheio de lixo seco.

Lanço um grito calado em todo o comprimento do rio, em solidariedade, também eu e o ar que respiro clamam pela chuva.

Ela virá, porque  em cada um de nós existe a Fé e a Esperança!

 

 

 

Desafio de escrita do Triptofano #Esperança

Maria, 11.02.22

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Não sei como cheguei aqui, quero andar mas sinto-me pregado ao chão, há correntes dentro de mim que me tolhem o discernimento, quero ver o sol jorrar dessa janela mas há tantas grades pregadas que não consigo nem ver um raio de sol, tanta negrura, tanta negrura é só o que vejo, rabisco a parede na tentativa de sentir que ainda estou vivo, mas uma teia me envolve e me aperta, não me consigo mexer, há fios, muitos fios que me puxam e puxam para baixo, as minhas forças são poucas, o chão foge-me debaixo dos pés e num esforço superior às minhas forças num único momento consigo me agarrar aquele feixe de luz que por milagre emanou da janela! Esperança!

Texto escrito para o Desafio de Escrita do Triptofano

 

Tragédia no mediterrãneo

Maria, 19.04.15

Tantas vidas, tantas esperanças e sonhos desvanecidos nas águas profundas do mediterrâneo. A última oportunidade que havia para fugir de uma guerra acabou na pior forma para cerca de 700 pessoas que hoje tentavam chegar à Europa. Estas noticias estão a ser uma constante nos meios de comunicação. Pessoas que não tiveram a mesma sorte que nós que vivemos neste cantinho escolhido por Deus, lutam todos os dias para sobreviver e arriscam as vidas para procurar um lugar no mundo que lhes permita terem alguma paz... é doloroso ouvir com tanta frequência noticias destas, não se trata de filmes de ficção mas sim da realidade da vida de gente que como nós, só querem viver com a dignidade que lhes é devida por direito...

Os Desafios da Abelha

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