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Abrigo das letras

Abrigo das letras

A agenda em papel

Estou a olhar para a minha agenda em papel, tem uma capa colorida cheia de bonecos, parece um caderno da escola primária. Os compromissos são sempre muitos e existe em mim a necessidade de ter uma agenda em papel. Hoje em dia a maioria das pessoas só usa a agenda do telemóvel, por ser mais prática e estar sempre à mão. Olho a minha agenda, folheio a minha agenda e para mim, a agenda mais prática é em papel.

Gosto de sentir o bico do lápis ou caneta a escrever as tarefas e os lembretes, ao anotar as coisas em manuscrito, fixo-as melhor, não me perco tanto.

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 É verdade que não preciso de anotar os dias que vou escrever postes, porque esta actividade (porque isto é uma atividade que, ninguém tem dúvidas que, entre escrever, ler e comentar nos ocupa uma boa fatia de tempo). Como ia dizendo esta atividade não é uma obrigação, nem uma coisa que tem que ser feita. Para mim a criação deste blog e mantê-lo activo é apenas um passatempo, um sítio onde me dá algum prazer partilhar peripécias e reflexões que vão surgindo no dia a dia. Com a visita, a leitura e comentários que diariamente faço aos outros  blogues que povoam a blogsfera, distraio-me com uns, divirto-me com outros e enriqueço ainda com outros. Os temas e conteúdos são tão diversos quanto diversa é a individualidade de cada um de nós. As palavras brotam do interior de cada um como a água que corre num rio.

 

Este é um mundo onde cada um pode escrever aquilo que quizer.

 

Dantes, quando ia para qualquer sitio, levava sempre uma revista ou um livro para ler nos pequenos tempos livres que ocasionalmente surgiam, agora, o telemóvel tem isso tudo. Revista, livro, correio e toda uma panóplia de coisas para ler que nunca se esgota. Tem também a agenda, onde tudo se pode anotar com lembretes sonoros para não te esqueceres e despertador para te lembrar que é hora de levantar da cama e começar a executar as tarefas que estão agendadas na tua agenda com capa colorida com bonecos que parece um caderno da escola primária.

 

O sapinho e o bichinho da escrita

O gosto pela leitura e pela escrita começa muito cedo, ainda quando somos crianças pequeninas. Quando ainda era adolescente, mostrei a minha vontade de continuar estudos, tal não me foi permitido, assunto que me ficou sempre "atravessado na garganta". Lia sempre que podia, mas o mesmo já não se podia dizer com a escrita, às vezes começava um diário que passado pouco tempo abandonava e rasgava as páginas escritas. A minha escrita resumia-se apenas à correspondência que trocava com amigos e amigas, mais nada escrevia. Até isso acabou.

 

Muito anos depois, inscrevi-me num ensino de adultos e, foi-me pedido que escrevesse um texto, podia ser sobre mim. Com uma folha de papel branco à frente e um lápis ou caneta, não me lembro bem, olhei e pensei - o que vou escrever aqui e como vou escrever. Escrever alguma coisa sobre mim poderia ser fácil, tinha é que ser coerente e ter pontuação acertada para que os outros percebessem que era uma coisa e não outra que ali estava escrito. Mesmo assim, não poderia escrever coisas que só a mim pertenciam. Escrevi o texto, não me lembro o que lá escrevi.

 

O que importava realmente para eles, era verificar em que grau de escrita me enquadrava e não aquilo que eu era ou deixava de ser. Mas, nós a escrever alguma coisa sobre nós mesmas, queremos sempre deixar boa impressão a quem vai ler

 

Ingressei no ensino de adultos e, foi-me pedido que escrevesse muito, mesmo muito. Escrevi e ilustrei centenas de páginas em computador. Depois daquele ensino concluído o bichinho da escrita ficou entranhado. Um dia descobri o sapo blogs, comecei a interessar-me pela plataforma, que poderia ser um modo de pôr o bichinho a mexer. Já lá vão quatro anos que, umas vezes com mais, outras vezes com menos frequência aqui venho deixar as minha impressões e não deixar que o bichinho da escrita morra!

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Escrever, é enfeitar a vida

Nã resisti a partilhar ese texto (lindo)

 

"Escrever, é enfeitar a vida

Escrever, é como voar sem asas! É guardar folhas verdes para que mudem de cor, de tom. É juntar letras e laçar palavras, passar mel e colar em Almas! Escrever, é enfeitar a vida, é dar forma no sentir, é apalpar as emoções, tactear as lágrimas, sentir o riso! Escrever, é soltar balões, é deitar-se no chão, perfumar-se de estrelas, enfeitar-se de Lua, colorir-se com raios de Sol! Escrever, é parir sem dor, é cura pela palavra, é medicina de Alma! Escrever, é sair da caverna, é abrir o peito, é tirar o véu, é saber-se Céu, é esvaziar-se do nada, é preencher-se de Infinito!"

(Rose Ponce)