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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Espanto

A piscina estava ali, as meninas treinavam dentro de água e ela, a Clotilde assistia ou esperava no carro. Saturada de fazer de taxista, começava a germinar dentro dela a ideia de:  - por que raio não vou também para dentro da piscina!

Havia coisas que ela pensava que só se destinavam aos outros, esquecia-se porém de que fazia parte dessa fatia "os outros".

Clotilde era uma mulher jovem, mas tinha assumido o estatuto de velha naquele dia da reviravolta da sua vida. Nada mais a interessava. Só tinha um objectivo, e esse objectivo estava a nadar na piscina.

Também pensava que nunca conseguiria se manter à tona da água, não sabia nadar e tinha medo de meter a cabeça debaixo de água e por isso nunca conseguiria aprender a nadar mas estava ciosa de aprender.

Um dia incentivada por uma amiga resolveu inscrever-se, pelo menos não estaria a fazer de espectadora enquanto esperava pelas meninas.

Um dia após outro ia fazendo umas melhorias até que para seu espanto percebeu que conseguia manter-se à tona sem a ajuda da prancha e dar umas braçadas.

Quando consegue fazer 25 metros o seu ego subiu duzentos por cento e, partir daí aprendeu outras práticas de natação e percebeu que o estatuto de velha que tinha automaticamente assumido estava a impedi-la de viver. Afinal, era uma mulher nova e tinha tantas coisas para aprender e para viver. Percebeu que tinha simplesmente de se abrir para o mundo!

Texto escrito no âmbito de Os desafios da Abelha

Conto#O sonho de Ofélia

Aquela rapariga de olhos claros, quase verdes, era meio estouvada, tinha sonhos muito altos, inatingíveis. De estatura esbelta, pele clara e cabelos castanhos claro a puxar para o louro, vestia à moda e sabia que dava nas vistas, mas na cabeça não tinha nada.

Sonhava de olhos abertos, perdida nos seus devaneios, sentava-se nos bancos daquele jardim e imaginava-se uma princesa, outras vezes uma rainha.

Tinha visto à alguns anos a série na televisão "Madre Paula" a amante de D. João V, aquilo não lhe saía da cabeça e viu-se a si mesma ser a princesa vinda de Áustria que casou com o rei, imaginou-se uma princesa que vestia aqueles vestidos com armação para tornar as ancas arredondadas, confeccionados com as melhores sedas e brocados e adornados com pérolas e lantejoulas e na cabeça usava toucados tanto na moda naquela época.

No seu sonho de olhos abertos ou devaneio passeava nos jardins do palácio ao lado do príncipe João, um homem alto e bonito de boas falas, que lhe sussurrava palavras de amor e a beijava como ninguém, apreciavam  as variadas espécies de flores de cores vivas e alegres, que compunham os canteiros, vindas dos lugares mais exóticos; passaram pelas bicas e fontes que abundavam no jardim, construídas em pedra mármore, e por uma horta com canteiros de plantas medicinais e ervas aromáticas de todas as qualidades  que os frades utilizavam para criar os seus medicamentos e temperar as comidas. No meio do jardim estava um grande lago também construído da mesma pedra das fontes, com um repuxo de água ao centro, que se elevava a alguns metros de altura, conferindo-lhe assim uma beleza especial e um ponto atractivo para quem por ali passeia. Também no lago nadavam peixes de várias espécies, nenúfares com belas cores embelezavam toda a superfície da água. Uma nora gigante oferecia ao jardim uma beleza extraordinária assim como os viveiros de pássaros de belas espécies e cores .

Quando se afastavam dos canteiros das flores, lagos e hortas, entravam no labirinto do bosque, caminhos entre-cruzados de terra batida ladeados de grandes árvores belas e frondosas serpenteavam por todo o bosque, desembocando todos em cruzamentos onde sempre estava colocada uma estátua esculpida em pedra mármore. Estas estátuas servem para dar orientação aos passeantes. Por todo o bosque estão colocados bancos de madeira e os enamorados do sonho de Ofélia   aqui e ali se sentavam e namoravam.

Olá Ofélia, por aqui! alguém reparou nela.

Meio atrapalhada, porque naquele momento Ofélia estava noutro mundo, o mundo do sonho e da fantasia, Ofélia gaguejou ao responder, como se naquele exacto momento tivesse acordado de um longo sono.

Oh, oh, olá, estás bem?

- Que fazes por aqui? passeias claro! aqui ou se passeia ou se namora!

- Sim, mas olha como não tenho namorada, e vejo que também estás sozinha, não queres por acaso dar um passeio por aqui comigo?

- sim , claro, vamos.

Ofélia levantou-se, agora já bem acordada dos seus devaneios, e foram caminhando e comentando como agradável, bonito e mágico era aquele espaço. O resto da tarde passou-a na companhia daquele antigo colega de escola!

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A quem possa interessar este lindo jardim aqui descrito!

É o Jardim do Cerco, fronteiriço ao Palácio Nacional de Mafra!

Texto no âmbito do desafio "Sonhamos ir por aí"

Neste desafio participo eu, a Oh da guarda peixe frito, a Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Fátima Bento, a Imsilva, a Luísa De Sousa,  o José da Xâ,  a Rute Justino, a Ana DCristina Aveiro , a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, e a bii yue e quem mais quiser.