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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Desafio de escrita dos pássaros#Vou ali e já venho

Era sempre a mesma coisa, quando se aborrecia e simplesmente queria ficar sozinha, inventava uma desculpa qualquer esfarrapada sem sentido nenhum para se escapulir, e desaparecia durante horas.

Já todos conheciam aquela manha, mas ainda ninguém tinha realmente percebido a causa daqueles aborrecimentos ou momentos de melancolia que a assaltavam assim do nada, nem mesmo ela conseguia perceber o porquê daqueles episódios surgidos de nenhures.

Assim, naquele dia, era um dia de convívio, a tenda armada no grande pátio da casa, uma grande mesa onde nada faltava, desde as sardinhas assadas, saladas, febras grelhadas, cervejas,  sumos de fruta, doces, frutas, café e digestivos, pessoas com roupas descontraídas e coloridas, cadeiras por todos os lados, balões a saltitar, jogos e conversas animadas, o sol estava um tudo nada encoberto, mas  a temperatura era ideal, tudo estava preparado e pensado no seu melhor para ser uma tarde esplêndida com boa comida e bebida e em boa companhia!

Já a meio da tarde, sem mais nem menos ela diz a alguém " vou ali e já venho", mas o "ali" afinal era longe, porque ela não voltou mais.

Era certamente mais um daqueles "eclipses" que a invadiam que ninguém conseguia perceber!

"Vou ali e já venho", não são raras as vezes que eu utilizo esta forma aqui no blog, também o meu "ali" por vezes é bastante longe, as pausas surgem assim do nada!

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Desafio de escrita dos Pássaros#Mais oito!

Tudo prometia um dia em cheio, os pormenores estavam alinhados, o espaço estava escolhido, a tenda estava montada, o peixe e todos os ingredientes necessários para a caldeirada estavam comprados, as pessoas estavam convidadas... era já a tradição, no "dia da espiga"  juntarmos-nos todos e montarmos o arraial naquele lugar junto ao rio perto da foz para passar um dia  a conviver, a comer, ouvir música e beber uns copos. O tacho da caldeirada estava pronto, o aroma que saía do tacho mais os aromas vindos das outras tendas e o cheiro do campo misturado com o cheiro do rio e do mar ali tão perto, abriam um apetite devorador!

O tacho no meio da mesa e os convivas à volta a servirem-se e a divertirem-se, nisto, aparece um grupo à entrada da tenda e perguntam: "há comer para mais um?" todos olhamos para a porta e realmente vimos, não uma pessoa mas um grupo com "Mais oito!" pessoas, ficamos de boca aberta sem saber se havíamos de continuar a comer ou parar porque, para mais um há sempre, mas, "para mais oito!?".

Tudo bem repartidinho, e porque nestes convívios se faz sempre comida com fartura, os "mais oito" juntaram-se à festa, houve comida, bebida, divertimento e festa para todos, e foi um dia em cheio como era suposto ser habitual nestes convívios!

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Desafio de escrita dos pássaros#Cantas bem, mas não m’encantas!

Lembras-te amor, daqueles dias soalheiros que passávamos debaixo das palmeiras, sussurrando palavras doces e jurando amor eterno? tinhas um jeito especial para cantar e sussurravas aos meus ouvidos melodias de encantar;  no meu traço de menina, enternecida pelo teu jeito carinhoso, embebida no teu canto misturado com o canto das aves mais o sussurro da folhagem das árvores e o farfalhar da água correndo no riacho.... lembras-te amor dos momentos que vivemos dentro daquele cenário natural e inebriante que era só nosso, onde tu cantavas para mim e tornavas a cantar e eu cheia de amor por ti dizia-te a brincar; "cantas bem, mas não m'encantas", olhavas para mim e perguntavas; não gostas? e eu respondo; ADORO, e juntos rolávamos na erva que crescia, éramos jovens e tão felizes!

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Desafio dos pássaros - Atualizem-me, por favor!

O sol já se põe no horizonte, a noite não tarda em cair e daqui a nada estão aí as notícias das oito; os números, sempre os números, chegam de todas as partes do mundo, o cenário sempre igual e aterrador; somos personagens dum filme de ficção (pessoalmente não aprecio filmes de ficção) e agora vejo me envolvida na rodagem do mais aterrador filme não imaginado. Um filme rodado fora de salas de estúdio, fora de cenários criados ou locais escolhidos. Um filme onde as personagens andam de máscaras, onde as mesmas personagens se obrigam a manter distanciamentos e a ocultar a manisfestaçao de afetos. 

Ando a ver muitos filmes e até já sonho com eles, já não distingo a ficção da realidade! Preciso com urgênia que algúem  "me atualize por favor"!

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Desafio de escrita dos pássaros - Não tenho Tempo para te aturar

Era noite, a hora já ia adiantada, mas o sono não vinha, preocupada, deitada na cama estava, e ouvia o vento desvairado lá fora querendo arrancar tudo dos seus lugares, os estores dançavam dentro dos caixilhos, os assobios eram vivos com a garra de alguém em fúria, a sua força inatingível soprava querendo levar tudo para longe dos seus lugares,  neste vaivém acompanhava-o a chuva a bater nos estores, uma sinfonia até agradável de ouvir quando estamos entre lençóis. Ao som desta música os meus pensamentos deslizam para o assunto da actualidade e dou por mim a rezar, a pedir a Deus que tenha misericórdia do mundo, que alivie o seu povo deste mal tão grande que se abateu sobre a humanidade! E nas minhas preces encontro uma vontade enorme de esquecer certas palavras ditas algures noutro tempo, antes deste tempo, palavras essas: "não tenho tempo para te aturar" palavras ditas a pessoas que agora tenho todo o tempo do mundo para escutar, pessoas que agora estão longe de mim que provavelmente já me esqueceram! Porque vivíamos num mundo de pressas, num mundo de individualismo, de consumismo, e para quê? Agora nos damos conta da inutilidade de tantos dos nossos comportamentos, de tantas palavras ditas sem sentido! Este é um tempo que nos convida à reflexão da nossa existência, o quê e porquê andarmos aqui? temos uma missão a cumprir, não andamos neste mundo apenas por andar.

"Não tenho tempo para te aturar" merece a pena reflectir bem nestas palavras! Pode mudar a nossa forma de lidar com os outros, pode mudar a nossa vida!

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Desafio de escrita dos pássaros - Tive uma ideia

Tive um ideia

Será que tive alguma ideia que outros não tenham tido já? Penso que não!

Numa altura em que o mundo vive uma grande guerra contra um inimigo invisível que obriga a um recolhimento social para o qual ninguém estava preparado, ideias não faltam por aí para ocupar o tempo (esse bem que não chegava para tudo o que se pretendia, parecia um bem escasso, e agora sobra e sobra), todos têem ideias, umas mais úteis que outras, mas não deixam de ser ideias. Deste modo, e como o fator tempo tem que ser preenchido de alguma forma, a minha ideia recaiu para o bocadito de terra que faz parte do meu quintal, dedicar-me a criar uma pequena hortinha onde possa colher um pouco de tudo o que gosto de consumir e repartir, assim, alguém me preparou o terreno com uma máquina de modo a que este ficasse fofo e fácil de trabalhar. Depois foi dar largas à imaginação e fazer o plano de onde colocar o quê, resultado, plantei morangos, couves, alfaces, tomateiros, pimenteiros, beringela, courgete e cebola, ainda semeei coentros e cenouras. Agora dedico-me a regar e arrancar ervas daninhas. Todos os dias observo o seu crescimento e posso dizer que me dá uma alegria redobrada ver o crescimento da vida numa altura tão conturbada como esta!

A foto que ilustra este texto não é a minha mini horta mas sim de outras hortas que vou observando por aí e me dão ideias para a minha!

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Desafio de escrita dos pássaros - Foi tão bom não foi!

Vivia-se uma época em que os pais tinham muitas crianças, mais um filho era uma bênção de Deus, por isso na nossa casa éramos muitos irmãos e irmãs, não tínhamos televisão, telemóvel, muito menos Internet, e livros, poucos. O que eram essas coisas? longe de nós imaginar sequer que um dia viríamos a ter isso tudo e que tudo isso iria mudar a vida de todos e todas as formas de vida até aí vividas, como da noite para o dia. Éramos felizes com o pouco que tínhamos, tão felizes como o desafio dos pássaros  quando eles cantam em harmonia uns com os outros. Brincávamos na rua sem qualquer problema, tomávamos conta uns dos outros e ao anoitecer, enquanto a nossa mãe fazia o jantar, nós, as crianças, sentadas no quarto ou na sala fazíamos uma roda e inventávamos as nossas histórias que contávamos para todos. Assim, passavam horas sem darmos por isso inebriados nas aventuras da nossa imaginação e após o jantar íamos dormir tranquilos uns com os outros. 

Ainda hoje, quando falamos da nossa infância, eu e os meus irmãos relembramos sempre essas histórias, às quais demos um nome tão esquisito que nunca mais o esquecemos, lembramos com saudade esse tempo, sentindo a nostalgia própria dessas memórias, de uma felicidade que o tempo não deixou esquecer, levando-nos por vezes a comentar entre nós "foi tão bom não foi!"