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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Desafio Caixa lápis de cor#7# As obras da Celeste

 E já vamos na sétima edição do desafio lançado pela Fátima Bento , hoje temos como ponto de partida a cor "azul céu"!

O Joaquim e a Celeste andavam  já a algum tempo a fazer obras na casa, aquilo estava demorar mais tempo que o previsto, mais uma coisa aqui, mais uma coisa ali e as obras não havia meio de terminar, a Celeste andava farta daquilo, do pó, da sujidade, da desarrumação, do Joaquim andar dentro e fora, enfim de todos os transtornos que as obras dentro de casa acarretam.

Chegou finalmente o dia em que as obras terminaram, a salinha de refeiçoes ficou mesmo ao jeito que eles queriam, a janela que foi aberta dava para uma vista desafogada e deixava entrar muita luz, chegou portanto a hora da limpeza e de compôr a casa, a Celeste queria terminar logo essa tarefa e apreciar a sua salinha, mas faltava uma coisa e sem ela a salinha não estava completa por isso disse para o Joaquim - vou ali à loja das cortinas  comprar uma cortina para esta janela, e saiu.

Algum tempo depois regressa com uma cortina de cor "azul céu", o Joaquim já tinha colocado o varão e, só restava colocar a cortina!

Agora sim, tudo estava perfeito. A janela ficou bonita, a cor suave dava suavidade e conforto à divisão, estavam satisfeitos.

Sentaram-se os dois em frente da janela a apreciar a vista para o mar e, olhando para a cortina nova, pensativo, o Joaquim exclama: Celeste sabes o que me faz lembrar esta cortina? 

- Não Joaquim, o quê?

- O teu nome querida! Isto é azul céu e tu és Celeste, já pensaste o que significa o teu nome?

- Hó Joaquim, és tão querido, como foste te lembrar de uma comparação tão linda!

A Celeste nunca tinha pensado naquilo, a lufa lufa do dia a dia, sempre com tanta coisa para pensar ia lá ligar aos significados dos nomes, isso era coisa de quem não tinha mais nada para fazer, mas ficou a pensar naquilo e tinha que ir aprofundar o significado do seu nome. 

A Celeste e o Joaquim nada percebiam de internet nem do "Dr. Goggle" que ensina tudo, por isso pediu à filha que era uma "exepert" na matéria que fosse pesquisar o significado do seu nome!

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    Fátima Bento   Concha, A 3ª FaceMaria AraújoPeixe FritoImsilvaLuísa De SousaMaria, Ana D., CéliaCharneca Em FlorGorduchita, Miss LollipopAna Mestre, Ana de DeusCristina Aveirobii yue e José da Xã

Desafio Caixa lápis de cor#6#Caderno de memórias

Caderno das memórias!

Inspirada na proposta da Fátima Bento. ..para o desafio "Caixa lápis de cor", esta semana a cor laranja é a favorita... nem de propósito, a capa do caderno onde uma menina guarda memórias é cor de laranja. Hoje vou falar de uma dessas memórias!

Numa época em que não havia tecnologia, as raparigas e rapazes adolescentes tinham o seu modo de se comunicar e arranjar novos amigos (facebook da época). Havia revistas com anúncios de jovens a pedir correspondência com outros mais ou menos da sua idade, colocavam o seu nome e morada nesses anúncios. Outra forma era com postais, uma pessoa enviava postais para cinco pessoas  com cinco nomes e pedia a essas cinco pessoas que fizessem o mesmo, criando assim uma rede de diversos contactos. Foi desta forma que a menina autora do caderno com capa cor de laranja começou a receber cartas, muitas cartas, quase todos os dias da semana, ela adorava escrever e receber cartas.

Arranjou amizades que duram até aos dias de hoje e agora comunicam  por meio das novas tecnologias através das redes sociais. No entanto, existe no caderno das memórias uma dessas amizades que se perdeu há muitos anos, era uma grande amizade e com as circunstâncias da vida perdeu-se no tempo, mas existem as cartas... que não deixam esquecer e, de tempos a tempos surge uma vontade muito grande de procurar essa pessoa, saber como foi a vida dela e como está hoje, onde vive, como vive, mesmo que tenham passados longos anos. (recordo aqui o programa "ponto de encontro " que passou na TV há largos anos, e que gostava de ver.

Agora a mulher que lê as cartas volta ser aquela menina, volta a ouvir o apito da bicicleta do carteiro, volta a ver aquele saco grande de cabedal onde ele transportava as cartas, volta sentir-se encantada e feliz a ler todas aquelas palavras que os seus amigos e amigas correspondentes escreviam, alguns com uma letra tão bonita e bem desenhada que dava gosto de ler e reler. Levava horas a responder e também ela tinha o cuidado de escrever bem e sem erros ortográficos. 

Escreviam cartas de todas as cores que havia, verde, amarelo, rosa, azul etc...Depois, tinham uma forma muito elaborada e carinhosa de dobrar.  Tudo era feito com a máxima perfeição, havia orgulho nisso e havia também o cuidado de guardar, por isso, algumas dessas cartas ainda se encontram dentro do caderno com a capa cor de laranja já desbotada pelo tempo! Porque o tempo correu.....sem esperar por quem ia ficando para trás... nem espera.... quando estiveres a ler estas palavras, sabes que o momento em que foram escritas já é passado...!

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(imagem tirada da net)

Neste desafio participo eu,Fátima Bento Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Peixe Frito, a Imsilva, a Luísa De Sousa,  a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, a Cristina Aveiro, e a bii yue

"Todas as quartas feiras e durante 12 semanas publicaremos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio. Acompanha-nos nos blogues de cada uma, ou através da tag "Desafio Caixa de lápis de Cor".

 

Desafio Caixa lápis de cor#5# Azul cobalto

Uma cor intemporal "Azul cobalto"! a cor mais adorada pelos pintores e resultante nas obras de arte mais apreciadas. Podemos vê-la entre outros sítios, nas barras das casas mais antigas e também nas recuperadas, em fontes, muros etc. O nosso desafio desta semana proposto pela Fátima Bento. ..

Do outro lado do vale situa-se a aldeia onde a minha mãe nasceu, numa pequena casa de dois quartos, uma sala e uma cozinha. Havia em anexo à casa, a casa dos animais, o palheiro, a adega e mais uns telheiros que serviam para resguardar tudo e mais alguma coisa, pois nada era desperdício, e um pátio sem muro nem portão. A casa onde a minha mãe nasceu assim como os seus muitos irmãos e irmãs, era caiada de branco e tinha aquelas tão características barras de cor azul, sei agora que esse tom de cor é azul cobalto, pois a minha mãe sempre conheceu a cor como sendo simplesmente azul, o azul da barra.

Eu nasci do lado de cá do vale, na casa da minha mãe, sim, na casa da minha mãe, não havia cá maternidades para ninguém, assim como todos os meus irmãos e irmãs; também a casa da minha mãe sendo um pouco maior que a da minha avó, ambas foram palcos de familias numerosas, também era caiada de branco com as barras azuis. Do lado de cá do vale, para ir à casa da minha avó, eu percorria um trilho de pedras e lama, muito irregular, e atravessava um rio para ir até lá. No inverno com as grandes chuvadas o rio adquiria um caudal imenso de água misturada com a terra das enchurradas, ficava um curso de água  acastanhado e espeço, havia uma ponte artesanal de madeira um bocado para o mal amanhado que, se eu queria passar para o lado de lá tinha que a transpor, e ver aquela mistura lamacenta abaixo de mim, eu era ainda uma menina e fazia a travessia com algum receio. No verão o caudal era límpido e minimo, não oferecia qualquer receio e até convidava a chapinhar nele, muitas vezes fiz isso, tirava os sapatos e atravessava o leito do rio descalça, bons e maus tempos!

Quando era pequena, achava que a casa da minha avó ficava muito distante da casa da minha mãe. Afinal a distãncia com o tempo encurtou.

Hoje, vou até à aldeia onde a minha mãe nasceu, ainda lá está a casa da minha avó, recuperada e ligeiramente ampliada mas, ja vagamente a reconheço como tal, os anexos foram recuperados como habitação e, outras construções embora modestas surgiram em seu redor, agora existe muro e portões. Percorro a aldeia com satisfação porque vejo, assim como a casa da minha avó foi conservada e mantida na sua construção inicial pelos meus primos, as outras casas tiveram o mesmo destino e, me dá consolo ver as casas recuperadas e pintadas de azul, mantendo as mesmas traças de antigamente de uma lado e do outro da estreita estrada, agora asfaltada, antes era apenas terra batida, calcada pelos passos das pessoas e dos cascos dos burros, o seu meio de transporte.

As casas são na sua maioria, pequenas, de um só piso, os pátios são pequenos com muros e portões igualmente baixos, tudo é pintado de branco e azul cobalto, criando uma harmonia fresca e singela entre o verde da natureza que envolve a aldeia! 

Ainda lá está o fontanário onde as pessoas iam buscar a água com os cantaros de barro para todos os usos e onde os animais iam beber. (não é este que está na foto mas é um parecido)!

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Neste desafio participo eu, Fátima Bento Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Peixe Frito, a Imsilva, a Luísa De Sousa,  a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop e a Ana Mestre.

"Todas as quartas feiras e durante 12 semanas publicaremos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio. Acompanha-nos nos blogues de cada uma, ou através da tag "Desafio Caixa de lápis de Cor".

(Ou então, junta-te a nós ;)"

Desafio Caixa lápis de cor#4# Verde escuro

No verde escuro das ramagens dos pinheiros vi com espanto os ninhos brancos da lagarta do pinheiro! Este é o tema de hoje para o desafio, "caixa lápis de cor" lançado pela Fátima Bento, no seu blog porqueeuposso.

A Maria levantou-se muito cedo nessa madrugada, tinha que entrar num autocarro a uns quilómetros da sua casa. Andava desmotivada com a vida e pensou que uma boa maneira de dar volta àquilo era viajar em conjunto com um grupo, uma oportunidade para conhecer pessoas novas. Pensou e inscreveu-se. O passeio era para o norte de Portugal e a Maria estava mais para sul. Tinha que se levantar muito cedo, não sabia quem ia ser a sua companheira de viajem e de quarto.

Quando entrou no autocarro a organizadora indicou-lhe aquele lugar ao lado de uma pessoa que não conhecia de lado nenhum. Paciência, pensou, ou talvez seja melhor assim, terei aqui já uma oportunidade de conhecer alguém.

Cumprimentaram-se e rapidamente estabeleceram conversa, verificaram que tinham muitos pontos em comum e também alguns amigos. A viajem de muitas horas favoreceu o conhecimento entre as duas e  a noite passada no hotel foi agradável, ninguém ressonou.

Em uma determinada altura do passeio ao passarem por uma zona começaram a ver muitos pinheiros contendo no verde escuro dos seus ramos, ninhos brancos feitos de um fio muito fino parecendo seda, a Maria nunca tinha visto aquilo nem sequer ouvido falar. Comentou com a sua companheira de viajem se ela sabia o que era aquilo que tinha aspecto de algodão doce e que estava presente em tantos pinheiros.

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Lagarta  do pinheiro, respondeu ela e passou a descrever os efeitos nocivos que esta lagarta provoca nos pinheiros, levando-os à morte. 

Credo! exclamou a Maria, como pode uma coisa tão linda e parece ser tão frágil, que enfeita os pinheiros como se fossem árvores de natal, ser tão nocivo???? A Maria ficou escandalizada!

A natureza tem cada coisa!!!

O conto da Maria despertou minha curiosidade sobre este problema levou-me a efectuar algumas pesquisas e cheguei aqui.

Estes ninhos brancos feitos por fios sedosos, parecendo algodão doce, são relativamente pequenos e discretos durante o Outono. Depois, vão tomando uma cor acastanhada e o seu peso aumenta devido aos excrementos que se vão acumulando no interior. A lagarta ataca os pinheiros consumindo as agulhas e afectando o seu crescimento.
As lagartas têm um comportamento gregário e alimentam-se nas imediações do ninho, durante os períodos mais frios do dia. A partir do meio do seu ciclo de vida possuem pelos urticantes de elevado potencial alérgico, que lançam quando ameaçadas e que podem causar problemas de saúde pública.
Depois de atingirem o seu grau de desenvolvimento máximo, as lagartas abandonam os ninhos e em procissão (e daí serem denominadas de processionárias) descem das árvores para se enterrarem no chão a uma profundidade de 15 a 20 centímetros, para passarem à fase seguinte e evoluírem para insecto adulto (borboleta) no Verão.

 

Neste desafio participo eu, Fátima Bento Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Peixe Frito, a Imsilva, a Luísa De Sousa,  a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop e a Ana Mestre.

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Desafio Caixa lápis de cor#3# Negro

Avó vem cá!

Estas palavras chegavam-lhe aos ouvidos vindas do lado de fora da porta, mas ela atarefada que estava junto à bancada da cozinha a descascar e a cortar batatas, cebolas, alhos, tomates, que a seguir meteu tudo num tacho por camadas estrategicamente seleccionadas. Estava nem mais nem menos a preparar uma boa caldeirada para o almoço.

- Avó vem cá, anda ver! O menino continuava a chamar, não tirando os olhos do lugar.

- Já vou meu querido!

As palavras chegavam aos seus ouvidos, o assunto parecia carecer de urgência, num ápice limpou as mãos, ligou o fogão e apressou-se a ir atender ao chamado, dirigiu-se à porta e ali estava sentado num degrau da escada de pedra de mármore branco o menino que olhava para cima, impressionado com a cena que observava. 

Avó, vês aquela ave vestida de negro, vês o que ela está a fazer? três bicos rosados saiam de um pequeno buraco daquela minúscula casinha castanha feita de lama e erva seca agarrada ao beiral do telhado, junto a ela, aquela ave vestida de negro alimentava aqueles bicos rosados ávidos de comida. O menino nunca tinha visto coisa igual e estava deslumbrado.

Como se chamam elas e o comem avó?

- chamam-se andorinhas e caçam insectos que comem e também levam para as andorinhas bebés. Elas são aves migratórias que vêm na primavera, fazem os seus ninhos, deitam os ovos  e nascem as andorinhas bebés. Quando as bebés estão já estão crescidas e vestidas de negro, também já sabem voar e o tempo entretanto já está a arrefecer, deixam os ninhos e vão embora à procura de sítios mais quentes. Voltarão na próxima primavera!

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Em cada primavera elas voltam para refazer os ninhos já feitos ou fazer novos. As andorinhas são lindas, animam o espaço à sua volta com o seu canto e a sua silhueta vestida de negro!

As andorinhas, os seus filhotes, os seus ninhos e os seus ovos são uma espécie protegida tanto a nível nacional como a nível europeu. Há quem não ache graça a ter os seus ninhos nos seus beirais, até porque elas fazem muita sujidade, mas eu não me importo, gosto! Espalham alegria com o seu canto e o seu esvoçar!

É bastante alegre ouvi-las cantar logo pela manhã!

Neste desafio participo eu,Fátima Bento Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Peixe Frito, a Imsilva, a Luísa De Sousa,  a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, a Cristina Aveiro, e a bii yue

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