Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Abrigo das letras

Abrigo das letras

Quando algo nos foge

Sem conseguires evitar, algo te escapa entre os dedos e que, no teu coração está amarrado. Tentas soltar essa "coisa" que poderás apelidar de amor ou outro nome que aches mais apropriado, no entanto, embora te esforces, esse fenómeno é mais forte que tu e sem quereres te invade de uma dor estranha que tu não queres. Sim, tu não queres essa dor, ela se torna insuportável, tentas em vão que o teu pensamento voe para outras alturas, outras paragens e, sem mais nem menos estás de novo a pensar no mesmo, é quase um vício... que não consegues evitar!

Dizem os que já viveram mais, que o tempo se encarrega de sarar todas as feridas, dizem, porque já aconteceu com eles e portanto sabem do que falam. 

Por mim, acho que as feridas ficarão saradas mas as cicatrizes profundas ficarão lá para sempre!

entre os dedos.jpg

 

 

Espírito de Natal e o Rudolfo

A manhã estava fria,  a geada cobria as ervas e sentia-se a humidade da madrugada ainda a pairar no ar. Olhei para a rua através das vidraças e vislumbrei um saco vermelho pendurado no portão, intrigada, perguntei-me o que seria aquilo.

Vesti um roupão quentinho e abeirei-me do portão a fim de ver o que continha o saco, lá dentro estava uma cesta em forma de rena (mais tarde o meu menino disse que era o Rudolfo), dentro desta estava um embrulho também feito de papel vermelho brilhante e uma carta, mas a carta não tinha nome, apenas um coração desenhado a caneta. Continuei intrigada sem saber se abria ou não a carta, decidi-me por abrir, afinal esta aldeia é um sitío pacato onde todos se conhecem e se falam, mesmo os estrangeiros que a adotaram como sua e a escolheram para viver.

A coriosidade é sempre um sentimento forte e determinado e por isso não resisti, tinha que abrir aquela carta, tinha que saber quem me estava a enviar aquele presente, percebei de imediato que era um presente de natal de alguém que me queria bem.

Soube de quem era quando cheguei ao fim da carta, não pelos nomes que a assinaram, estes eram estrangeiros e embora já tivesse falado várias vezes com as pessoas, não sabia os seus nomes mas, o lindo conteúdo da carta revelou a sua origem. Não estava de nada à espera de uma surpresa tão gentil e agradável daquelas, fiquei imensamente feliz e deveras agradecida com aquele gesto tão simples e tão bonito.

O conteúdo do embrulho eram doces variados e  frutos secos oferecidos com o coração. Obrigada do coração meus simpáticos vizinhos!

Passados uns dias encontrei-os e perguntei se aquela oferta tinha vindo da parte deles ao que eles responderam afirmativamente, então agradeci-lhes pessoalmente e no dia seguinte lhes ofereci algo do meu quintal. 

 

Rudolfo.jpg

 

Quando vem o sol

É hora de começar a limpar. Limpar as paredes que criaram humidade no tempo chuvoso, limpar as ervinhas que estão a mais no quintal, e limpar as teias de aranha que estão na cabeça, estas são seguramente as mais difícieis de eliminar, mas com um solinho a aquecer e os dias a crescer elas lá se vão desvanecendo. Bem vindo Sol que nos aqueces os corpos e o coração!

20180224_080747.jpg

 

Amor, essa palavra que invade o coração

"Amor, uma palavra tão pequena que se torna tão grande quando o sentimos em nosso coração. Sentimento tão imenso quanto o céu, tão radiante quanto o sol e tão forte quanto o mar. Como disse o poeta: "é fogo que arde sem se ver, ferida que dói e não se sente", sim o amor é uma mistura de emoções e sentimentos que invade nosso coração sem ao menos pedir licença para entrar"!

Boa semana!

REFLEXOES-AMOR.jpg

 

Aquele dia de Abril

Percorro a rua central daquele espaço cercado por um muro alto pintado de branco, dentro desse espaço existem muitos espaços pequenos de fora retangular cobertos por uma pedra de mármore branca, e em alguns casos de pedra preta de granito. Em qualquer dos casos estes espaços têm à cabeceira outra pedra com formatos diferentes. Páro num espaço que tem à cabeceira uma pedra recortada em forma de coração. Olho demoradamente a foto já amarelada pelo o tempo que está embutida no coração. Fecho os olhos e revejo uma vida.

 

A pequena brisa que sopra nos meus cabelos, são as mãos que carinhosamente os afagaram,

 

o sol que me aquece o corpo nesta manhã fria de Abril, é o corpo que me aqueceu nas noites frias de Inverno,

 

o sopro do vento que uma rajada deitou, é a voz que cautelosamente me sacudiu para a vida e,

 

os pingos de chuva que começam a cair são as lágrimas que correram pela minha face naquele dia de Abril.

arvores.jpg

 

 

 

Se fosse eu

O que colocava eu, numa mochila se tivesse que fugir da guerra e pedir refúgio noutro país? Não podia levar uma mochila muito grande porque não teria força para a carregar, então levaria: Umas calças de ganga, duas camisolas finas ou grossas conforme o tempo, um casaco de malha, alguma, pouca roupa interior, uma toalha de rosto e outra mais pequena, alguns produtos básicos de higiene, bolachas, uma garrafa de água, telemóvel e carregador, óculos de ver ao perto, um boné, dinheiro e cadernos mais esferográfica para escrever acontecimentos, sentimentos, alegrias e tristezas. Seria mais ou menos isto, porque se sobrasse algum espaço ainda meteria mais qualquer coisa, se faltasse teria que tirar. 

 

Isto seria o que levaria na mochila porque, no coração levaria a minha família e amigos, a minha casa, o meu país, muita saudade que começaria a sentir mesmo ainda de ter partido e um medo atroz do mar, da viajem, da entrada noutros países e, se conseguisse chegar a um país de acolhimento o meu medo diminuiria, ainda assim teria medo da minha adptação ao país, às pessoas.

 

Levaria também muita esperança, esperança de conseguir um futuro melhor e tranquilo, esperança de ser bem acolhida, esperança de um dia voltar ao meu país quando acabasse a guerra.

 

Levaria sem dúvida, medo e esperança que não caberia em nenhuma mochila!

mochileiro.jpg

 

Pedido de desculpas

Porque teria Mariana assumido aquele comportamento tão descontrolado? Dizia coisas despropositadas para tarefa que estava a executar, ia ofendendo a colega com palavras e atitudes sem nenhuma razão de ser, ia-a ofendendo profundamente. 

 

Sónia nem estava a acreditar naquilo que estava a presenciar e do qual estava a ser alvo, Mariana parecia um furacão enfurecido que quer arrastar tudo o que lhe aparece pela frente, estava a magoá-la muito com aquela forma ofensiva, brusca nas atitudes e desdenhosa nas palavras. Preferiu calar-se para não acender ainda mais a ira que lia naqueles olhos verdes que transfiguravam o rosto desgastado que se encontrava na sua frente. Ainda tentou tranquiliza-la com algumas palavras, ainda tentou compreender porque estava a colega a agir daquela maneira. Tudo em vão, cada vez a ira subia mais de tom naquele rosto encrespado. Calou-se. Era a melhor atitude a tomar naquele momento. Nada do que dissesse serviria de alguma coisa, por outro lado, qualquer palavra que proferisse, era apenas mais uma acha na fogueira incendiada, por isso se calou.

 

Naquele dia e nos dias seguintes, Sónia não mais falou nem olhou de frente a sua colega de trabalho, não a conseguia encarar, não tinha nada para lhe dizer nem queria ter, tinha sido muito maltratada injustamente. O ambiente de trabalho tornou-se constrangedor.

 

Um dia Sónia e Mariana cruzaram acidentalmente numa grande superfície comercial, ficaram de cara a cara, com a surpresa estampada nos rostos, Mariana foi a primeira a quebrar o espanto, começou a falar como se não tivesse acontecido nada, beijou-a e pediu-lhe desculpa, Sónia estava surpreendida e perplexa com esta reação, não estava disposta a desculpar, não queria reatar nada, ficou sem saber o que dizer, porém, algumas palavras iam saindo da sua boca como que para quebrar o gelo. No entanto, com a insistência de pedido de desculpas, acabou por dizer forçadamente "estás desculpada", a sua boca deixou sair estas palavras mas o seu coração machucado não as disse. Sónia era pessoa de reservas, não desculpava facilmente certas ofensas. Embora tenha proferido a palavra desculpa, não desculpou e continuou a não encarar a colega nem a dirigir palavra. Sónia iria amadurecer este incidente nos dias que se seguiriam. Dizem que o tempo cura tudo, será?

Ou será que o tempo ajuda a refletir nos sentimentos e dar espaço para que a questão que parecia ter contornos tão drásticos, afinal não tinha a dimensão inicial. O coração de Sónia andava inquieto! Queria dar mais uma oportunidade a Mariana mesmo sabendo que ela voltaria a agir da mesma maneira assim que surgisse outro descontrolo. Ainda assim, Sónia ia amolecendo no seu comportamento. 

 

Hoje, Sónia vai desculpando lentamente, a quadra festiva que apela à reconciliação e ao perdão vai aquietando o seu coração.

 

Por vezes, Sónia pensa que tem um coração de pedra? Outras vezes descobre que afinal o seu coração é de manteiga.

 

(texto de ficção) por Maria Flor

 

dsc_0205_157054965_large.jpg

(Imagem tirada da net)                                                             

 

 

 

 

 

 

 

 

Tal como o sol

mar e sol 006.JPG

 

Embalada pelo murmúrio das ondas, 

acariciada pelo sol,

bafejada pela aragem leve,

embrenhada em pensamentos

tão longínquos como o horizonte,

levados pelo vento, e trazidos à memoria,

pelo o vasto azul;

uma embarcação, tanto mar e os golfinhos;

as ondas...

lembranças de uma vida, vivida com amor

lembranças, apenas lembranças,

lembranças que o tempo não desfaz,

são lindas demais para se desvanecerem,

tal como o sol aquece o seu corpo,

as lembranças aquecem o seu coração!