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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Abril águas mil

Cais de mansinho, em gotas suaves, melodiosas, deslizas lentamente sobre o pano do guarda chuva e desfazes-te no piso alcatroado em que caminho. Unes-te a milhares de outras gotas e juntas formam uma corrente que segue em direcção ao ribeiro.

Indiferente à chuva que cai sobre as abas do seu chapéu, ela caminha embalada pelo seu som, e atenta aos veículos que passam. Salpicos vão molhando os sapatos, as calças, as mãos e o cabelo, mas isso não importa, ela gosta de caminhar à chuva, gosta do seu som, da sua melodia, gosta dos salpicos e de ver as pingas caírem em cima das outras pingas.

De repente um relâmpago, assusta-se um pouco, mas logo se recompõe e segue-se o trovão, as pingas estão a cair mais fortes até que se tornam numa chuva torrencial e ela ali com chapéu de chuva na mão... avista o canavial... corre a abrigar-se.... é um telheiro roto mas abriga um pouco. Permanece ali enquanto a chuva forte dura e pensa.... está a regar a hortinha, que bom, nada como água da chuva para as plantas, tudo fica mais vivo mais resplandecente e viçoso.

Em pouco tempo forma-se o lençol de água na estrada, os carros passam e levantam a água em saraivadas fortes e brutas.

"Em Abril águas mil"

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A tão esperada chuva

Quase já me esquecia como era ouvir os sons das pingas de água a cair do beiral do telhado e a estatelar-se nas escadas de mármore, a água a correr pelo pátio como um rio. 

Tinha saudades de abrir um chapéu de chuva, de sentir umas pingas a cair no cabelo e molhar os sapatos, tinha também saudades de ouvir uns trovões e ver os relãmpagos, tudo isso aconteceu hoje. Agora, saio à rua e sinto o cheiro da terra molhada, sinto a pureza do ar e sinto a rua lavada dos pós. Não importa se sujo os sapatos na lama, não importa se apanho chuva no cabelo e na roupa, ou se o chapéu de chuva parte uma vareta, não importa nada disso, sinto felicidade por ver a chuva cair!

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