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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Porquê que o sono não chega quando queremos dormir

Houve umas noites que dormi mal ou melhor, quase não dormi. Saturada de estar na cama sem conseguir dormir, sempre a olhar para o relógio, a dar voltas e mais voltas na cama, comecei a contar carneirinhos, digo, não sei quantos rebanhos contei nem quantos carneirinhos tinha cada rebanho, não resultou. Comecei então a rezar pais nossos e ave marias, quase um terço, pensando que adormeceria assim, também não resultou, continuava tão desperta como no princípio. Cansada e enervada das voltas na cama e nas olhadelas para o relógio, por não conseguir dormir mais outra noite... comecei a desenhar este post na minha cabeça, com todos os pontos e vírgulas, parágrafos, traços e tudo o mais que é possível colocar num texto, tudo bem direitinho, tudo bem defenido e bem desenhado, assim pensava eu. Deve ter sido no meio deste desenho que talvez adormecesse, digo que talvez adormecesse porque me lembro das horas que o relógio marcava na úitima vez que olhei.

 

Depois, sem mais nem menos, senti um clik no meu corpo e olhei o relógio, tinham passado tavez, uma três horas, - boa - dormi um bocadinho, pensei e despertei.

 

E tudo voltou ao mesmo até manhã, até à hora que me levantei. Posto isto, dormi apenas umas escassas três horas e tive tantas horas na cama, que desperdício. Socorro, quero e preciso de dormir.

 

Resta apenas dizer que esta pessoa não era eu. A pessoa que assim relatava a sua noite, não estava lá muito bem. Eu apenas vi aqui um tema que podia servir de de mot para o meu post mesmo relatado na primeira pessoa. Eu durmo que nem uma pedra, o que é uma benção. Tenho no entanto muito respeito por quem não consegue dormir. Tudo é mais fácil  e mais leve quando o cérebro descansa em sintonia com o corpo!

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Tremor de terra, continuação

Após ter sentido aquele estremecimento da cama, ficou pensativa por alguns momentos, recuou no tempo e nas memórias, e pela sua mente passaram imagens de outra época em que o estremecimento foi muito maior e que, o seu pai, um homem no auge da idade, cheio de vigor e energia se levantou da cama no meio da escuridão da noite, o candeeiro a petróleo estava apagado e ele, meio atrapalhado, não encontrando a porta, andando às apalpadelas ia chamamdo pelos seus filhos que dormiam tranquilamente em colchões de carapelas, alheios ao barulho ensurdecedor que se fez ouvir. Acordou-os, mandou-os sair da cama e irem para a rua, estava a acontecer algo assustador, era um sismo forte de magnitude 8 na escala de Richter que durou um minuto. As loiças começaram a cair dos armários o chão fugia debaixo dos pés e quando chegaram à rua onde, todos os vizinhos em pânico, de camisas de noite, pijamas e cuecas, já se encontravam a comentar o sucedido. Algumas chaminés cairam, casas sofreram rachas significativas mas na sua aldeia não tem memória que alguém tenha morrido ou sofrido ferimentos. O receio de voltar á cama era muito, não fosse acontecer alguma réplica maior e deitar a casa abaixo. Para nós, crianças, aquilo foi uma coisa engraçada, porque não aconteceu tragédia nenhuma e foi algo diferente e uma novidade, já que nunca acontecia nada que quebrasse a rotina diária a que estavamos habituados. A nossa ingenuidade de miúdos não nos permitia alcançar a dimensão do que poderia ter acontecido. Este sismo aconteceu em 1969 e foi o maior sentido em Portugal após o terramoto de 1755 que arrasou Lisboa.