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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Desafio "Arte e Inspiração" O Beijo #7

O despertar para a vida surgia em cada dia, sempre ávida em viver novas experiências, tropeçando em cada esquina, tabus sobre tabus travavam essa avidez que expelia dos seus poros.

Naquele dia os seus caminhos cruzaram-se, ele, um rapaz alto e atraente, de sorriso aberto, alegria em cada linha do seu rosto, sempre algo agradável e com graça para dizer, todos se sentiam bem na sua companhia, onde ele estava pairava sempre um ar de festa, ela ficou fascinada com tão grande espontaneidade e começou a prestar-lhe atenção, ele também reparou nela no seio do pequeno grupo.

Estaria o destino a ditar as cartas??

Num dos pequenos passeios que habitualmente faziam aos domingos juntamente com outros amigos e amigas pelos caminhos da aldeia, naquele dia foram para um caminho mais discreto longe dos olhares. Enquanto entretidos num jogo de mãos que ele lhe  ensinara, aquecida com a sua voz terna e palavras carinhosas, os seus rostos se aproximaram, os seus corações pediam e os lábios cederam a um leve e suave beijo, envolvidos no mais doce e quente abraço. 

O mundo fugiu-lhe, sentiu-se flutuar na atmosfera, inebriada com o toque quente dos seus lábios carnudos, enlouquecida com o seu cheiro... soube naquele dia que aquele era o homem da sua vida.

Foi o seu primeiro beijo. 

O destino estava traçado!

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Viveram um namoro alegre e apaixonado, com muitos beijos e muitas cartas, casaram uns anos mais tarde, construiram uma casa, o seu ninho, tinham uma vida simples com muito amor e eram felizes, já tinham dois rebentos a desabrochar para a vida.

Havia tantos sonhos, tantos projectos...

Um dia algo inesperado aconteceu, nada fazia prever aquilo, aquelas coisas só acontecem aos outros... fizeram-se exames.... a alegria desapareceu dos seus rostos, pairava uma sombra cada vez mais escura em todos os dias, mesmo nos mais resplandecentes cheios de sol.... já não viam o sol....

Mas tinham os rebentos, tinham que ser fortes, escondendo tristezas em alegrias camufladas, até que o sol se fechou para sempre para os seus olhos, os seus lábios se fecharam num derradeiro adeus e, ela sentiu o frio cortante num último beijo!

O destino ditou as cartas, os seus rebentos são a continuação dos seus sorrisos!

 

No âmbito do desafio "arte e inspiração" participo eu e:

Fatima Bento, Ana de DeusAna Mestrebii yue, Bruno ErvedosaCélia, Charneca Em FlorCristina AveiroGorduchitaImsilvaJoão-Afonso MachadoJosé da XãJorge OrvélioLuísa De SousaMaria AraújoMarquesaMiaOlgaPeixe FritoSam ao LuarSetePartidas ,bii yue

Passiflora

Foto do dia 

Flor da Passiflora, não resisti à sua beleza!

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Esta planta é mais usada em jardins com fins ornamentais do que para fins de frutificação. Isto deve-se às suas características de trepadeira, com a função de cobertura de muros e sebes. Em detrimento, a sua função frutífera é posta em segundo plano, já que os frutos, apesar de serem comestíveis (casca laranja com uma polpa muito avermelhada), são algo sensaborões e sem cheiro!

Desafio "Arte e Inspiração" Pesadelo #5

Por certo não nascera em berço de ouro e a vida nunca lhe foi fácil, desde pequena que teve que lutar por tudo o que quis alcançar, já vai longe o tempo em que apanhava caracóis no campo e vendia a quem queria comprar, assim conseguia dinheiro para comprar sapatos ou alguma peça de roupa. Em casa não era poupada, uma meia duzia de irmãos e irmãs mais novos requeriam os seus serviços e ajudas, isto de ser a irmã mais velha de um rancho de irmãos não foi "pera doce". Tinha um padrasto que a maltratava e tudo exigia dela até alguns favores menos próprios... Não raras as vezes que desejava desaparecer e sonhava muitas vezes com a sua própria morte. Nos seus sonhos que acabavam sempre em pesadelos via o seu esqueleto que não era mais do que uma cadeia de explosivos, via ramos de flores junto ao peito e um sorriso doce lhe escapava dos lábios....via a sua sepultura coberta de uma vegetação verde, sempre gostara do campo.

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Acordava sempre em sobressalto, olhava as irmãs que dormiam tranquilas ali ao lado, e jurava para si mesma que um dia ia ser alguém na vida, iria ser alguém de valor a quem o mundo pudesse recordar para sempre, iria lutar por isso, tinha algum jeito para pintar, talvez estivesse aí a sua oportunidade... começou a fazer uns desenhos, bonitos, diferentes, alguns bizarros até, mas que chamavam a atenção de quem olhava para eles...

A sua vida nunca foi fácil, mas nunca deixou de lutar por aquilo que queria, possuia  qualidades fortes na sua personalidade, era lutadora e obstinada....

Passados tantos anos, conseguiu chegar onde queria mas aqueles pesadelos nunca a abandonaram!

Neste desafio participo eu e:

Fátima Bento 

Ana de DeusAna Mestrebii yue, Bruno ErvedosaCélia, Charneca Em FlorCristina AveiroGorduchitaImsilvaJoão-Afonso MachadoJosé da XãJorge OrvélioLuísa De SousaMaria AraújoMarquesaMiaOlgaPeixe FritoSam ao LuarSetePartidas ,bii yue,

Erva das Pampas

Os caminhos são pedregosos, olhas o chão e procuras onde colocar os pés, sob eles soltam-se pedras quando as pisas, ao teu lado esquerdo e direito erguem-se grandes ervas meio secas que te arranham a pele, o pó fininho da terra levanta-se e vai pousando na tua face tornando a tua pele áspera mas tu já te habituaste a isso e nem te importas.

Continuas caminhando, traçaste um percurso e vais quase fiel a ele, por vezes fazes algum desvio, o sol está muito quente e tentas procurar as sombras, bebes água de vez em quando na tentativa de tornar mais leve aquelas subidas de que não gostas nada, (odeias as subidas) o teu esforço triplica.

Quando chegas ao planalto, respiras fundo e ergues o teu olhar para longe, o que vês deixa-te sem fôlego, as elevações, os vales, as mansões dispersas umas das outras, a cidade e o mar tudo se conjuga numa harmoniosa paisagem que te faz saber que te encontras num lugar soberbo.

Acompanha-te neste percurso, o canto dos pássaros, o saltitar dos gafanhotos e o esvoaçar das borboletas, sentes falta do som da água correndo nas ribeiras, passas por elas, e com pena verificas que estão todas secas, nalgumas ainda corre um fiozinho de água e crescem agriões.  Encontras um grande tanque cheio de água até cima, refrescas as mãos e sabe-te pela vida. De longe vem o som abafado dos carros que competem num autódromo que se situa perto.

Ainda tens muito pó de terra para apanhar, muitas pedras para pisar e muito mato para te arranhar, ainda assim continuas, vês passar por ti algo desconcertante, alguma coisa vai ao contrário, o ciclista sobe o trilho com a bicicleta às costas, os outros vão pedalando.

Encontras os cactos, eles estão carregados de figos, não sabes que neles existem picos muito fininhos e mexes só para perceber a consistência, vais de arrepender da tua imprudência. Os picos enterram-se na pele das tuas mãos e vão te picar até ao fim da tua caminhada pelos trilhos. Aprendeste alguma coisa hoje. Numa pesquisa feita ficas a saber das inúmeras propriedades desses figos e que só podes colhê-los à noite que é quando os picos amolecem.

Agora o cenário que se depara na tua frente é algo com que tu já te familiarizaste neste outono pelos caminhos que percorres, as plumas erguem-se esbeltas, fofas e de tons suaves, são muitas, crescem e multiplicam-se a cada ano que passa, onde o ano passado não havia nada, este ano já ali estão exibindo para quem gosta de olhar a sua elegante beleza.

Não obstante a sua beleza elas são uma praga infestante, estão por todo o lado invadindo até os caminhos por onde tu passas. Elas são as "ervas das pampas"

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