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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Comemorações 25 de Abril

As opiniões dividem-se, celebrar ou não celebrar esta data, 25 de Abril!

Nunca se colocou a questão, celebrar ou não celebrar a Páscoa!

Assistiu-se  pela televisão a uma missa celebrada na Praça de S. Pedro por um Homem sozinho vestido de branco!

Nunca se colocou a questão, despedirmos-nos dos que morrem!

Os funerais realiza-se sem despedidas, velório e sem acompanhantes!

Uma celebração dá sempre lugar a ajuntamentos de pessoas, no entanto todos os organismos apelam para que fiquemos em casa!

Os portugueses tem vindo a cumprir salvo algumas excepções!

Como ficamos? celebrar ou não celebrar?

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O latido do Doutor Adam

Ler enriquece o homem, o torna culto e lhe abre as portas ao mundo!
A história de um miúdo que tem que sair da sua aldeia, deixar a sua familia e ir viver na capital com um tio bem instalado na vida, mas muito sovina, vale-lhe a tia que se compadece dele. Justino deixa a sua terra, um lugar pobre, perdido no norte de Portugal, para poder estudar e ser alguém na vida, ser um "Doutor". Uma vida de muito trabalho e sacrificio, vivida no tempo de Salazar e  que atravessa a revolução de 25 de Abril. Uma época em que quase tudo era proibído e tabu.

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Uma obra não muito rica em conteúdo, na minha opinião, que o leitor é tentado a saltar algumas linhas por achar menos interesse nalgumas descrições mais longas. Ainda assim, é uma leitura que prende a curiosidade de quem o lê até à última linha!

 

Ponte Salazar

"Às dez e meia em ponto ouve-se o hino nacional “enquanto no forte de Almada uma bateria dá os 21 tiros da ordenança em salvas compassadas. Lá longe, sobre o rio, sobe um foguete que estoira e deixa um rasto de fumo. E mais foguetes e morteiros rebentam nas alturas, anunciando o começo da cerimónia” de inauguração da Ponte Salazar, lia-se na edição de 7 de agosto de 1966 do DN.

 

O dia será vivido em clima de festa em Lisboa e Almada. Assim se descreve o ambiente na Margem Sul: “Cedo as ruas das terras da Outra Banda começaram a cruzar-se de gente com ar domingueiro e feliz.” A “maioria tomava o rumo dos pontos altos (…). Era uma autêntica romaria. (…). E todos se encaminhavam a pé ou (…) em camionetas para os cimos de Almada, donde se avistam os lugares da festa”.

 

 

Em Lisboa, à noite, toda a cidade saiu para as ruas para ver um “grandioso espetáculo” de fogo-de-artifício.

 

Os elétricos passavam apinhados, com gente dependurada, em equilíbrio precário, arris- cando a integridade física na ânsia de alcançar um ponto estratégico que lhe permitisse ver o show de luzes e cores fabricado pelos pirotécnicos nortenhos”. Por sua vez, a “ponte, profusamente iluminada, oferecia um deslumbrante espetáculo que valia a pena contemplar”.

 

Após o 25 de Abril de 1974, é rebatizada com a designação da data da queda do regime fundado por Salazar. e passa a designar-se "Ponte 25 de Abril"

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 Ponte Salazar

 

Blogazine

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 Lá fora o céu estava cinzento e a chuva batia nos vidros, a temperatura era fria. Na divisão aquecida em que me encontrava agarrada ao computador, ia passeando pelos blogues, neste passeio encontrei a revista "Blogazine". Uma revista que, além bonita, aborda assuntos atuais e interessantes, não como certas revista que folheamos, voltamos a folhear e não encontramos nada que interesse gastar tempo a ler.

 

Apercebi-me que a revista já vai na décima edição e só agora eu a descobri, e é sobre ela que me aprás hoje comentar. Os números anteriores vão ser lidos noutra ocasião.

 

Comecei a folheá-la, achei-a muito bem estruturada, com abordagem de assuntos muito interessantes, expostos de forma prática e leitura fácil. Penso que o tema do mês, sobre o 25 de Abril / revolução dos cravos, que todos os anos é abordado em todos os meios de comunicação social, foi uma escolha muito acertada. Nós, os que vivemos essa época jamais vamos esquecer, mas é sempre bom falar sobre isso, rever as imagens, reler o que já lemos e que queremos voltar a ler para mais fácil recordar  e, desta forma dizer aos que nasceram após a revolução que o país nem sempre viveu com a mesma liberdade que temos hoje.

 

Parabéns aos colaboradores da revista, em minha opinião, ela é muito boa!

 

 

 

Revolução dos cravos

Ouvem-se foguetes, o dia é de festa e de alegria, António chegou! Finalmente António chegou, após dois anos de serviço militar cumprido em Angola. Em 1973 Manuela era uma adolescente, trabalhava numa multinacional alemã, usava uma bata branca como farda, tecia peças para eletrodomésticos. António cumpria o serviço militar obrigatório, trocavam cartas, muitas cartas que Manuela guarda até hoje e nelas faziam juras de amor, planevam o futuro, ela ia dando noticias da sua aldeia, e esperava o seu regresso com muita ansiedade. Manuela temia que ele não regressasse vivo, António temia que Manuela não esperasse por ele, viviam separados e angustiados. Manuela ouvia na rádio  e via na televisão do café, na altura do natal as mensagens de boas festas das tropas. A guerra no Ultramar ensombrava o pensamento das namoradas, mulheres e de todas as familias dos rapazes que estavam na tropa e também todas aquelas que tinham filhos rapazes. Quatro anos de tropa era muito tempo roubado aos rapazes/ homens deste país. Muitos não voltaram mais, outros voltaram mutiliados, outros voltaram muito afetados pesicológicamente e nunca conseguiram recuperar. Era um tormento.

No dia 25 de Abril de 1974 acontece algo diferente, a rádio começa a tocar (Grândola vila morena) música de Zeca Afonso e (Depois do adeus) de Paulo de Carvalho, foram as senhas escolhidas para dar inicio à revolução que viria a deitar a baixo o regime ditador do presidente Dr. Oliveira Zalazar e implantar  o regime  democratico que vigora até hoje. Tudo se alterou naquele dia cinzento de Abril....em Lisboa vivia-se a revolução, foram distribuídos cravos vermelhos aos soldados!

A independencia às colonias africanas foi uma realidade e os militares puderam finalmente respirar de alivio sem a sombra da guerra do ultramar.

António regressou e foi dia de festa... Manuela e António casaram e construiram o seu futuro, mas António jamais consegue esquecer aquele tempo passado em Angola...

 

"O cravo vermelho tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974. Segundo se conta, foi Celeste Caeiro, que trabalhava num restaurante na Rua Braancamp de Lisboa, que iniciou a distribuição dos cravos vermelhos pelos populares que os ofereceram aos soldados. Estes colocaram-nos nos canos das espingardas. Por isso se chama ao 25 de Abril de 74 a "Revolução dos Cravos".