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Abrigo das letras

Abrigo das letras

O dia era de nevoeiro

O dia era de nevoeiro, não se via um palmo à frente do nariz. Também estava frio. Enrolada numa manta, assistindo a um daqueles programas que passava na televisão tipo " Júlia Pinheiro ou Cristina Ferreira", enchera uma chávena de chá que lentamente fumegava em cima da mesa, obervava sem ver aqueles anéis de vapor que se desfaziam no ar, o seu olhar distante detinha-se na televisão, mas na verdade nem via o que passava, ouvia falar, nem sabia o que diziam... a manta aquecia-lhe as pernas, o pensamento divagava, estava a muitos quilómetros dali, dir-se-ia que flutuava numa outra dimensão, num outro mundo.

 

O pensamento levara-a para aquele dia frio de Inverno, aquele dia que levara tanto tempo a chegar de tanta ansiedade que o antecedeu, vestira-se toda de branco, cobrira as mãos com umas luvas também brancas, na cabeça usara uma tiara, um taxi a transportou até à porta da igreja onde os convidados a esperavam. Chegara primeiro que o noivo, não era suposto ser assim, o noivo atrasara-se. Finalmente ele chegou. Estava nervosa como qualquer noiva, mas tranquila, tinha a certeza absoluta que viria. Ele de braço dado com a madrinha ela de braço dado com o padrinho, entraram na igreja, dirigindo-se ao altar onde o padre os esperava, iriam dizer o "sim" um ao outro. 

 

Casara naquele dia frio e chuvoso de Inverno " casamento molhado, casamento abençoado" assim diz o ditado popular. O dia foi de festa, o dia foi inesquecível. Cantou-se à desgarrada, bebera-se uns copos a mais.

Uma vida a dois começara, era o principio do resto das suas vidas, até que a morte os separe, como prometeram no altar. Esperavam envelhecer juntos.

 

A morte chegou cedo demais...

nevoeiro.jpg

 

 

 

 

7 comentários

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    Maria 10.03.2016 11:41

    Seria muito difícil saber que naquele dia, naquela hora, seria a nossa hora!
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    Psicogata 10.03.2016 11:57

    Não acho, se fosse normal sabermos isso não teríamos problemas. É uma questão cultural.
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    Maria 11.03.2016 14:34

    Tem razão, tal como nos habituaram e nos habituamos a não saber nem quando nem como, também nos habituaríamos a outra forma se fosse essa, a usada e fizesse parte da nossa cultura!
    Vejamos agora a questão da "eutanásia", não faz parte da nossa forma habitual, pelo que está a dar a polêmica que temos assistido nos meios de informação!
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    Psicogata 11.03.2016 14:43

    Fiz um post sobre isso há pouco tempo em que dou exemplos de eutanásia que ninguém questiona como no campo de batalha.
    Eutanásia sempre foi praticada como uma acto de misericórdia , só há alguns anos é que se deixou de ter coragem para isso.
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    Maria 11.03.2016 14:55

    Vou ler o seu post sobre a "eutanásia"
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    Psicogata 11.03.2016 14:56

    Sinta-se bem-vinda.
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