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Abrigo das letras

Abrigo das letras

O dia dos avós

26.07.15 | Maria Flor

Olho aquela fotografia já muito velhinha, quase tão velhinha como seriam os meus avós se ainda pizasem esta terra. Olho a foto e vejo o meu avô ao lado da minha avó e à frente umas crianças, as minhas tias e tios. O meu avô, homem relativamente alto e magro de cara algo sorridente, estreita e encovada, possivelmente pela falta de dentes, o colete vestido,  estaria de fato domingueiro, barrete enfiado na cabeça e apoiado a um pau. Ao lado encontra-se a minha avó, de cabelo todo branquinho (por onde andavam as tintas) rosto largo e encovado na zona da boca (as dentaduras eram um luxo para quem tinha posses) se é que as havia...a minha avó de cara simpática envergava uma blusa branca abotoada até ao colarinho e mangas arregaçadas. Formam um casal simpático e morreram velhinhos há muitos anos. Contribuiram bem para o aumento da natalidade, pois deixaram uma "catrefa de filhos". Gosto de olhar as fotos dos meus avós, gosto de ver as minhas origens. A algum tempo descobri uma assinatura do meu avô num documento da Camara Municipal, fiz uma cópia do papel e fiquei com ela para recordação de memórias futuras.

Este post é uma homenagem a eles que jamais imaginaram um mundo como o mundo no qual vivem os filhos, netos, bisnetos e trinetos, eles viveram uma outra era onde a tecnologia nem sequer estava pensada e viviam exclusivamente para a familia, não havia outras prioridades.