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Abrigo das letras

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O baile da aldeia

30.01.18 | Maria Flor

A aldeia era muito pequena, mas tinha uma capelinha, uma casa mortuária, um café, uma mercearia e também um pavilhão feito de raíz para a sede recreativa. De ruas curtas e estreitas, casas quase encavalitadas umas em cima das outras, algumas muito antigas, talvez com um século, mas recuperadas,  e um largo principal que dava acesso a quase a todas as ruas. Palmira saíra sa sua aldeia porque ansiava por mais da vida, ali quase sofucava, embora gostasse muito daquele local, um sítio aberto com uma vista fantástica sobre os campos, onde todas as pessoas se conheciam e se cumprimentava sempre que cruzavam umas com as outras, toda a aldeia no seu conjunto parecia um quintal onde todos faziam parte de uma grande família.

Naquele dia Palmira iria à sua aldeia, os seus contactos tinham-na informado do baile que ia haver à noite, sabia que a sala não ia estar cheia como noutros tempos, em que vinha gente das aldeias vizinhas e enchiam a sala, mas não seria por isso que ia deixar de ir, aliás, esse era mais um motivo para comparecer e, depois gostava de encontrar  e falar com as pessoas da sua terra, sabia que ali encontrava sempre muitas, podia pôr a conversa em dia no intervalo das danças.

O conjunto tocava músicas mexidas, os pares dançavam, outros apenas observavam o que se passava em redor, Palmira adorava dançar e dançava tudo, sempre gostara dos bailes da sua aldeia, muito diferente dos reboliços e agitações dos bares e discotecas das cidades, mas não dispensava também estes reboliços, gostava somente de contrabançar os dois modos de vida!

Baile na aldeia.JPG