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Abrigo das letras

Abrigo das letras

No aconchego das paredes da minha casa

Hoje é um sábado como outro qualquer, pouca diferença faz se há ou não confinamento. Está sol e deixo-o entrar através dos vidros das minhas janelas, sentada no sofá tomo um chá de laranja bem quentinho e acompanho com bolo rainha que tinha congelado pois foi sobra do natal. A televisão está desligada, estou saturada das mesmas noticias em todos os meios sociais, sei que são alarmantes, por isso fui às compras num instante, procurei ir numa hora que sei ser a hora que menos gente vai, resisti em ir ver o mar que estava muito perto, o sol convidava, mas a regra é "estar em casa" e o menos possível na rua ou noutros sítios que não seja estritamente necessário.

Enquanto bebo o meu chá na quietude da minha sala, e olho as chamas que crepitam na lareira, tudo me vem à memória, as lembranças dum passado longínquo e também dum passado recente, as lembranças de um presente que não dá para esquecer e tento antever um futuro. Tudo passa na minha cabeça como um filme enquanto o chá quente desliza pela minha garganta abaixo e me aquece o estômago.

Sei que neste preciso momento muito mais pessoas estão também sozinhas nas suas casas, talvez pensando e observando mais ou menos as mesmas coisas que eu, porque a vida é uma roda e cada um dança ao som da música do seu filme!

Nos meus pensamentos surge muitas vezes o filme da vida para o qual eu tinha escrito o guião, o guião que a própria vida não me deixou seguir, e me obrigou a seguir o que ela própria tinha escrito para mim. Hoje, passados tantos anos ainda me encontro a discordar com este guião e tento me convencer, pois não tenho outra hipóse de que este foi o que me foi destinado independente de eu ter escrito outro! 

Olho para lá dos vidros das janelas e vejo que anoitece, recuso-me a descer os estores, quero prolongar o dia, também estou saturada dos dias pequenos, felizmente já estão a crescer, mas a noite não se preocupa comigo e continua a adensar-se. Já está escuro, as chamas crepitam e eu vou continuar a ler um livro!

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2 comentários

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    Maria 17.01.2021 17:02

    É mesmo! Mesmo que não se escrevam
    as palavras, cada vida é um livro que se escreve, porque cada vida tem uma história para contar. Continuação de bom domingo!
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