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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Há dias assim

17.02.18 | Maria Flor

Saiu esbaforida porta fora, ele de dentro de casa dizia "ao menos fecha a porta", mas ela nem o ouvia e já seguia a uns bons passos distante da porta, maço de cigarros na mão, isqueiro na outra e a cabeça num turbilhão de pensamentos desordenados... seguia apressada estrada fora, sem qualquer destino, apenas queria sair dali, afastar-se dele, as coisas neste dia estavam a correr mal e logo a seguir ao dia dos namorados. Ontem até tinham ido jantar fora, um jantar bem romãntico e à noite tinham feito amor, agora isto, uma simples troca de palavras desencadearam uma forte discussão e o resultado estava à vista. Querendo evitar que as coisas azedassem ainda mais saíra porta fora para acalmar as ideias com a frescura da noite, talvez, olhando as estrelas, conseguisse racicionar com mais clareza.

Ele saiu atrás dela, com palavras calmas tentou apaziguar a situação, mas ela estava tão magoada ou zangada que não lhe deu ouvidos, pediu-lhe somente que a deixasse sozinha, que precisava de caminhar na noite, que precisava de olhar as estrelas sozinha para se acalmar.

Ele respeitou a decisão dela e voltou para casa preocupado, pois ela ficara sozinha na rua na noite fria, ele gostava muito daquela mulher, mas às vezes aconteciam estas discussões, ela tinha um temperamento dificil, sabia que depois da tempestade viria a bonança como tantas vezes já tinha acontecido, mas de repente um receio vindo não se sabe de onde atingiu-lhe o cérebro - e se desta vez ela vai embora de vez e não me quer mais - assim pensou, quase entrou em pánico. Não queria perder aquela mulher por nada, tinha aprendido a ser feliz com ela apesar das querelas que às vezes surgim.

Numa relação a dois por vezes há dias assim!

(Este é um texto de ficção, qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência)

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