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Abrigo das letras

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Dia da empregada doméstica

Ofélia chegava todas as quartas feiras à mesma hora no seu carro amarelo e fazia sempre a mesma manobra para estacionar. Trabalhava numa mansão como empregada doméstica, não conseguia outro emprego. Ofélia era licenciada no seu país de origem em enfermagem, era inteligente e tinha muitas ambições. Esta era uma das casas em que Ofélia trabalhava, tinha também outras patroas, dois filhos e pagava renda de casa, as despesas eram muitas e Ofélia fazia muitas horas por dia, havia quem dissesse que ganhava bem. Trabalhava dez a doze horas por dia, seis dias na semana, mas Ofélia não queria este trabalho para a vida toda e depois de muito tentar conseguiu vaga num curso de enfermagem que lhe dava equivalência para exercer em Portugal a sua profissão, matriculou-se, conseguiu fazer o curso. Entrtanto a crise económica estalou, as patroas foram-na dispensando... já nada fazia sentido no meu país para Ofélia, já não conseguia ganhar para as despesas e com muito pesar "pegou na trouxa" e, com o marido e os filhos foi tentar a sorte noutro país. Portugal deixou de ser um país de oportunidades para ela e sua família... Nunca mais soube nada de Ófelia!

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