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Abrigo das letras

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Desafio Caixa lápis de cor#5# Azul cobalto

Uma cor intemporal "Azul cobalto"! a cor mais adorada pelos pintores e resultante nas obras de arte mais apreciadas. Podemos vê-la entre outros sítios, nas barras das casas mais antigas e também nas recuperadas, em fontes, muros etc. O nosso desafio desta semana proposto pela Fátima Bento. ..

Do outro lado do vale situa-se a aldeia onde a minha mãe nasceu, numa pequena casa de dois quartos, uma sala e uma cozinha. Havia em anexo à casa, a casa dos animais, o palheiro, a adega e mais uns telheiros que serviam para resguardar tudo e mais alguma coisa, pois nada era desperdício, e um pátio sem muro nem portão. A casa onde a minha mãe nasceu assim como os seus muitos irmãos e irmãs, era caiada de branco e tinha aquelas tão características barras de cor azul, sei agora que esse tom de cor é azul cobalto, pois a minha mãe sempre conheceu a cor como sendo simplesmente azul, o azul da barra.

Eu nasci do lado de cá do vale, na casa da minha mãe, sim, na casa da minha mãe, não havia cá maternidades para ninguém, assim como todos os meus irmãos e irmãs; também a casa da minha mãe sendo um pouco maior que a da minha avó, ambas foram palcos de familias numerosas, também era caiada de branco com as barras azuis. Do lado de cá do vale, para ir à casa da minha avó, eu percorria um trilho de pedras e lama, muito irregular, e atravessava um rio para ir até lá. No inverno com as grandes chuvadas o rio adquiria um caudal imenso de água misturada com a terra das enchurradas, ficava um curso de água  acastanhado e espeço, havia uma ponte artesanal de madeira um bocado para o mal amanhado que, se eu queria passar para o lado de lá tinha que a transpor, e ver aquela mistura lamacenta abaixo de mim, eu era ainda uma menina e fazia a travessia com algum receio. No verão o caudal era límpido e minimo, não oferecia qualquer receio e até convidava a chapinhar nele, muitas vezes fiz isso, tirava os sapatos e atravessava o leito do rio descalça, bons e maus tempos!

Quando era pequena, achava que a casa da minha avó ficava muito distante da casa da minha mãe. Afinal a distãncia com o tempo encurtou.

Hoje, vou até à aldeia onde a minha mãe nasceu, ainda lá está a casa da minha avó, recuperada e ligeiramente ampliada mas, ja vagamente a reconheço como tal, os anexos foram recuperados como habitação e, outras construções embora modestas surgiram em seu redor, agora existe muro e portões. Percorro a aldeia com satisfação porque vejo, assim como a casa da minha avó foi conservada e mantida na sua construção inicial pelos meus primos, as outras casas tiveram o mesmo destino e, me dá consolo ver as casas recuperadas e pintadas de azul, mantendo as mesmas traças de antigamente de uma lado e do outro da estreita estrada, agora asfaltada, antes era apenas terra batida, calcada pelos passos das pessoas e dos cascos dos burros, o seu meio de transporte.

As casas são na sua maioria, pequenas, de um só piso, os pátios são pequenos com muros e portões igualmente baixos, tudo é pintado de branco e azul cobalto, criando uma harmonia fresca e singela entre o verde da natureza que envolve a aldeia! 

Ainda lá está o fontanário onde as pessoas iam buscar a água com os cantaros de barro para todos os usos e onde os animais iam beber. (não é este que está na foto mas é um parecido)!

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Neste desafio participo eu, Fátima Bento Concha, A 3ª Face, a Maria Araújo, a Peixe Frito, a Imsilva, a Luísa De Sousa,  a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor,  a Gorduchita, a Miss Lollipop e a Ana Mestre.

"Todas as quartas feiras e durante 12 semanas publicaremos um texto novo inspirado nas cores dos lápis da caixa que dá nome ao desafio. Acompanha-nos nos blogues de cada uma, ou através da tag "Desafio Caixa de lápis de Cor".

(Ou então, junta-te a nós ;)"

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