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Abrigo das letras

Abrigo das letras

A gatinha branca

23.10.18 | Maria Flor

Ela era linda, branquinha, esguia e rebelde, muito rebelde. Ela trepava tudo, esgueirava-se por todo o lado, saltava os muros, corrria na estrada, seguia qualquer pessoa. Parecia uma daquelas pessoas que espalham alegria à sua volta, sempre alegre e bem disposta, uma vez roubou-me a posta de bacalhau. Nunca parava, e eu nunca tinha visto uma hiperatividade assim num gato. Resta dizer que a gatinha não era minha mas não tinha qualquer problema em entrar a minha porta e coscuvilhar todas as divisões da casa que estivessem de porta aberta. Eu não apreciava lá muito esta intrusão mas ao mesmo tempo achava graça e divertido.

Um dia ela não apareceu e achei estranho, no dia seguinte também não apareceu e calculei que tivesse acontecido o que já era esperado que acontecesse. Perguntei ao vizinho e ele me contou que numa manhã ela estava morta dentro do quintal, alguém a atropelou e a colocou do lado de dentro dos muros que ela trepava e saltava, pobrezinha. Fiquei cheia de pena dela e agora tenho saudades da sua alegria de correr, de saltar e de entrar a toda a hora dentro da minha casa!

Cat_Gato_branco.jpg

 Nunca cheguei a fotografar a gatinha branca, também nunca pensei que ela desaparecesse tão cedo, já me estava a habituar e a saber lidar com a situação, ela era ainda uma garotinha, agora me arrependo de nunca a ter fotografado por isso esta é uma imagem retirada da net. A gatinha branca era tão linda como esta, mas nunca parava.