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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Dadores de sangue

"Os dadores de sangue vão passar a ficar totalmente isentos do pagamento de taxas moderadoras no SNS, nomeadamente quando se dirigirem aos hospitais. Atualmente, têm uma isenção parcial que abrange apenas os cuidados de saúde primários."

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É já a partir do dia um de Abril que vai ser reposta a isenção que tinha sido retirada em 2010 aos dadores de sangue. A isenção da taxa moderadora nos hospitaiss é uma isenção bem merecida. As pessoas que dão sangue não o fazem especialmente para susufruir deste benefício. Quem dá, fá-lo por motivos muito superiores a isso. Falo com experiência própria, é um pedacinho de mim que adicionado aos pedacinhos de outras pessoas fazem um pedaço grande. Esse pedaço de vida vai ajudar a salvar muitas vidas, é esse o maior dos incentivos.

E não custa nada, é como quem vai tirar sangue para fazer análises.

As estações da nossa vida

O fim do verão era já anunciado com  a temperatura a descer, e o tamanho dos dias a decrescer. Aí estão os sinais de que o outono se instala e com ele o amarelecimento, depois a cor vermelho acastanhado das folhas e a sua consequente queda. Tudo vai ficar com folhas meio secas no chão, elas vão rolar com o sopro do vento, são transportadas para outros sítios, as árvores vão ficar despidas, despojadas de toda a magestosa folhagem que as embelezou nas anteriores estações, apenas vai restar um esqueleto escuro, sem graça e sem utilidade até à proxima primavera. A natureza humana é quase assim, apenas as suas estações duram um pouco mais, mas, à medida que a idade avança, a sensação que fica é de que se viveu somente uma vez as quatro estações.

As estações da nossa vida:

Primavera, nascemos, crescemos bonitos e saudáveis, a transbordar de energia, tornamo-nos em homens e mulheres fortes com idéias e projetos de poder mudar o mundo.

O verão da nossa vida, queremos ter o nosso espaço, fundar a nossa familia, obter êxito profissional, adquirir estabilidade familiar e económica.

No outono, queremos beneficiar do produto de toda uma vida de trabalho, queremos fazer aquelas viajens que não tivemos oportunidade de fazer, queremos ler aqueles livros que se foi sempre adiando, queremos nos dedicar a artes para as quais temos aptidão e nunca tivemos tempo para explorar, queremos nos dedicar mais à familia, mesmo que a nossa familia já tenha a familia deles. Mas o outono da nossa vida muitas vezes reserva-nos supresas desagradáveis e não nos deixa tempo, forças e disposição para estas coisas.

O inverno da nossa vida não teria que ser triste, mas infelismente, para a maioria das pessoas é uma estação muito, mesmo muito triste, cheia de sofrimento fisico, espiritual e emocional.

Na próxima estação a vida se renova e tudo começa de novo! 

Como um rio

Alguns dias de férias souberam a pouco, muitas coisas para fazer e o tempo a esgotar-se, o dia de hoje, esta hora, este minuto já passarm, não se voltam a repetir, cada dia que passa é a sensação de de um dia a menos que temos para viver;  quantos dias, horas, minutos desperdiçados, tempo que não volta mais. Quero abraçar o mundo, quero abraçar as pessoas, quero viver com elas, quero fazer coisas que ainda não tenha feito... quero ser uma pessoa melhor e aproveitar bem o tempo que me foi destinado nesta vida que me foi permitida viver... fervilham festivais de música por esse país fora, há loucura nas ruas, transito a mais e juventude a deambular, consequência de noites perdidas... e urgência de viver cada minuto. Ouve-se a música vinda de longe nesta noite quente e tranquila, apenas uma pequena aragem refresca, a lua redonda empresta a sua luz e envolve na sua aura corpos sedentos de adrenalina. Na varanda da minha casa, nesta noite quente de verão, observando a lua e as estrelas, vão passando pelo meu imaginário imagens do passado, aquilo que fui e que já vivi, antevejo o futuro, aquilo que serei, que me será concedido ser... e sei que a vida é como um rio, não passa duas vezes pelo mesmo lugar, é apenas um  momento em que devemos dar o melhor de nós!

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Nunca diga

 Um repórter perguntou à poeta Cora Coralina o que é viver bem. Ela lhe disse:

 

"Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice.
E digo pra você, não pense.
Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo.
Eu não digo que estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.
É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê.
O bom é produzir sempre e não dormir de dia.
Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima.
Eu não digo nunca que estou cansada.Nada de palavra negativa.
Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.
Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha, não. Você acha que eu sou?
Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser.
Filha dessa abençoada terra de Goiás.
Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.
Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.
Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.
O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça.
Digo o que penso, com esperança.
Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor.
Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir."

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 Cora Coralina (imagem da net)