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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Páscoa do tempo da minha avó

Como se vivia o poríodo da quaresma e da Páscoa no tempo da minha avó. Lembro-me que durante todo o periodo da quaresma, em todas as sextas feiras não se comia carne e fazia-se jejum (jejum e abstinência), não se ouvia música e (televisão não havia), não havia bailes nem outras diversões, era um tormento para a juventude que assim ficava privada de se divertir durante esta época. Nos domingos das procissões, participava-se nelas, tal com hoje havia a procissão dos Santos Terceiros, do Senhor dos Passos, da Burrinha e do Enterro do Senhor. Na semana santa, principalmente na quinta e sexta feira santa, não havia feriado nem férias, havia sim, descanso na tarde de quinta feira e na manhã de sexta feira. Estes periodos não eram aproveitados para ir à praia ou outro sitio qualquer, eram para ir rezar à igreja e meditar no sofrimento de Jesus na cruz. Não se lavava nem se punha roupa a secar e, claro não se comia carne e fazia-se jejum. 

Nesta era e nesta povoação (principalmente para esta classe) não havia amêndoas, não havia ovos de chocolate nem coelhinhos da Páscoa. Havia galinha ou galo da capoeira que se comia no Domingo de Páscoa ao almoço, corada e em canja, como sobremesa era arroz doce e filhós. No domingo de Páscoa ninguém faltava à missa. Os meus avós e os meus pais eram muito rigorosos no cumprimento destes procedimentos.

Conversas

Muitas vezes ouvimos as conversas dos outros quando nos encontramos nos transportes públicos, nas filas de atendimento em supermercados ou outras lojas, em seviços públicos como hospitais, repartições de finanças ou conservatórias. Foi numa destas filas de espera que ia ouvindo a conversa entre uma avó e uma menina com menos de cinco anos, ambas olhavam através da grande vidraça e observavam o que se passava no exterior do edificio, começaram por observar o passarinho de rabo comprido e de cor preto e branco (às riscas) que, feliz saltitava na rua, o qual a menina dizia que se parecia com uma zebra. A seguir foi o cão, enorme, de pelo grande, caído e sem brilho, o que fazia crer que se tratava de um animal já com muitos anos, a avó explicava à menina que o cão já devia ser muito idoso. A curiosidade da menina leva-a a perguntar o que é idoso? - Idoso significa ter muitos anos, responde a avó. A menina lembrando-se de alguém que lhe terá dito que as pessoas com muitos anos são velhinhas e tem cabelos brancos, diz - a avó A já é idosa. A avó A não era uma pessoa idosa mas tinha o cabelo todo branco. A avó A não pinta o cabelo. E a conversa entre avó e neta continuava, agora já com outras questões, até que chegou a vez de serem atendidas, a menina começou a conversar com a pessoa que as ia atender.... muito conversadora esta menina e muito curiosa também... fui apreciando a sua curiosidade e a sua capaciade de aprender, pois queria saber o porquê de tudo...