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Abrigo das letras

Abrigo das letras

O roupão do Príncipe George

A criança de que falamos é um menino lindo. O seu roupão, uma peça de roupa branca e simples já produziu um efeito estrondoso ao ponto de já ter esgotado e, só se aceitar reservas por encomenda. Não é pois de estranhar, como sempre acontece com estas coisas, vestir ou oferecer uma peça igual à que um principe usa, mesmo que seja um roupão, é já por si algo que eleva o "ego" de qualquer um.

 

Ganha com isso a marca que os vende.

 

Principes e roupões à parte, o certo é que a criança é linda, e como criança que é, a sua inocência transparece na foto, é uma fofura de menino!

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Há pão por Deus

Os saquinhos estavam dentro de uma taça grande em cima da mesa, neles estavam rebuçados, gomas e linguas de gato. O céu estava muito cinzento e a chuva caía em gotas grossas, escorriam pelas varandas e pátios e desaguavam nas caixas pluviais, as crianças não apareciam e os saquinhos ali estavam imóveis à espera.

 

No dia anterior tinha feito uma corrida contra o tempo para comprar e preparar com carinho aquilo que pretendia presentar as crianças neste dia tão especial para elas e para cumprir a tradição.

 

Noutro tempo, quando era criança, esperava por este dia com uma ansiedade algo desmedida. Era com alegria que saía para a rua em grupo com os irmãos e irmãs e também as outras crianças da rua, percorriam durante cerca de duas horas as ruas da aldeia com dois sacos, um de plástico para as pevides e tremoços e outro de pano que a sua mãe confecionava especialmente para o efeito para as restantes coisas que as pessoas iam dando, os sacos vinham cheios, á tarde entretinha-se a separar as goluzeimas que iria comer durante toda a semana. 

 

Os saquinhos continuam á espera.

 

A chuva vai abrandando, a hora vai avançando e alguém toca a campainha, abre a porta e aí está o primeiro grupo de crianças, são oito, cada uma com o seu saco e o seu chapéu de chuva aberto, "há pão por Deus" pronunciam, a senhora responde que sim e que esperem um pouco, volta para dentro de casa e regressa com a taça grande, os saquinhos saltam da taça grande para os sacos das crianças "que bom, gomas" esclama uma, e  uma a uma vão abrindo os sacos. Eles educadamente agradecem e seguem para outra porta. 

 

Os outros saquinhos vão continuar à espera de resgate.

 

O mais divertido não eram própriamente as goluzeimas (embora fossem importantes porque na época não se tinha acesso a coisas doces com facilidade) era sim o convivio, o caminhar, o bater às portas e dizer "há pão por Deus" e vinham as senhoras distribuir o que tinham para dar. No entanto havia sempre alguém que fazia de propósito para não estar em casa nesse dia.

 

A chuva já parou, a campainha volta a tocar e mais um grupo aparece, os chapéus de chuva estão fechados, a taça grande volta a sair à rua e os saquinhos saltam para os sacos das crianças, esta cena se repete para mais alguns grupos destemidos da chuva que não quizeram deixar cair a tradição.

 

Ser criança

Ser criança é ver um mundo onde tudo é possível, acreditar que tudo é maravilhoso, ver alegria em todas as coisas, sentir que é amada por todos... ser criança é brincar, correr, sorrir e descobrir em cada coisa uma maravilha! ser criança é tudo e muito mais, ser criança é esperança no futuro!

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Prós e contras

Conssegui ver uma parte do programa"prós e contras" apresentado por Fátima Campos Ferreira às segundas feiras no canal um, o tema foi "barrigas de aluguer". O debate estava muito aceso com opiniões muito divergentes, onde uns defendem que mãe é aquela que dá à luz e outros defendem que mãe é aquela que é dona do "material genético". Ora, em linguagem popular, aquilo que sempre ouvi dizer, e não falando em termos clínicos nem juristas; (mãe é aquela que cria mas, mãe verdadeira é aquela que pariu). Pontos de vista muito diferentes tanto hoje como antigamente para o mesmo tema, com uma grande diferença (noutros tempos não havia barrigas de aluguer) havia pessoas que simplesmente davam os filhos a quem não os podia ter, por não os poder criar. A quem é que estas crianças chamavam mãe? - a quem lhe deu amor, a educou e a fez dela a pessoa que é hoje evidentemente.... mesmo porque, nestas situações como nas de "barriga de aluguer" a criança não tem qualquer contato com a mulher que o deu à luz.

A mulher que empresta o seu ventre para gerar um ser que não é seu, vai sentir-se sempre mãe da criança que deu à luz, mesmo não tendo sido com o seu "material genético", porque uma mulher não é uma máquina, uma mulher tem sentimentos muito profundos que se criam ao longo dos nove meses que um feto se vai desenvolvendo dentro do seu corpo. Penso que deve ser penoso para essa mulher ter que entregar esse "filho" ao casal que a contratou para prestar esse serviço, mesmo sabendo de inicio que o desfecho seria esse.