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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Dia da poesia - Vi-te de longe

Vi-te de longe no meu sonho,

vestias uma camisa aos quadrados

na cabeça, um chapéu trazias,

via a nossa vida aos bocados,

ouvia as palavras que dizias,

eram belas, repletas de ternura

um carinho infinito,

palavras de embalar,

palavras de poesia,

A tua imagem se desvaneceu,

restaram apenas as sombras,

o meu coração desfaleceu

e se encrespou como as ondas.

Dentro de mim saiu um grito,

sem som, mas profundo,

débil, amargurado,

como saído de um coração aflito.

Quisera nunca te ver,

quizera nem te conhecer,

tranquila levava a vida,

agora sem compasso nem guarida!

(Maria Flor)

DSC07716.JPG

 

Sou apenas uma folha de outono

Hoje, apenas sou uma folha de outono,

Já fui pequenina, já fui jovem,

Verde e viçosa

a vida transbordava da minha seiva,

abriguei na minha sombra

tantos que nem conseguia contar

Porém, agora

que a frescura e vitalidade

me abandonam, 

que me desprendo da veia que me alimenta,

que involuntáriamente caí ao chão

que ninguém precisa de mim,

estou esquecida, amarelada

no chão caída,

à espera

que o vento me leve para longe

dos olhares piedosos,

que a água da chuva me arraste

e me transforme,

porque, hoje apenas sou uma folha de outono!

(Maria Flor)

folha de outono.jpg