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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Ninho vazio, porquê?

08.09.18 | Maria Flor

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 Com amor, muito carinho e muita perícia também, eles construiram o ninho, as palhas foram cuidadosamente colocadas para receber os ovos daqueles que viriam a ser os filhotes, mas por que razão o ninho está vazio? Porque razão o ninho não tem vestígios de nova família? Que terá acontecido?

Os rios não bebem a sua própria água...

07.09.18 | Maria Flor

Quando fazemos parte  da vida de alguém, deixamos sempre uma marca, boa ou má, ou as duas. Se fomos felizes com essa pessoa vamos nos lembrar sempre dos momentos bons, mas se essa pessoa nos magoa, essas mágoas também vão permanecer para sempre, por vezes são capazes de fazer esquecer os bons momentos. A mágoa tende a prevalecer, a ficar ali viva, recalcada, tornando-se superior ao bom.  A vida é boa quando se está feliz, tem sabor a doce de amora, tem o perfume das rosas e a alegria da primavera. A mágoa torna-nos infelizes, com sabor amargo na boca e no estomago, rouba-nos a alegria de viver, impede que que vejamos mais além, impede que vejamos os outros e obriga-nos a escondermos-nos dentro da nossa concha como um caracol.

A vida partilhada é melhor que uma vida solitária, fomos concebidos para viver em comunidade, uns com os outros, para fazermos  e sermos felizes com os outros. Nada vive para si mesmo, os rios não bebem a sua própria água, as árvores não comem os seus próprios frutos, as flores não espalham os seus perfumes para si mesma e o sol não brilha para ele próprio. Nós não podemos viver para nós mesmos, seria um egoísmo total e nos afogariamos nesse mesmo egoísmo!

Viva para os outros e estará a viver para si, porque será feliz fazendo a felicidade dos outros!

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Porquê que há dias que nada me inspira

06.09.18 | Maria Flor

Há dias em que a minha cabeça parece oca, nada que eu olhe me inspira para coisa nenhuma, fogem-me as idéias, fogem-me as palavras, tudo me soa a vazio e me puxa para baixo. 

Se o dia está cinzento pior um pouco, olho o horizonte e não vejo nada, gosto das manhãs de Setembro ensolaradas, sentir a frescura da madrugada e da noite, não gosto desta cor cinza que me rodeia por todos os lados.

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"Fui eu quem se fechou no muro e se guardou lá fora
Fui eu que num esforço se guardou na indiferença
Fui eu que numa tarde se fez tarde de tristeza
Fui eu que consegui ficar e ir embora

E fui esquecido
Fui eu
Fui eu que em noite fria se sentia bem
E na solidão sem ter ninguém fui eu
Fui eu que em primavera só não viu as flores
e o sol
Nas manhãs de setembro

 Eu quero sair

Eu quero falar
Eu quero ensinar o vizinho a cantar
Eu quero sair
Eu quero falar
Eu quero ensinar o vizinho a cantar
Nas manhãs de setembro"

(Vanusa)