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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Visita à igreja

28.09.16 | Maria Flor

Entramos na igreja para a visitar, eu e a pequenita, num dos altares laterais dentro de uma caixa de vidro estava Jesus morto, e a pequenina pergunta:

- Porquê que Ele está morto assim?

- Porque os maus O mataram numa cruz, respondo

- Ele não era mau, porquê que os maus o mataram se ele era bom?

E as perguntas e respostas continuaram, eu fazendo um esforço tremendo para responder às perguntas de acordo com a idade dela e de forma que ela compreedesse.

Muitas perguntas me embaraçaram porque a coriusidade infantil não tem limites e não admite ficar sem resposta e não aceita um "porque sim".

De modo que tive que improvisar uma lição de catequese que veio mesmo a propósito do ìnicio da catequese, a pequena vai entrar para o primeiro ano!

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Fios e agulhas

27.09.16 | Maria Flor

Sim, eu sei que o tempo ainda está muito quente mas já me apetece mexer nos fios de lã e nas agulhas, de fazer o gostinho ao dedo e fazer surgir umas costas e uma frente mais umas mangas e uma gola e poder exibir uma bonita peça de tricô que vai aquecer o pequenito no inverno. Depois, para completar o conjunto faz-se um fofinho gorro e não há frio que entre!

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São um perigo as palavras

22.09.16 | Maria Flor

 

"Sempre amei por palavras muito mais

do que devia,

são um perigo
as palavras,

quando as soltamos já não há
regresso possível,
ninguém pode não dizer o que já disse,
apenas esquecer, e o esquecimento acredita
é a mais lenta das feridas mortais,
espalha-se insidiosamente pelo nosso corpo
e vai cortando a pele como se um barco
nos atravessasse de madrugada

e de repente, acordamos um dia
desprevenidos e completamente
indefesos,

um perigo
as palavras,

mesmo agora,
aparentemente tão tranquilas
neste claro momento em que as deixo em desalinho,
sacudindo o pó dos velhos dias
sobre a cama em que te espero!"

(Alice Vieira)

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Primeiro dia de escola

19.09.16 | Maria Flor

"No velho casarão do convento é que era a aula. Aula de primeiras letras. A porta lá estava, amarela, com fortes pinceladas vermelhas, ao cimo da grande escadaria de pedra, tão suave que era um regalo subi-la. Obra de frades, os senhores calculam... Já tinha principiado a aula quando a Helena entrou comigo pela mão. Fez-se um silêncio nas bancadas, onde os rapazes mastigavam as suas lições e a sua tabuada, num ritmo cadenciado e monótono, cantarolando. E ouviu-se então a voz da Helena dizer para o senhor professor, um de óculos e cara rapada, falripas brancas por baixo do lenço vermelho, atado em nó sobre a testa:

– Muito bons-dias. Lá de casa mandam dizer que aqui está a encomendinha.

 Oh! Oh! A encomendinha era eu, que ia pela primeira vez à escola. Ali estava a encomendinha!

 – Está bem, que fica entregue. E lá em casa como vão?

E enquanto o velho professor me tomava sobre os joelhos, a Helena enfiava-me no braço o cordão da saquinha vermelha, com borlas, onde ia metido nem eu sabia o quê. Meu pai é que lá sabia... E ali estava eu entre os joelhos do senhor professor, com o boné numa das mãos e a saquinha vermelha na outra, muito comprometido. A Helena, que sorria contrafeita, baixou-se para me dar um beijo, e disse-me adeus..."

(Do livro os” Meus Amores” de Trindade Coelho).

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A

Percorri um longo caminho para a liberdade

17.09.16 | Maria Flor

."Um homem que rouba a liberdade a outro é prisioneiro do ódio, está preso por trás das grades dos preconceitos e da estreiteza de vistas. Não sou verdadeiramente livre se tiro a liberdade a alguém, da mesma forma que não sou livre quando me tiram a minha liberdade. O opressor e o oprimido são igualmente privados da sua humanidade.....

 

...Percorri um longo caminho para a liberdade. Tentei não fraquejar, dei passos errados ao longo do percurso. Mas descobri o segredo, que ao longo de uma grande montanha, apenas se descobre que há muitas, muitas mais montanhas para subir. Parei aqui um pouco para descansar, para dar uma olhada à vista maravilhosa que me rodeia, para olhar para a distãncia de onde vim. Mas posso descansar somente por um  momento, porque com a liberdade veem as responsabilidades -- e não me atrevo a demorar-me pois a caminhada ainda não terminou."

  ([Nelson Mandela / longo caminho para a liberdade)

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Ãnsia

16.09.16 | Maria Flor

Ela esperava nervosamente a chamada telefónica que teimava em não surgir. Quantas vezes já olhara para o aparelho que, mudo fazia parte da decoração do hall de entrada da casa. Já perdera a conta às vezes que percorrera a casa de cima a baixo numa ãnsia desesperada de ouvir aquele toque... As horas deslizaram umas atrás das outras e o dia lentamente chegou ao fim. Um dia perdido! A noite chegou e passou com a mesma tranquilidade de sempre, cumprindo o seu ritual. Hoje é um novo dia, um dia que se quer vivido e produtivo. Ultrapassadas as ãnsias, estas geraram forças para melhor viver a vida.

São tão simples as coisas que possuem o poder de tornar feliz o dia do ser humano, apenas é preciso estar atento para chegar ao fim do dia com aquela sensação de que se fez o que o que era esperado ser feito e que lhe enchesse o coração.

Uma pessoa idosa que necessitou de ajuda para atravessar a estrada; um viajante que com uma pequena informação conseguiu chegar ao seu destino; alguém que só precisava que outro o escutasse e lhe dispensasse um pouco do seu tempo e atenção... São tantas as pequenas/grandes coisas que podem fazer a alegria de uns e acalmar a ânsia que por vezes devora as entranhas de outros e lhes consome a energia!

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