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Abrigo das letras

Um blogue para interagir com as pessoas partilhando imagens, ideias e pensamentos!!

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O menino do pijama às riscas

Maria, 07.05.16

Pequeno resumo:
O rapaz do pijama às riscas conta-nos a história de Bruno, um menino alemão de oito anos que, certo dia repentinamente tem de sair da sua confortável casa em Berlim para ir para uma casa horrível em Acho-Vil, sem os seus três amigos, só podia brincar com a Gretel, a sua irmã, com quem não podia contar muito, uma vez que ela tinha ideias estranhas.

 

No primeiro dia, Bruno vê da janela do seu quarto “uma quinta”( um campo de concentração) que ele entendeu como sendo uma quinta cheia de crianças e adultos. Bruno adorava explorar coisas e lugares, por isso, decidiu ir ver a quinta e falar com as crianças de lá, é aí que encontra Shmuel, um menino de também oito anos de "pijama às riscas", e assim se trava um amizade entre dois meninos com uma cerca de arame farpado a dividi-os.

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Certo dia o pai de Bruno diz-lhe que ele, a mãe e a Gretel vão voltar para a casa de Berlim, Bruno não quer porque, isso significa separar-se do Shmuel, o seu amigo, então vai contar que vai voltar para Berlim e Shmuel conta-lhe que o seu pai desapareceu. Bruno diz-lhe que na próxima manhã antes de partir vai ter com ele. Leva uma grande sanduiche para o amigo e leva também uma pá e, os dois escavam uma passagem por debaixo do arame, Bruno passa para o outro lado da vedação e ajuda-o a encontrar o pai, seria a sua última aventura.

 

E assim foi, mas quando Bruno estava a preparar-se para ir para casa, chegam os guardas e mandam-nos para uma câmara de gás, que, segundo Bruno, era uma sala quente para as pessoas se abrigarem da chuva (a inocência e bondade de Bruno são espantosas).

 

Um filme que deixa uma pessoa com o coração nas mãos! 

(Ainda pode vê-lo nas gravações automáticas)

As memórias de uma casa

Maria, 06.05.16

Por várias vezes tenho reparado naquela casa que tem na varanda um letreiro que diz "Vende-se". Soube há algum tempo que o seu proprietário morreu, ele vivia ali com uma senhora, pessoas "entradotas" na idade, para não dizer idosas, porque já o eram, pessoas que eu conhecia e que via várias vezes a passear de carro e também a almoçar num restaurante que eu regularmente frequentava.

 

O senhor morreu, quanto à senhora, nunca mais a vi. O jardim da casa estava sempre bem cuidado, as flores que o embelezavam estavam sempre coloridas, a piscina estava sempre azul. Agora, o jardim tem um aspeto pouco cuidado, a piscina está vazia, os estores estão sempre para baixo, a vida que existia naquela casa e naquele jardim desapareceu.

 

Hoje, quando passei por aquela rua, olhei para a casa, o letreiro já não estava lá. Certamente que já foi vendida.

A casa voltará a ter vida, a piscina voltará a ter gente a mergulhar nela, as flores voltarão a desabrochar bonitas e coloridas.

 

Os novos proprietários irão dar uma renovação à casa, com tinta nova irão apagar memórias que aquelas paredes testemunharam, irão apagar momentos de amantes que dentro daquelas paredes segredaram palavras que só eles ouviam. Com a substituição dos móveis irão apagar o conforto que se viveu afundado num sofá macio, irão apagar as noites passadas no aconchego de uma sala aquecida por uma lareira, irão apagar a azáfama que se viveu nas vésperas de natal na preparação da consoada. Com outras vidas, irão apagar as vidas que já se apagaram nas paredes daquela casa. Com a renovação da casa, irão apagar todas as memórias vividas, irão criar novas memórias....

 

Mas as memórias dos mortos não se resumem apenas às memórias que as paredes presenciam. Essas memórias podem-se apagar com o rolo e a tinta ou o papel de parede e a substituição dos móveis. As memórias dos mortos ficam na memória dos vivos que os amaram, aí sim, eles permanecem sempre vivos, independentemente das paredes que os protegeram!

Follow friday Fashion

Maria, 06.05.16

Todos os dias leio alguns blogs que sigo e também leio sempre alguns pela primeira vez. É imenso este mundo dos blogs, é uma oportunidade de entrarmos um pouco dentro do raciocínio de pessoas diferentes e, aprendermos e partilharmos com elas a forma de ver o mundo.

 

Sendo a primeira vez que entro neste desafio de follow friday, recomendo o blog da fashion, pela forma simples e descontraída que escreve e os temas que aborda!

 

Recomendo a visita ao blog de fashion

 

Bom fim de semana para todos

Dia de espiga - este ano muito molhado

Maria, 05.05.16

Hoje é feriado municipal em alguns concelhos do país, celebra-se o "dia da espiga" que ocorre quarenta dias após a Páscoa.

Quando era ainda menina, costumava ir em grupo para o campo com outras crianças da minha idade, colhiamos flores amarelas, brancas, papoilas, um raminho de oliveira, espiga de trigo e também outros tipos de espigas ou flores que achavamos bonitas e podiam enfeitar os nossos ramos de espiga. Compunhamos assim um bonito ramo que traziamos para casa e penduravamos num determinado sítio de forma a poder ficar até ao próximo ano.

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 Felizes percorriamos grandes distãncias por caminhos tortos, outrora muito usados pelos burros. Carregados, transportavam das hortas e fazendas, os produtos que os seus donos produziam.

 

Esta era uma tarde de excelência passada com muita brincadeira, risadas e também faziamos jogos. Iamos até um sitio onde passava um pequeno rio. Ali, havia uma azenha antiga e para nosso contentamento demorávamos tempo a explorá-la e a tentar perceber como funcionava aquela engenhoca. O sítio era lindo, a água corria transparente se não tivesse havido chuva, alheia ao que se passava em seu redor, sentávamo-nos ali, à beira do rio e atirávamos pedras para poder ver a água saltitar, era ladeado por altas árvores e tudo em seu redor era vegetação verde de uma frescura entonteante, era um local de sonho. Para nós, crianças era um local de sonho para brincar e fazer os nossos jogos. Só vinhamos aqui no dia da espiga.

 

Durante o percurso que faziamos até ao rio iamos apanhando a nossa espiga, tinhamos que colher além das flores amarelas e brancas e as outras que serviam apenas para dar mais alegria ao ramo, era essencial que encontássemos:

 

A espiga de trigo, essa espiga representava o pão - o desejo para que nunca faltasse comida.

 

Raminho de oliveira - significa "Paz e Luz", a pomba da paz trazia no bico um raminho de oliveira e antigamente as pessoas davam luz á noite com lamparinas de azeite.

 

As flores  - a cor das flores simboliza a alegria,

 

Os malmequeres - significam riqueza,

 

As papoilas - representam o amor e vida,

 

Alecrim - transmite saúde e força.

 

O sol já quase se punha no horizonte quando regressávamos. Tinha sido um dia para ficar na memória, para um dia contar aos filhos como era "apanhar a espiga" nos anos sesseta/setenta. Faziamos o caminho de regresso pelo mesmo caminho de ida ou por outro carreiro qualquer, eram dias que não cabiam em um só dia, era felicidade espelhada em cada rosto, era a natureza em todo o seu explendor vista pelos olhos das crianças! 

 

 

 

 

 

 

 

O livro que leio

Maria, 04.05.16

 

O livro que leio, prende-me a atenção, encontro-me dentro dele, naqueles lugares, vivendo aquelas situações, aqueles momentos, não percebo que os minutos, as horas não param só porque estou a ler um livro. Os olhos cansados, a boca seca avisam-me que é hora de fazer uma pausa. Sacudo os ombros, esfrego os olhos, estico as pernas e levanto-me. Vou buscar um copo de água, a água molha a minha boca, desliza pela minha garganta, refresca o interior do meu corpo.

 

A água que bebo é da torneira, dizem que a água da torneira tem um sabor esquisito, que sabe a desinfetante. Eu bebo água da torneira, houve um tempo em que bebia água engarrafada mas, cheguei à conclusão que não fazia sentido andar a carregar e a pagar garrafões de água, quando a torneira está ali sempre à mão. Cheguei também à conclusão que a água engarrafada é apenas e somente uma máquina de fazer dinheiro para alimentar indústrias e enriquecer uns tantos, porque um dia alguém se lembrou de dizer que a água da torneira tinha mau sabor.

 

Dou alguns passos pela casa, volto a esticar as pernas e a sacudir os ombros, o meu olhar estende-se para lá das vidraças da janela que dá para a varanda, ao longe está o mar, ali mais perto está uma estrada, nela, passam carros e os carros levam pessoas. A praia não está longe, o mar parece estar calmo e o sol é quente (hoje tem sol, amanhã vai estar chuva) dizem eles na metereologia. Hoje está sol, as pessoas passam nos carros, talvez vão até à praia, talvez vão buscar as crianças à escola....

 

Volto ao meu livro, devoro palavras atrás de palavras, palavras que fazem sentido no contexto em que estão inseridas. Às vezes, tenho que voltar atrás na leitura para perceber o que está escrito à frente, outras vezes estou a ler e o pensamento fugiu para outra dimensão qualquer, nessas vezes, também tenho que voltar atrás para reler aquilo que li sem ler.

 

Quando isso acontece, é o subconsciente que me está a avisar que é hora de fazer uma pausa e beber mais um copo de água.

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Os Desafios da Abelha

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