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Abrigo das letras

Abrigo das letras

O livro que leio

 

O livro que leio, prende-me a atenção, encontro-me dentro dele, naqueles lugares, vivendo aquelas situações, aqueles momentos, não percebo que os minutos, as horas não param só porque estou a ler um livro. Os olhos cansados, a boca seca avisam-me que é hora de fazer uma pausa. Sacudo os ombros, esfrego os olhos, estico as pernas e levanto-me. Vou buscar um copo de água, a água molha a minha boca, desliza pela minha garganta, refresca o interior do meu corpo.

 

A água que bebo é da torneira, dizem que a água da torneira tem um sabor esquisito, que sabe a desinfetante. Eu bebo água da torneira, houve um tempo em que bebia água engarrafada mas, cheguei à conclusão que não fazia sentido andar a carregar e a pagar garrafões de água, quando a torneira está ali sempre à mão. Cheguei também à conclusão que a água engarrafada é apenas e somente uma máquina de fazer dinheiro para alimentar indústrias e enriquecer uns tantos, porque um dia alguém se lembrou de dizer que a água da torneira tinha mau sabor.

 

Dou alguns passos pela casa, volto a esticar as pernas e a sacudir os ombros, o meu olhar estende-se para lá das vidraças da janela que dá para a varanda, ao longe está o mar, ali mais perto está uma estrada, nela, passam carros e os carros levam pessoas. A praia não está longe, o mar parece estar calmo e o sol é quente (hoje tem sol, amanhã vai estar chuva) dizem eles na metereologia. Hoje está sol, as pessoas passam nos carros, talvez vão até à praia, talvez vão buscar as crianças à escola....

 

Volto ao meu livro, devoro palavras atrás de palavras, palavras que fazem sentido no contexto em que estão inseridas. Às vezes, tenho que voltar atrás na leitura para perceber o que está escrito à frente, outras vezes estou a ler e o pensamento fugiu para outra dimensão qualquer, nessas vezes, também tenho que voltar atrás para reler aquilo que li sem ler.

 

Quando isso acontece, é o subconsciente que me está a avisar que é hora de fazer uma pausa e beber mais um copo de água.

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Laranjas e lágrimas

Separo três laranjas das restantes, porque escolho aquelas e não outras, não sei. O eu que existe dentro de mim levou-me a escolher aquelas, deve haver uma razão. Pego numa faca e pego na primeira laranja, com um golpe separo o que era apenas uma unidade, agora são duas metades. Olho por alguns momentos aquelas duas metades a escorrer sumo, com os caroços igualmentes divididos ao meio, brancos, também eles têm sumo. Agora, tudo está dividido ao meio. Como um casal de apaixonados quando se zanga, vai um para cada lado, o que era uma união que tinha tudo para jamais se separar, agora, também está dividido ao meio. São duas metades de uma unidade, são duas metades de um casal.

 

As minhas laranjas cortadas ao meio, escorrem sumo, se não as espremer e verter o seu sumo para dentro deste corpo que transporta o meu eu, as batérias vao começar a deteriorá-las. Assim, pego no espremedor de citrinos e começo a espremê-las, o sumo escorre, fica apenas a casca forrada por aquela matéria branca que se encontra entre a casca e a parte sumarenta da laranja, ficam também os residuos onde se encontrava alojado o sumo. Olho aquilo, satisfeita, bebo, é bom, é saboroso.

 

O casal de apaixonados que se separou, não são como as laranjas. O casal que se separou vai sofrer cada um isoladamente, vai andar triste e vai verter lágrimas, não são lágrimas doces, as lágrimas nunca são doces como as laranjas, as lágrimas são quase sempre salgadas, recheadas de amargura e desilusão!

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