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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Se fosse eu

O que colocava eu, numa mochila se tivesse que fugir da guerra e pedir refúgio noutro país? Não podia levar uma mochila muito grande porque não teria força para a carregar, então levaria: Umas calças de ganga, duas camisolas finas ou grossas conforme o tempo, um casaco de malha, alguma, pouca roupa interior, uma toalha de rosto e outra mais pequena, alguns produtos básicos de higiene, bolachas, uma garrafa de água, telemóvel e carregador, óculos de ver ao perto, um boné, dinheiro e cadernos mais esferográfica para escrever acontecimentos, sentimentos, alegrias e tristezas. Seria mais ou menos isto, porque se sobrasse algum espaço ainda meteria mais qualquer coisa, se faltasse teria que tirar. 

 

Isto seria o que levaria na mochila porque, no coração levaria a minha família e amigos, a minha casa, o meu país, muita saudade que começaria a sentir mesmo ainda de ter partido e um medo atroz do mar, da viajem, da entrada noutros países e, se conseguisse chegar a um país de acolhimento o meu medo diminuiria, ainda assim teria medo da minha adptação ao país, às pessoas.

 

Levaria também muita esperança, esperança de conseguir um futuro melhor e tranquilo, esperança de ser bem acolhida, esperança de um dia voltar ao meu país quando acabasse a guerra.

 

Levaria sem dúvida, medo e esperança que não caberia em nenhuma mochila!

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Actividade fisica

Arranjava sempre desculpas para não se inscrever no ginásio, na hidroginástica ou mesmo fazer caminhadas. Em vez disso, nos tempos livres que dispunha, sentava-se a ver televisão, no computador ou a ler. Raramente saía para passear, tornara-se numa pessoa quase solititária. Sentia falta de alguma coisa, sentia falta de convivio, sentia falta de mexer as pernas, mas adiava, e quanto mais adiava, mais só se sentia, até que um dia disse para si mesma, basta.

 

Temos que dar uma volta a isto.

 

Nas gavetas procurou o equipamento que há muito, jazia esquecido. Vestiu-o e saiu para a rua, o calçadão esperava-a, sentira a falta dos seus passos em rítmo moderado, que anteriormente o percorriam quase diariamente. Encontrou muitas pessoas que conhecia, parou várias vezes para travar dois dedos de conversa, voltou a sentir a adrenalina no corpo. No final, cansada mas satisfeita, de regresso a casa, pensou - porque raio deixei eu, isto?

 

Hoje é dia de "actividade fisica", não deixemos que o sedentarismo nos atrofie os movimentos. Ele será a causa de muitas doenças que poderemos vir a desenvolver no futuro!

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