Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Abrigo das letras

Abrigo das letras

O dia era de nevoeiro

O dia era de nevoeiro, não se via um palmo à frente do nariz. Também estava frio. Enrolada numa manta, assistindo a um daqueles programas que passava na televisão tipo " Júlia Pinheiro ou Cristina Ferreira", enchera uma chávena de chá que lentamente fumegava em cima da mesa, obervava sem ver aqueles anéis de vapor que se desfaziam no ar, o seu olhar distante detinha-se na televisão, mas na verdade nem via o que passava, ouvia falar, nem sabia o que diziam... a manta aquecia-lhe as pernas, o pensamento divagava, estava a muitos quilómetros dali, dir-se-ia que flutuava numa outra dimensão, num outro mundo.

 

O pensamento levara-a para aquele dia frio de Inverno, aquele dia que levara tanto tempo a chegar de tanta ansiedade que o antecedeu, vestira-se toda de branco, cobrira as mãos com umas luvas também brancas, na cabeça usara uma tiara, um taxi a transportou até à porta da igreja onde os convidados a esperavam. Chegara primeiro que o noivo, não era suposto ser assim, o noivo atrasara-se. Finalmente ele chegou. Estava nervosa como qualquer noiva, mas tranquila, tinha a certeza absoluta que viria. Ele de braço dado com a madrinha ela de braço dado com o padrinho, entraram na igreja, dirigindo-se ao altar onde o padre os esperava, iriam dizer o "sim" um ao outro. 

 

Casara naquele dia frio e chuvoso de Inverno " casamento molhado, casamento abençoado" assim diz o ditado popular. O dia foi de festa, o dia foi inesquecível. Cantou-se à desgarrada, bebera-se uns copos a mais.

Uma vida a dois começara, era o principio do resto das suas vidas, até que a morte os separe, como prometeram no altar. Esperavam envelhecer juntos.

 

A morte chegou cedo demais...

nevoeiro.jpg

 

 

 

 

Fotos em papel

 Fotos em papel... quem se dá ao trabalho de, nos tempos que correm, mandar "revelar" fotos? certamente que ainda deve haver gente que gosta de ver as fotos "palpáveis" em vez de ser tudo digital. Pois, a mim deu-me para agarrar na pasta das imagens do computador e fazer uma seleção de fotos para mandar fazer em papel e organizar um album para a posteridade. Os anos passam tão depressa, cada dia que passa aparece mais uma ruga, uma mancha ou uma expressão que não existia no dia anterior, mais uma maleita para juntar às existentes, mais um pormenor que tanta importância tinha ontem, hoje já não tem nenhuma, ou vice verça...

 

Fotos em papel... já está ultrapassado é certo, no digital onde está a sensação de folhear os albuns e deixar escapar aquela exclamação " olha só como eu tinha a pele tão liza" ou " olha eras tão rechonchudinha" e continuar a folhear, a folhear e a recordar as viajens, os passeios, as festas,  ou apenas a "pose" para a fotografia.

 

Fotos em papel... tenho saudades das fotos em papel, por isso a seleção está em curso e um destes dias vão sair do computador para um album personalizado, para algo palpável que irá dar prazer daqui a uns anos folhear.

albuns.jpg