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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Aceito o café

Levantara-se com um propósito, no dia anterior tinham combinado aquele encontro, há muito que ansiava por ele. Não se viam há mais de três anos, mantinham uma amizade especial, não se tinha esquecido dele, embora se tivesse habituado a viver sem pensar nele. Naquele dia uma mensagem nas redes socias fez despoletar o que parecia estar esquecido.

Abrira o armário da roupa e procurara peças que combinassem bem entre si, queria se apresentar bem. Um pouco de batom, um pouco de perfume, estava pronta para sair, tinha expectativas!

Chegara ao local combinado, era um grande jardim público, as árvores seculares e imponentes estavam ali para presenciar um encontro entre duas pessoas que não se viam há muito tempo, que ansiaram uma pela outra sem o nunca o terem dito, tinham se afastado sem se nunca se terem tocado, apenas os seus olhos disseram o que as bocas calaram.

Agora, iam  se encontrar, ela estava ansiosa.

Sentara-se num banco, esperou, ele tardava, o telemóvel emitiu o som de uma mensagem a chegar, abriu a mensagem "não posso ir", apenas isto - não soube o que pensar.

Voltou a sentir aquele amargo no estomago, aquele amargo que se sente quando comemos algo que não sabe bem, desiludida, olhou triste o telemóvel e levantou-se, caminhou pelo jardim, olhou as flores, achou-as lindas e pensou - que direito tenho eu em estar triste por esta desilusão, se tenho a possibilidade de passear neste jardim lindo onde tudo cresce com uma beleza estonteante, onde a paleta de cores inebria, onde as árvores parece que conversam connosco.

Ao longe, observa um casal muito jovem de namorados que passeia de mão dada, riem e brincam - como é linda a juventude - pensa. O seu tempo de jovem já passou, também já passeou assim naquele mesmo local de mão dada com o amor da sua vida. As lembranças, são sempre as lembranças que vêem

Sai do jardim ainda com aquela sensação de desilusão, entra num café e pede um café, bebe-o sem acúcar, não suporta o café doce, alguém se aproxima dela e lhe pergunta se pode se sentar ali e pagar-lhe o café, - sim aceito o café!

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