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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Malditas moscas

26.11.15 | Maria Flor

Raio da mosca que não vê outro sítio para pousar que não seja a minha mão, já me estás a enervar!

- espera lá que já te aplico a sentença.

Levanto-me com a fúria de quem está irritado, vou à cozinha buscar aquela coisa com que se anda á caça das moscas e é uma dança pela sala. Eu a bater nas portas, paredes e armários e ela a gozar comigo, saltitando daqui para ali, mum vai e vem divertido, gozando com a minha raiva. Mosca maldita e irritante, tenho que te apanhar. Foi desta, esmagada contra a parede - não me irritas mais. Apareceu outra, em solidariedade com a parceira - malditas moscas,  e recomeça a cena do crime!

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 (Imagem tirada da net)

A gatinha

21.11.15 | Maria Flor

A janela do quarto foi aberta para deixar entrar uma ténue réstia de sol. A pequena e fofa gatinha de pêlo tigrado não se fez rogada, aproveitou e saltou a janela, instalou-se e muito bem (para ela) no centro da cama onde a réstia de sol incidia. Quando a dona da casa abriu a porta do quarto, pousou os seus olhos nos olhos da gata, as duas pensaram na mesma coisa mas de maneiras diferentes e entenderam-se perfeitamente - sem mais palavras, a gatinha saltou da cama para o chão e deste para o sítio por onde tinha entrado, neste caso a janela. A gatinha tal como outros gatos (muitos que circulam por ali) e nenhum da dona da casa, mas todos dos vizinhos, passeiam pelo quintal, deitam-se à sombra das árvores, abrigam-se nos telheiros e fazem parte do dia a dia da senhora Deolinda. A senhora Deolinda não gosta de gatos dentro da sua casa, por isso não tem nenhum seu, mas gosta deles e de os ver por ali!

A senhora Deolinda acha os gatos uma fofura, jamais lhes faria algum mal.

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(imajem tirada da net)

Dia do pijama

19.11.15 | Maria Flor

Avó anda ver as cazinhas que eu e o mano trouxemos da escola - Marianinha pega na mão da avó e mostra-lhe as cazinhas, são lindas diz a avó. Marianinha vai explicando que amanhã é dia do pijama e todos os meninos vão de pijama para a escola, podem levar também um peluche e uma almofada. Avó podes dar uma moeda para colocar dentro da cazinha, é para ajudar os meninos que não não têm que comer nem brinquedos para brincar.

 

A avó dá-lhe a moeda, Marianinha fica feliz!

 

Amanhã é o "dia do pijama"

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A noite chegou cedo demais

19.11.15 | Maria Flor

A noite chega e a tarde sente-se com se lhe roubassem uma parte de si,

o dia foi cortado ao meio, como que lentamente apunhalado,

a luz natural desapareceu, e o clima torna-se nostálgico

como as sombras fantasmóricas que os pinheiros lançam,

o sol se escondeu envergonhado por tão cedo recolher, 

tudo escureceu,

a noite chegou cedo demais!

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Descalços na areia

13.11.15 | Maria Flor

No meu sonho caminhavamos os dois descalços, de sapatos na mão, na areia dourada da praia, de mão dada, trocando carinhos, fazendo planos, a esperança no futuro nos fazia avançar sem medo, a vida nos sorria. Lentamente as pequenas ondas iam e vinham despejando pedaços de espuma branca que logo se desvaneciam na areia. Os nossos pés recebiam o beijar da espuma como uma carícia fresca que aveludava o caminhar sobre a areia. O sol quase a pôr-se no horizonte oferecia uma panorâmica maravilhosa e romântica num entardecer de outono. Olhei para trás e vi as nossas pegadas que calcavam a areia fina e vi que preenchiam apenas um curto espaço e me sobressaltei... porque seria que não estavam lá todas as pegadas? O meu sonho se estendeu para além disso e deu um salto para lá do tempo, comecei a ver coisas que me atormentavam o espírito e nesse momento acordei...

Acordei e fiquei feliz por ter vivido aquele momento mesmo em sonho e percebi que o curto espaço de tempo, foi o tempo em que me mostraste a vida, me ensinaste a viver e fizeste crescer vida dentro de mim, me fizeste feliz. Um dia algo provocou o caos nas nossas vidas e percebemos com profunda tristeza que já não havia tempo para realizar os nossos planos, que o sol tinha deixado de brilhar para nós e tu te tornaste numa estrela a iluminar as minhas noites, a  dar-me força e a guiar-me  na terra até um dia...

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Pneumonia

12.11.15 | Maria Flor

O Dia Mundial da Pneumonia assinala-se a 12 de Novembro.

 

Este dia celebra-se desde 2009, com o objetivo de consciencializar o mundo sobre a principal causa de morte nas crianças com menos de 5 anos e de gerar ações que combatam este mal. As iniciativas deste dia consistem em exposições, encontros,colóquios, entre outros.

 

O que fazer no dia mundial da pneumonia?

Divulgar o Dia Mundial da Pneumonia;

Difundir os perigos da Pneumonia e as vantagens da vacinação contra a doença;

Fazer uma doação para instituições de luta contra a pneumonia.

 

Dados sobre a pneumonia

Apesar de ser um dos males mais facilmente prevenidos na saúde mundial (através da vacinação), de 20 em 20 segundos morre uma criança vítima de pneumonia. Cerca de 99% dos óbitos derivados da pneumonia registam-se em países em desenvolvimento.

Um simples tratamento com antibióticos, que custa menos de 1 euro, é capaz de curar a pneumonia se for iniciado suficientemente cedo.

A doença mata três milhões de pessoas por ano, contando cerca de 476 mil mortes infantis, de acordo com a Organização Mundial de Saúde.

Sintomas da pneumonia:

Dores no tórax, expetoração com secreção amarela (por vezes com sangue), falta de ar, febre e tosse forte.

 

Pneumonia é uma doença  inflamatória no pulmão, afetando especialmente os sacos de ar microscópicos (alvélos) associada a febre, sintomas no peito e falta de espaço aéreo. A pneumonia é geralmente causada por uma infecção, mas há uma série de outras causas. Os agentes infecciosos são: bactérias, virus, fungos e parasitas.

 

Lenda de S. Martinho

11.11.15 | Maria Flor

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Verão de S.Martinho, bem quentinho, parece que estamos no principio de Setembro.

 

Martinho era um valente soldado romano que estava a regressar da Itália para a sua terra, algures em França quando aconteceu o famoso episódio do manto, que poderá ter ocorrido no ano de 337, próximo da capital da Picardia.

 

Reza a história que um dia, quando regressava no seu cavalo, atravessando montanhas altas e frias, um mendigo com roupas esfarrapadas tiritando de frio pediu-lhe esmola e, como nada tinha para oferecer e ajudar o infeliz, o cavaleiro cortou seu próprio manto vermelho com a espada, dando metade ao pedinte. Contam os relatos escritos que, durante a noite, o próprio Jesus lhe apareceu em sonho, usando o pedaço de manta que dera ao mendigo e agradeceu a Martinho por tê-lo aquecido no frio. Dessa noite em diante, ele decidiu que deixaria as fileiras militares para dedicar-se à religião.

 

Conta ainda a lenda que Martinho normalmente andava bem agasalhado para a época e que o mau tempo, as nuvens e o frio que se faziam sentir, como por milagre desapareceram, dando lugar a um céu sem nuvens, com sol e uma temperatura quente. Por essa razão, normalmante por esta altura o tempo está bom e se diz que é verão de s. Martinho!

 



 

O Sr Bernardo

09.11.15 | Maria Flor

O sitio e a posição em que aquele cadeirão se encontrava disposto naquela sala oferecia uma visão perfeita a quem nele se sentasse, de tudo o que se passava em redor. O Sr. Bernardo, era uma pessoa quase obesa, a sua barriga enorme e muito redonda fazia lembrar uma bola de pilates, deslocava-se com a ajuda de uma bengala e possuia igualmente um rosto redondo e um soriso encantador, habitualmente ocupava o cadeirão  quando lia o jornal, gostava de estar informado e gostava de ocupar o tempo, embora o cadeirão lhe oferecesse uma boa visão de tudo, nunca se ouvia um comentário de crítica a alguma coisa ou a quem quer que fosse. Ele presenciava e ouvia muitas coisas. O Sr. Bernardo era uma pessoa educada e culta. Quando ela chegava cumprimentava-o sempre com um alegre "bom dia sr. Bernardo" ele dirigia-lhe aquele bonito sorriso como cumprimento. Gostava de boa comida e bem regadinha.

 

Porém, naquele dia o Sr.Bernardo não se encontrava no cadeirão, teria ido ao quarto, ou saído com alguém, as suas pernas e o peso da sua barriga já não lhe permitiam nem grandes nem pequenas aventuras e frequentemente se queixava de desconforto. Não abedicava de bons pratos.

 

O Sr. Bernardo estava no quarto, deitado com a sua barriga apoiada nos lençóis brancos de algodão que cobriam o colchão da sua cama, tinha mau aspeto, estava pálido e sem sorriso nos lábios. Os bons pratos nem sempre ajudavam o bom funcionamento do seu organismo.

 

Naquele dia nada comeu, apenas bebeu chá, tinha que recompor  o funcioamento normal do mecanismo que era o seu corpo, não saiu do quarto e o cadeirão ficou vazio, inerte e frio, embora a temperatura por fora das paredes fosse quente, como um calor de verão. 

 

Há pão por Deus

01.11.15 | Maria Flor

Os saquinhos estavam dentro de uma taça grande em cima da mesa, neles estavam rebuçados, gomas e linguas de gato. O céu estava muito cinzento e a chuva caía em gotas grossas, escorriam pelas varandas e pátios e desaguavam nas caixas pluviais, as crianças não apareciam e os saquinhos ali estavam imóveis à espera.

 

No dia anterior tinha feito uma corrida contra o tempo para comprar e preparar com carinho aquilo que pretendia presentar as crianças neste dia tão especial para elas e para cumprir a tradição.

 

Noutro tempo, quando era criança, esperava por este dia com uma ansiedade algo desmedida. Era com alegria que saía para a rua em grupo com os irmãos e irmãs e também as outras crianças da rua, percorriam durante cerca de duas horas as ruas da aldeia com dois sacos, um de plástico para as pevides e tremoços e outro de pano que a sua mãe confecionava especialmente para o efeito para as restantes coisas que as pessoas iam dando, os sacos vinham cheios, á tarde entretinha-se a separar as goluzeimas que iria comer durante toda a semana. 

 

Os saquinhos continuam á espera.

 

A chuva vai abrandando, a hora vai avançando e alguém toca a campainha, abre a porta e aí está o primeiro grupo de crianças, são oito, cada uma com o seu saco e o seu chapéu de chuva aberto, "há pão por Deus" pronunciam, a senhora responde que sim e que esperem um pouco, volta para dentro de casa e regressa com a taça grande, os saquinhos saltam da taça grande para os sacos das crianças "que bom, gomas" esclama uma, e  uma a uma vão abrindo os sacos. Eles educadamente agradecem e seguem para outra porta. 

 

Os outros saquinhos vão continuar à espera de resgate.

 

O mais divertido não eram própriamente as goluzeimas (embora fossem importantes porque na época não se tinha acesso a coisas doces com facilidade) era sim o convivio, o caminhar, o bater às portas e dizer "há pão por Deus" e vinham as senhoras distribuir o que tinham para dar. No entanto havia sempre alguém que fazia de propósito para não estar em casa nesse dia.

 

A chuva já parou, a campainha volta a tocar e mais um grupo aparece, os chapéus de chuva estão fechados, a taça grande volta a sair à rua e os saquinhos saltam para os sacos das crianças, esta cena se repete para mais alguns grupos destemidos da chuva que não quizeram deixar cair a tradição.