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Abrigo das letras

Abrigo das letras

José Saramago

 

 

Imponente edificio setecentista, o Palácio nacional de Mafra mandado construir por D. João V. Diz-se que para cumprimento de uma promessa se a rainha lhe desse um filho varão. A idéia era construir um convento de franciscanos na vila de Mafra, originalmente a idéia não previa um investimento tão grandioso como o que viria a ser feito. A obra foi encomendada por D. João V e consistia num monumento religioso para agradecer a chegada do seu primogénito. A primeira pedra foi lançada em 1717, mas, à medida que chegavam aos cofres reais mais e mais riquezas do Brasil, o projecto foi redesenhado, acrescentado, e não se olhou a despesas para transformar o pequeno monumento naquilo que é hoje: 40 mil metros quadrados de construção com uma fachada de 200 metros de comprimento e uma altura que atinge os 68 metros nas duas torres; mais de cinco mil portas e cerca de 2500 janelas que escondem numerosas obras artísticas encomendadas pelo monarca à França, Flandres (de onde chegaram os dois carrilhões de 92 sinos, cujo peso se estima em mais de 200 toneladas) ou Itália; e uma biblioteca ricamente ornamentada com um acervo de cerca de 35 mil obras.

José Saramago (Prémio Nobel da literatura) cria em livro "Memorial do Convento", uma história ao redor da construção do convento, criando entre outras, duas personagens ricamente descritas, que dão vida ao livro e o tornam numa leitura deveras interessante a ponto de fundir romance e realidade numa só dimensão.

Blimunda de Jesus é uma mulher do povo, a quem o Padre Bartolomeu, batiza de “Sete-Luas”; Possui o dom de, em jejum, ver o interior das pessoas e das coisas, o que lhe permite recolher as duas mil “vontades” indispensável para o funcionamento da passarola.

Baltasar Mateus, de alcunha Sete-Sóis foi um soldado da guerra da sucessão de Espanha durante quatro anos; Foi dispensado do exército por ter perdido a mão esquerda em combate.

Blimunda e Baltazar são o casal que, simbolicamente, guardará os segredos dos infelizes, dos humilhados, dos condenados, enfim, dos oprimidos.

 

"Memorial do Convento" recomenda-se para as leituras de Verão, aproveitando as férias. É uma leitura apaixonante para quem gosta de romance histórico.