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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Desafio de escrita dos pássaros - Não tenho Tempo para te aturar

Era noite, a hora já ia adiantada, mas o sono não vinha, preocupada, deitada na cama estava, e ouvia o vento desvairado lá fora querendo arrancar tudo dos seus lugares, os estores dançavam dentro dos caixilhos, os assobios eram vivos com a garra de alguém em fúria, a sua força inatingível soprava querendo levar tudo para longe dos seus lugares,  neste vaivém acompanhava-o a chuva a bater nos estores, uma sinfonia até agradável de ouvir quando estamos entre lençóis. Ao som desta música os meus pensamentos deslizam para o assunto da actualidade e dou por mim a rezar, a pedir a Deus que tenha misericórdia do mundo, que alivie o seu povo deste mal tão grande que se abateu sobre a humanidade! E nas minhas preces encontro uma vontade enorme de esquecer certas palavras ditas algures noutro tempo, antes deste tempo, palavras essas: "não tenho tempo para te aturar" palavras ditas a pessoas que agora tenho todo o tempo do mundo para escutar, pessoas que agora estão longe de mim que provavelmente já me esqueceram! Porque vivíamos num mundo de pressas, num mundo de individualismo, de consumismo, e para quê? Agora nos damos conta da inutilidade de tantos dos nossos comportamentos, de tantas palavras ditas sem sentido! Este é um tempo que nos convida à reflexão da nossa existência, o quê e porquê andarmos aqui? temos uma missão a cumprir, não andamos neste mundo apenas por andar.

"Não tenho tempo para te aturar" merece a pena reflectir bem nestas palavras! Pode mudar a nossa forma de lidar com os outros, pode mudar a nossa vida!

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Tudo parece igual a ontem

Da minha varanda observo a rua, tudo parece igual a ontem, a mesma estrada ladeada de casas amarelas, azuis ou brancas, os passeios para caminhar, algumas ervas surgem aqui e ali, os pássaros cantam, a chuva caiu e as plantas revigoraram, as laranjeiras estão floridas, as andorinhas começam a abeirar-se dos seus ninhos, uma ou outra pessoa passa,  tudo parece realmente igual a ontem; no entanto, quando olho as pessoas, nada é igual a ontem, os seus olhares, as suas preocupações e receios estampam-se nos rostos, nas palavras, na incerteza de um futuro que ninguém sabe onde nos conduz. Ontem os carros circulavam uns atrás dos outros numa pressa sempre desenfreada, as pessoas numa correria para o trabalho, para as compras, para levar e buscar as crianças da escola, era uma vida, achávamos  nós, completa, sem tempo para nada, sem tempo para os filhos, para os pais, para os vizinhos, para os amigos, o tempo não chegava e dávamos por nós a pedir mais tempo ao tempo e o tempo nunca chegava!

Hoje o tempo sobra para quem tem que fazer quarentena ou isolamento social, palavras pouco usuais no nosso vocabulário de ontem, o tempo sobra mesmo apelando à imaginação e criatividade na tentativa de reinventar outra forma de viver, outra forma de fazer as coisas, outra forma de comunicar e demonstrar os afectos e carinhos pelos outros.

As noticias cansam, os números cansam, a nossa capacidade de ouvir sempre as mesmas noticias esgota-se, em cada novo dia temos esperança que os números apresentem sinais de abrandamento que nos acalme o espírito, sabemos que esse dia chegará, mas quando não sabemos!

Todos os que estão na linha da frente (frente de batalha) porque esta pandemia provocada pelo virús covid-19 é uma guerra sem igual da qual ninguém está livre, todos os que estão na linha da frente num combate levado à exaustão para salvar vidas, arriscando em cada hora, em cada minuto a sua própria vida, merecem todo o apoio e solidariedade do mundo. Eles sim são os Grandes Heróis nesta guerra, e a nós que estamos no isolamento social eles só pedem que Fiquemos em casa. Tão simples comparado com a luta deles. Pensando neles devemos fazer o que nos pedem para que eles possam tratar de nós! 

Tudo parece estar igual a ontem mas não está!

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Desafio de escrita dos pássaros - Tive uma ideia

Tive um ideia

Será que tive alguma ideia que outros não tenham tido já? Penso que não!

Numa altura em que o mundo vive uma grande guerra contra um inimigo invisível que obriga a um recolhimento social para o qual ninguém estava preparado, ideias não faltam por aí para ocupar o tempo (esse bem que não chegava para tudo o que se pretendia, parecia um bem escasso, e agora sobra e sobra), todos têem ideias, umas mais úteis que outras, mas não deixam de ser ideias. Deste modo, e como o fator tempo tem que ser preenchido de alguma forma, a minha ideia recaiu para o bocadito de terra que faz parte do meu quintal, dedicar-me a criar uma pequena hortinha onde possa colher um pouco de tudo o que gosto de consumir e repartir, assim, alguém me preparou o terreno com uma máquina de modo a que este ficasse fofo e fácil de trabalhar. Depois foi dar largas à imaginação e fazer o plano de onde colocar o quê, resultado, plantei morangos, couves, alfaces, tomateiros, pimenteiros, beringela, courgete e cebola, ainda semeei coentros e cenouras. Agora dedico-me a regar e arrancar ervas daninhas. Todos os dias observo o seu crescimento e posso dizer que me dá uma alegria redobrada ver o crescimento da vida numa altura tão conturbada como esta!

A foto que ilustra este texto não é a minha mini horta mas sim de outras hortas que vou observando por aí e me dão ideias para a minha!

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Desafio de escrita dos pássaros - Foi tão bom não foi!

Vivia-se uma época em que os pais tinham muitas crianças, mais um filho era uma bênção de Deus, por isso na nossa casa éramos muitos irmãos e irmãs, não tínhamos televisão, telemóvel, muito menos Internet, e livros, poucos. O que eram essas coisas? longe de nós imaginar sequer que um dia viríamos a ter isso tudo e que tudo isso iria mudar a vida de todos e todas as formas de vida até aí vividas, como da noite para o dia. Éramos felizes com o pouco que tínhamos, tão felizes como o desafio dos pássaros  quando eles cantam em harmonia uns com os outros. Brincávamos na rua sem qualquer problema, tomávamos conta uns dos outros e ao anoitecer, enquanto a nossa mãe fazia o jantar, nós, as crianças, sentadas no quarto ou na sala fazíamos uma roda e inventávamos as nossas histórias que contávamos para todos. Assim, passavam horas sem darmos por isso inebriados nas aventuras da nossa imaginação e após o jantar íamos dormir tranquilos uns com os outros. 

Ainda hoje, quando falamos da nossa infância, eu e os meus irmãos relembramos sempre essas histórias, às quais demos um nome tão esquisito que nunca mais o esquecemos, lembramos com saudade esse tempo, sentindo a nostalgia própria dessas memórias, de uma felicidade que o tempo não deixou esquecer, levando-nos por vezes a comentar entre nós "foi tão bom não foi!"

Primavera 2020

Primavera

Chegas de mansinho, contigo vêem as andorinhas que no meu beiral regressam aos seus ninhos, contigo despontam flores simples de todas as cores, contigo os dias são maiores e mais mornos, contigo o sol brilha e alegra os corações, os pássaros cantam em sintonia numa maravilhosa sinfonia! Primavera, convidas-me a sair para a rua, não sabes que não devo ir, convidas-me a ficar feliz com todas as coisas boas que me ofereces, mas não sabes que não as posso desfrutar, ainda assim, alheia aos meus problemas e aos problemas do mundo tu, Primavera, todos os dias cumpres o teu dever com a ordem natural das coisas e dás ao mundo aquilo que o faz feliz, não sabes porém, que o mundo está a viver a sua mais dura prova deste século, não sabes porque és apenas uma estação do ano, porém a mais bonita, a mais convidativa, contigo tudo desabrocha e encanta! Alguma vez ouviste falar de Covid-19? Não ouviste porque és apenas uma estação do ano e prossegues o teu destino indiferente aos problemas dos homens; Sabes Primavera, este é um virús terrível espalhado pelo planeta, matando milhares de pessoas, e deixando um rasto destruítivo muito elevado ao nível da saúde e da economia... 

Um dia tudo voltará à normalidade, mas muitas coisas terão mudado, as mentalidades terão mudado, certamente encararemos o mundo sob outra perspectiva! Nada será igual!

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Sobre o Dia da Mulher

"Na década de 1970, o ano de 1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher, e o dia 8 de março foi adotado como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas, com a finalidade de lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independentemente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas".

Ao longo dos anos, das décadas as mulheres têm vindo afirmar-se cada vez mais. Hoje são lideres, são deputadas, são ministras e muitos outros altos cargos que outrora só os homens ocupavam. As mulheres dividem-se em muitas vertentes, são verdadeiras guerreiras em todos os dias da sua vida, a começar pela ginástica com o tempo, assim que se levantam da cama, existe uma panóplia de tarefas que todos os dias executam quase mecanicamente para que tudo se encaixe no devido lugar à hora certa. Existe em cada mulher características únicas que as definem como ser único e todas são importantes independentemente do seu grau académico, religioso, cor ou raça. 

No dia oito de Março vamos celebrar o "Dia da Mulher", vamos fazer com que este dia seja lembrado com o respeito devido, não nos esquecendo da luta, sofrimento e no papel importante ao longo dos tempos que as mulheres desempenharam para que hoje sejamos mulheres livres nos vários aspectos da vida!

Sempre existiu e continua a existir a violência doméstica, um atentado brutal contra os direitos das mulheres, por isso a luta continua!

Milhares de mulheres ao em todo o mundo vestirão vermelho para promover o Dia Internacional da Mulher, portanto, vamos todas colocar uma peça de roupa desta cor que tenhamos no armário. Desta forma, chamaremos a atenção para o compromisso mais importante do dia!

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Inspecções Periódicas

Pronto, chegou o mês da inspecção do carro! Todos os anos é isto: verificar se está tudo em condições no veículo para não ter surpresas na hora. Os peneus estão com bom rasto, não há faróis fundidos, os piscas funcionam, a buzina também, os travões estão bem e o resto também deve estar, o inspector verificará. Posto isto, vamos lá ao centro de Inspecções!

Se gosto de fazer isto? não, não gosto, me dá um certo nervoso, o que me faz esquecer momentaneamente onde estão os sítios que o instrutor me vai dizendo para mexer, mas é só uns instantes de hesitação e lá vou fazendo tudo o que me pedem. O que mais me enerva mesmo é quando ele se põe debaixo do carro e o abana todo comigo lá dentro, parece que estou na corda bamba. Aquilo dura apenas uns escassos minutos e pronto está a inspecção feita. Arranco, estaciono mais à frente e vou buscar o dito papel que vai acompanhar o veículo até ao ano seguinte dizendo para o instrutor: Muito Obrigada e até para o ano se Deus quizer!

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Dias de Nevoeiro

O dia amanheceu cinzento, porém sem chuva, pelo que deu para aproveitar para jardinar, cortar troncos velhos de algumas árvores, arrancar ervas. A meio da manhã começou a chover e pela tarde iniciou-se a formação de nevoeiro que lentamente se foi adensando até se tornar num imenso nevoeiro, daqueles que não deixam ver um palmo à frente do nariz. Estes dias são melancólicos e por vezes temos que fazer um esforço para conservar a calma porque este estado de tempo tende a criar "neura" nas pessoas. Dou por mim a preparar uma chávena de uma bebida quente à base de cevada sem acúcar para fazer as vezes de café, e pegar numa broa dos Santos com sabor a erva doce e canela. O doce da broa corta o leve amargo da cevada e sabe-me bem este lanche. Enquanto faço este pequeno lanche sentada à mesa da cozinha, observo pela janela o imenso nevoeiro que se formou, não deixa ver mais nada além do chopo que está em frente, o qual está a perder a folhagem aos molhos para dentro do meu quintal, o outono não perdoa, é altura de todas aquelas folhas adquirirem um tom amarelo, alanranjado, depois cairem inertes no chão e  serem levadas pelo vento para os mais diversos sitios. Ouço ao longe a sirene dos bombeiros ou da polícia, não sei distiguir, talvez algum acidente, o tempo está propício a isso, é necessária uma atenção redobrada a quem conduz ou circula nas estradas. Pego no "calhamaço" que ando a ler, um livro com mais de novecentas páginas ( A Queda dos Gigantes) de Ken Follett. Trilogia "O século" e mergulho naquela leitura que remonta aos tempos da primeira guerra mundial. A leitura me prende e as horas de nevoeiro vão passar num ápice!

Dias assim, são mesmo aqueles dias em que apetece deitar no sofá com um bom livro seja ele grande ou pequeno, o importante é que seja interessante para quem o está a ler!

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