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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Verão pleno

A minha vila está à "pinha", não encontro um lugar para estacionar, decido ir para mais longe e aí encontro um lugar, bem longe do local para onde quero ir, não importa, a minha vila é linda em todos os caminhos e ruas que me levam ao destino. Assim, o meu passeio é maior e mais diverso, tenho tempo para apreciar as ruas bem cuidadas e limpas, as casas pintadas de cor tão simples e tão bonita que enfeita a minha vila, desfrutar do cheiro tão característico a iodo e a maresia como não há igual em mais sitio nenhum. Passo pela capelinha da Nossa Senhora da Boa Viajem, junto à praia dos pescadores, hoje é o dia da festa de Nossa Senhora da Boa Viajem, em situações normais, este é o dia que mais gente se junta na minha vila, não acontece isso este ano assim como também já não aconteceu o ano passado pelas razões que já toda a gente conhece. Ainda assim a minha vila está muito composta e não deixou de se embelezar para celebrar e honrar a Virgem, padroeira dos Pescadores. 

Como sempre, do alto da muralha espreito a praia lá em baixo e, não me canso de exclamar para mim mesma "como está enorme e bonita esta praia", a praia ideal para as crianças. O local onde caí com uma das minhas crianças já não está lá, ou seja, está, mas completamente coberto de areia, tudo o que era pedra, agora está coberto e deu lugar a esta praia que antes era pequenina e hoje é uma uma praia de excelência nesta vila.

Ainda passo pelas furnas e avisto a outra praia, a maré está baixa e as algas inundam a areia, os banhistas não gostam mas, que fazer, o mar as trouxe o mar as há-de levar. Mais um pouco e chego ao meu destino. A marcação já estava feita desde o dia anterior, têm certificado covid? foi o que me foi perguntado aquando o telefonema para a marcação, sim, temos, respondi, fica marcado então, foi a resposta do outro lado. Umas sardinhas assadas com salada de tomate e pimento vermelho e alface, o meu menu de verão!

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Na parede de pedra

O sol, a praia, o céu azul, o mar, os passeios à beira mar, os longos dias, o vento, o nevoeiro matinal, os chuviscos, o tempo encoberto, manhãs e noites frias intercaladas com algumas manhãs e noites quentes, é isto o Verão na minha zona de morada. Sempre que posso e, ou me apetece dou um pulinho até à praia, quase sempre está vento, salva-me o corta vento, apanho sol, vou ao banho, a água é fria, (nem sempre é fria) por incrível que pareça, eu gosto desta água fria, da areia molhada, do corpo molhado a escorrer estas pingas frias, depois sento-me na toalha e olho longe, lá estão eles, estão sempre lá, se não são uns, são outros, mas estão sempre lá, as pranchas não tem descanso e quem as monta também não, estão horas naquilo, depois regressam, despem aqueles fatos e vestem casacos quentes por alguns momentos, ou não fazem nada disto e vão embora assim mesmo com a prancha debaixo do  braço, está feito o desporto de hoje.

Está calor, vou até à água refrescar quando regresso, estou a escorrer, olho para cima, para a parede de pedra que se encontra à minha frente, a parede que suporta o acesso até à praia, e vejo isto, esta planta que no meio das pedras nasceu e cresceu, talvez outras sementes também tenham germinado nesta parede, mas apenas esta vingou, a lei dos mais fortes, tal como os homens também a natureza se rege segundo esta regra. Fico por alguns momentos ali a olhar e a pensar, "tu podes estar no meio do nada, mas isso não te impede de vingar no teu objectivo, apenas tens que possuir uma força de vontade e fazer acontecer", vê esta planta, aqui sozinha no meio do nada, ninguém trata dela, nem água lhe dão e ela cresce...e floresce.

Hoje o sol aqueceu, a praia está composta, tudo com as devidas distancias, tem que ser, não se pode facilitar mesmo que já estejamos vacinados,  os grupos de jovens lá estão sempre naquela zona, mais para a esquerda, a música deles não pára, tenho que ser justa para mim mesma e não estender a toalha muito perto deles senão quero ser incomodada com a musica e as conversas deles. É tão bom ser jovem, sentir a vida a pulsar... mas tudo tem a beleza certa na idade certa, há que saber aproveitar o de melhor que cada idade oferece!

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25 de Abril 1974

Aquele dia de Abril começou para ti igual a tantos outros, uma temperatura amena própria da época, um autocarro que te apanhou para te levar para a fábrica multinacional alemã na qual trabalhavas, as colegas, a mesma rotina... porém, quando chegaste à fábrica algo estava diferente, havia no ar uma tensão desconhecida.... os chefes informam todo o pessoal que naquele dia não se trabalha, que podem ir para casa da forma que conseguirem porque estava a acontecer uma revolução em Lisboa.

Uma revolução em Lisboa.... o que significava isto? Algo novo para ti... informação pouca... começas a ouvir umas coisas aqui, outras ali e dás-te conta do que realmente está a acontecer, a rádio toca as músicas revolucionárias de Paulo de Carvalho "E depois do Adeus" e "Grândola Vila morena" de Zeca Afonso".

O teu namorado está na tropa em Lisboa, temes por ele, não sabes o que vai acontecer mas, uma coisa ficas a saber nas muitas conversas que ouves... esta revolução trás o fim da ida dos militares para as colónias ultramarinas, um alívio para tantas famílias. Milhares de soldados morrem nesta guerra e outros tantos ficam mutilados, todos ficam afectados psicologicamente... o país vai andar à deriva por uns tempos.

Aos poucos a situação do país vai se recompondo, a liberdade conquistada começa a produzir os seus efeitos.

A liberdade que temos hoje a devemos aos capitães de Abril que ousaram levar a cabo uma revolução contra o regime sob o qual o país estava submetido há quarenta anos. Nunca é demais louvar este Movimento Militar que nos trouxe a liberdade de expressão, de movimentos, de voto... mas,  devemos também pensar que nem sempre foi assim!

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cravo vermelho tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974. Segundo se conta, foi Celeste Caeiro, que trabalhava num restaurante na Rua Braancamp de Lisboa, que iniciou a distribuição dos cravos vermelhos pelos populares que os ofereceram aos soldados. Estes colocaram-nos nos canos das espingardas. Por isso, chama-se ao 25 de abril de 1974 a "Revolução dos Cravos"

 

Dia Mundial do Livro

As tuas páginas transportam-me para os lugares mais incríveis que alguma vez sonhei visitar, encontro-me no meio de lugares cheios de história, dás-me a conhecer épocas que me fazem perceber o porquê de aqui ter chegado, as alegrias e sofrimentos que outros viveram para que hoje eu seja quem sou. Percorro as tuas páginas, uma após outra envolta em paisagens, lugares e épocas e, enquanto te tenho nas minhas mãos esqueço o tempo e o espaço em que vivo, sou uma personagem dentro das tuas personagens, dentro do teu tempo.

Nunca me faltas nas minhas horas de insónia, nem nos momentos que mais nada me apetece fazer, és aquele amigo que consola nas horas mortas e me faz esquecer momentos menos bons em cada dia, és aquele amigo que me acompanha sempre. Estás sempre na minha mesa de cabeceira, na mesa da sala, ou mesmo na cozinha, também me acompanhas nas férias e em filas de espera.

Há poucos dias vi algo que há muito não via, uma pessoa ia caminhando e não despegava os olhos de ti, nem quando lhe dei os bons dias, ia completamente absorto na tua leitura. Na vida actual o que normalmente vemos são pessoas que não tiram os olhos do telemóvel mas, aquela pessoa não tirava os olhos do livro que ia lendo. Lembro-me bem dos tempos em que as pessoas levavam livros para todo o lado, liam no autocarro, na praia, nas filas de espera, nos bancos do jardim.... já não se vê muito disso, o livro foi substituído pelo telemóvel.

Nada tem a ver a leitura de um livro em papel com a leitura num ecrã, o folhear de um livro, a história lida num livro é algo insubstituível.

Ler é nunca estar, sozinho, é viajar pelo mundo sem sair do lugar, é enriquecer vocabulário, é sorrir, é sofrer, é entrar na história.

Hoje celebra-se o dia mundial do livro, vamos criar hábitos de leitura, mesmo quem não aprecia muito, nunca é tarde para procurar um bom livro que faça o seu género, comece-se por um livro pequeno que consiga ler do principio ao fim e pode acontecer que quando chegar ao fim tenha pena que o mesmo tenha terminado!

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A Fuga do "E" em Desafios da Abelha

Um lápis a carvão, um bloco com folhas brancas, uma alma furiosa atirando para as linhas da folha, fúria, ódio, raiva, todos a fustigar o coração.

A branca folha manchada com fogo, com cinzas, chora, implora por amor, num virar da página rasga a fúria, assassina o ódio, lava a impureza.

Limpa a capa, pinta um quadro com a cor do azul do mar, pinta as ondas, o sol , a lua, pinta as sombras dos pinheiros, pinta o canto dos pássaros.

Uma folha branca tudo apara, tudo acata, tudo guarda nas suas páginas, vidas amadas, vidas odiadas... !

Texto escrito no âmbito de Os desafios da Abelha

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