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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Desafio "Arte e Inspiração" Moda#8

"A moda é alma,

A alma exprimida.

É mostrar quem somos,

É uma fantástica forma de vida.

A moda não é só as marcas,

Quanto muito os vestidos.

A moda exprime sentimentos

Desde os loucos aos mais contidos.

A moda exprime o amor,

O amor à criação.

O amor e a auto-estima.

Dois factores em comunhão.

A moda não se resume à roupa,

A moda não se resume aos sapatos.

A moda nem se resume…

É o conjunto de pequenos factos."
 

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No âmbito do desafio "arte e inspiração" participo eu e:

Fatima Bento, Ana de DeusAna Mestrebii yue, Bruno ErvedosaCélia, Charneca Em FlorCristina AveiroGorduchitaImsilvaJoão-Afonso MachadoJosé da XãJorge OrvélioLuísa De SousaMaria AraújoMarquesaMiaOlgaPeixe FritoSam ao LuarSetePartidas ,bii yue

A tradição a cumprir-se

Já se ouve ao longe a alegria das crianças, hoje é o dia delas, em grupos de dez ou de duas ou três, aí andam elas alegres a percorrer as ruas da aldeia com os seus sacos coloridos e muitos sorrisos no rosto. Ouve-se em uníssono "há pão por Deus". Quase  revejo nestas crianças a menina que eu fui, quando alegre fazia os mesmos caminhos com a mesma alegria que eles (é tão bom ser criança). A chuva deu lugar a lindo dia, apenas com algumas nuvens, o S. Pedro a lembrar-se de que esta é uma festa das crianças e de que eles adoram este dia!

Também eu amo este dia, de propósito fico em casa para apaparicar estes meninos e meninas com rebuçados, gomas ou caramelos que vou deixando cair nos seus sacos de panos coloridos. Obrigada, obrigado, obrigada.... vou ouvindo de cada um à medida que as guloseimas vão caindo .... depois seguem quase cantando pele rua "há pão por Deus"!

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E mais uma vez fiz a experiência de amassar uma broas, que ficaram deliciosas!

Desafio "Arte e Inspiração" O Beijo #7

O despertar para a vida surgia em cada dia, sempre ávida em viver novas experiências, tropeçando em cada esquina, tabus sobre tabus travavam essa avidez que expelia dos seus poros.

Naquele dia os seus caminhos cruzaram-se, ele, um rapaz alto e atraente, de sorriso aberto, alegria em cada linha do seu rosto, sempre algo agradável e com graça para dizer, todos se sentiam bem na sua companhia, onde ele estava pairava sempre um ar de festa, ela ficou fascinada com tão grande espontaneidade e começou a prestar-lhe atenção, ele também reparou nela no seio do pequeno grupo.

Estaria o destino a ditar as cartas??

Num dos pequenos passeios que habitualmente faziam aos domingos juntamente com outros amigos e amigas pelos caminhos da aldeia, naquele dia foram para um caminho mais discreto longe dos olhares. Enquanto entretidos num jogo de mãos que ele lhe  ensinara, aquecida com a sua voz terna e palavras carinhosas, os seus rostos se aproximaram, os seus corações pediam e os lábios cederam a um leve e suave beijo, envolvidos no mais doce e quente abraço. 

O mundo fugiu-lhe, sentiu-se flutuar na atmosfera, inebriada com o toque quente dos seus lábios carnudos, enlouquecida com o seu cheiro... soube naquele dia que aquele era o homem da sua vida.

Foi o seu primeiro beijo. 

O destino estava traçado!

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Viveram um namoro alegre e apaixonado, com muitos beijos e muitas cartas, casaram uns anos mais tarde, construiram uma casa, o seu ninho, tinham uma vida simples com muito amor e eram felizes, já tinham dois rebentos a desabrochar para a vida.

Havia tantos sonhos, tantos projectos...

Um dia algo inesperado aconteceu, nada fazia prever aquilo, aquelas coisas só acontecem aos outros... fizeram-se exames.... a alegria desapareceu dos seus rostos, pairava uma sombra cada vez mais escura em todos os dias, mesmo nos mais resplandecentes cheios de sol.... já não viam o sol....

Mas tinham os rebentos, tinham que ser fortes, escondendo tristezas em alegrias camufladas, até que o sol se fechou para sempre para os seus olhos, os seus lábios se fecharam num derradeiro adeus e, ela sentiu o frio cortante num último beijo!

O destino ditou as cartas, os seus rebentos são a continuação dos seus sorrisos!

 

No âmbito do desafio "arte e inspiração" participo eu e:

Fatima Bento, Ana de DeusAna Mestrebii yue, Bruno ErvedosaCélia, Charneca Em FlorCristina AveiroGorduchitaImsilvaJoão-Afonso MachadoJosé da XãJorge OrvélioLuísa De SousaMaria AraújoMarquesaMiaOlgaPeixe FritoSam ao LuarSetePartidas ,bii yue

Desafio "Arte e Inspiração" Sobreiro#6

Um dia no monte alentejano.

A vida transpirava em cada um dos seus poros, habituada ao movimento desenfreado da cidade, todos os dias era uma correria, o trabalho, a casa, as compras, os filhos já crescidos mas que dependiam dela, a vida social, gostava de ir ao cinema, ao teatro, dançar, praticar exercício físico e ainda gostava de escrever. Queria tudo e no entanto sentia que lhe faltava tudo.

Um dia, assim sem mais nem menos, diz à família que precisa de parar para poder descansar e reflectir, que eles já são todos crescidos que se desenrascam bem sozinhos e, portanto precisa de ter um tempo exclusivamente para si. Informa que vai passar uma semana sozinha no Alentejo.

A ideia ganhou forma e num site de aluguer de casas procurou uma que se situasse longe de tudo, ansiosa, preparou o que achou necessário para levar, pouca coisa, queria se desprender, se desligar do atordoamento da rotina acelerada da cidade. Não abdicou porém dos seus cadernos e lápis, também gostava de fazer uns desenhos.

Já instalada numa casinha pequena e antiga, que fazia parte de uma pequena aldeia restaurada a fazer lembrar a casinha da sua avó materna, havia uma fonte por perto, um riacho, um grande sobreiral e também aquele sol quente.

Na primeira manhã, assim que se levantou foi com uma surpresa agradável que encontrou um saco de pano alegre e colorido com pão ainda quente pendurado na fechadura da porta, feliz com aquele gesto que viria a repetir-se todas as manhãs, tomou o pequeno almoço saboreando  aquele pão alentejano e sentiu-se transportada para outras eras, onde as pessoas viviam cada dia sem pressas.

Saiu com uma pequena esteira debaixo de braço, numa sacola levou uma sandes de queijo de cabra e um pouco de alface,  uma garrafa com água da fonte, o caderno e os lápis, caminhou até encontrar o refúgio perfeito. Debaixo daquele velho e frondoso sobreiro descascado até meio, estendeu a esteira e contemplou aquela bela árvore que sentiu ter estado ali todo o tempo à sua espera, o silêncio era total, às vezes ouvia o canto dos pássaros ou o marafulhar das folhas das árvores por cima da sua cabeça.

Sentou-se, pegou numa folha de papel branca, desenhou e pintou a paisagem tal como os seus olhos a viam, nela sobressaía o sobreiro, toda a sua copa assim como a nudez que deixava a descoberto a parte interior do tronco de tons castanhos e quentes, próprios da estação outonal, ao fundo, o monte onde se situava a casinha que a alojava durante este retiro que lhe daria forças para enfrentar a vida quando regressasse à cidade.

Satisfeita com o seu trabalho, fechou os olhos e desligou-se, era como se mais nada existisse, nem sequer o seu corpo, apenas sentia a sua alma, deixou-se ficar assim inebriada e adormeceu.

Acordou quando começou a sentir um ligeiro arrefecimento na pele, era a humidade do prenúncio da noite, levantou-se sentindo-se leve como uma pluma, olhou novamente o sobreiro, abraçou-o como quem abraça alguém a quem se quer muito e, sentindo a alma e a vida da árvore segredou-lhe, vais ser o meu melhor amigo  enquanto aqui estiver!

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No âmbito do desafio "arte e inspiração" participo eu e:

Fatima Bento, Ana de DeusAna Mestrebii yue, Bruno ErvedosaCélia, Charneca Em FlorCristina AveiroGorduchitaImsilvaJoão-Afonso MachadoJosé da XãJorge OrvélioLuísa De SousaMaria AraújoMarquesaMiaOlgaPeixe FritoSam ao LuarSetePartidas ,bii yue

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A minha marmelada

Sendo a marmelada um dos meus doces preferidos, nunca deixo de a fazer nesta época do ano. No quintal estão os marmeleiros que me dão a matéria prima. Quando estão bem amarelos, colho-os e com casca ou sem casca faço uma deliciosa marmelada bem apuradinha para durar bastante tempo, disponho-a em taças de vidro que cubro com papel vegetal depois de o passar por aguardente.

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Ainda a coloco ao sol algumas vezes para a tornar mais dura. Fica tão boa quando a corto em deliciosas fatias e saboreio sobre finas fatias de queijo, pão ou simplesmente sem nada! Tenho marmelada para o ano inteiro!