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Abrigo das letras

Abrigo das letras

Desafio | Passa-Palavra #5#Almofada

És  a melhor e a maior confidente que se pode ter, jamais contarás a alguém um segredo que te confiam! a ti, no silêncio da noite, abro o meu coração de lés a lés, desfio as venturas e desventuras que ao longo do dia se foram acumulando no meu interior, vais ouvindo o meu rosário de alegrias e tristezas e com toda a tua paciência e sabedoria vais me facultando os melhores conselhos, sempre ouvi dizer que a noite é boa conselheira. Quando deito a minha cabeça sobre a maciez da tua estrutura logo todo o meu ser se acalma e descontrai, tens essa capacidade nata, própria da tua utilidade! minha querida almofada, como dormiria eu sem ti? de tão habituada que estou a ti que já fazes parte de mim e, quando chega a hora de te substituir é um problema, porque tenho que procurar alguma igual a ti e voltar a fazer tudo de novo, moldar-te aos meus vícios, às minhas manias, para que tu e eu nos sintamos bem e possas tomar o teu lugar ao meu lado!

Quero-te branquinha, baixinha e fofa!

Continuando as propostas desafiantes da  Mel e da Mula, esta semana no conforto da minha almofada, aqui vos deixo a minha participação!

Desafio passa-palavra#4#vento

Não me subestimes!

Acaricio o teu corpo com a minha brisa suave como plumas enquanto dormes uma sesta na praia, em tempos passados fiz mover as velas dos moinhos de vento para que pudesses ter pão, hoje faço mover as velas de um moinho eólico para que possas ter energia suficiente para te aqueceres no inverno ou te refrescares no verão, levo o pólen de um lado para o outro para que possas ter as frutas que gostas e contemplares as flores que adoras, entro pela janela da tua casa para te purificar o ar, como vês sou bastante benéfico para ti mas, atenção, não te iludas e não me subestimes pois posso ser muito letal quando estou furioso. Assim, como acaricio o teu corpo com a minha brisa com um toque sex, também destruo o teu chapéu de chuva e me torno numa força altamente destruidora que pode derrubar árvores de grande porte ou a casa onde vives, não me subestimes portanto, fica apenas atenta às minhas mudanças de humor que fazem parte da minha natureza e, acima de tudo respeita-me!

Eu sou aquele a quem deram o nome de Vento!

(imagem tirada da net)

Seguindo a proposta desafiante da  Mel e da Mula, entre desafios e ventanias, aqui vos deixo a minha participação!

Fátima - 13 de Outubro, o Milagre do sol

Ir a Fátima é sempre um motivo Fé e de emoções. O Santuário de Fátima é por si só um local de tranquilidade  e de luz! 

Milagre do Sol foi um acontecimento testemunhado por cerca de 70 mil pessoas no dia 13 de Outubro de 1917 no terreno da Cova da Iria, perto de Fátima, em Portugal. As estimativas do tamanho da multidão variam de "trinta a quarenta mil" por Avelino de Almeida, escrevendo para o jornal português O Séculoa cem mil, segundo estimativa de José de Almeida Garrett, professor de ciências naturais na Universidade de Coimbra; ambos presenciaram o referido acontecimento.

O evento foi oficialmente aceite como um milagre pela Igreja Católica em 13 de Outubro de 1930. Em 13 de Outubro de 1951, o cardeal Tedeschini afirma que, em 30 de Outubro, 31 de Outubro e 1 de Novembro e 8 de Novembro, o Papa Pio XII presenciou um milagre semelhante nos jardins do Vaticano.

Os três pastorinhos de Fátima haviam relatado que na aparição de 13 de Maio a Virgem Maria tinha-lhes prometido um milagre para o dia 13 de Outubro, na Cova da Iria, "de modo que todos pudessem acreditar" nas Suas aparições. Fonte aqui.

(imagem recente da minha autoria)

Desafio | Passa-Palavra #3#Lápis

Quem diria que a palavra "Lápis", uma palavra tão simples que dá o nome a um objecto igualmente muito simples mas de uma importância vital, serviria para inspiração da proposta da Mel  e da Mula para o desafio desta semana!

Contigo a escrever aprendi,

e a deitar para o papel 

o que vai na alma e no coração,

Entre rabiscos e traços,

escrevi ternuras e emoções,

vive dentro de abraços,

desenhei corações.

Desenhei dor e sorrisos,

também sombras no olhar,

rabisquei dois cotovelos

se tocando

no acto de cumprimentar, 

um beijo voando saiu

da ponta do meu lápis,

e na tua face foi pousar;

vi uma nuvem

cobrindo o teu rosto,

vi duas estrelas 

na escuridão brilhando,

reflectindo a luz

do teu coração emanando!

Amei as letras,

amei as palavras,

amei as cores,

amei os riscos e os desenhos,

amei os lápis a carvão 

enquanto eles deslizavam

nas folhas brancas de fino papel,

timbrando com ternura

palavras que o amor perdura!

(Maria Flor)

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(Imagem tirada da net)

 

 

 

 

 

Desafio | Passa-Palavra #2#Saudade

Seguindo a proposta da Mel  e da Mula para o desafio desta semana, vamos falar um pouco dessa palavra transformada em sentimento "Saudade"! 

Quem não sentiu já saudade ou sente de alguém ou de alguma coisa que já teve?

Esta é uma das palavras mais poderosas em termos de sentimentos, é impossível falar de saudade sem que alguma coisa se mexa cá dentro!

Palavra inspiradora de musica, de poesia, de nostalgia de tempos idos, de alegria e tristeza....

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Quando me deixaste,

ficou um vazio sem fim 

a árvore que plantaste,

e que a mim dedicaste

cresceu e frutos deu,

saborosos e doces

como que para sempre lembrar

quem me ilumina do céu!

 

 

Desafio passa-palavra-Amarelo, a cor da Luz

Por vezes me perguntam qual é a minha cor preferida! isso leva-me a meditar um pouco sobre as cores, porque gosto de todas as cores cada qual no seu contexto; um mar de um azul profundo, tão profundo que enternece a alma; uma campo de trigo em crescimento tão verde que eleva a esperança desvanecida; as florinhas roxas das ervas selvagens que crescem desalinhadas em qualquer beira da estrada... e os vermelhos, laranjas e amarelos que se misturam num belíssimo raiar ou pôr do sol, que nos deslumbram em cada começo ou final  do dia e nos lembram de dar graças por nos permitir usufruir do dom da Vida!

Luz.JPG

As cores dão sentido à vida, mas o amarelo é a cor da Luz, do sol, da lua e da mantinha que fizeste para aquecer o teu bebé quando ainda só o sentias mas não o conhecias, por isso, escolheste o amarelo por ser uma cor tão suave como suave seria o teu bebé!

 

Chuva

Já ouço as pingueiras do telhado, ping, ping, ping, prenúncio de um outono próximo, já sinto o cheiro da terra molhada e sinto uma temperatura outonal... Oh chuva que estás aí, tão bem vinda que és, lavas a estrada e os telhados, lavas os pátios, regas as hortas, purificas o ar.... até lavas a alma.... como gosto de te ouvir cair e serenamente bateres na minha janela como um timido amante, permitindo que os meus ouvidos se envolvam na tua deliciosa música!!!

Estou feliz porque chove e apetece-me dançar à chuva!!

Não-se-esconda-da-tempestade-é-melhor-dançar-na

 

Apenas uma caixa

 Sentada na varanda enquanto saboreio o meu indispensável cafezinho após o almoço, observo o plátano que no quintal do vizinho, cresce sem pedir licença erguendo-se cada vez mais alto, perdendo-se no espaço azul a que chamamos céu que, com a sua ramagem verde e densa me proporciona deliciosas sombras quando o calor aperta. Em contrapartida me cobra a vista do mar mesmo ao longe e as vistas das aldeias vizinhas!  É assim o plátano do vizinho, me dá umas coisas e me tiras outras! Quando os ramos crescem tanto que entram pelo meu quintal dentro, pego numa tesoura e corto-os.  Isto acontece quando estamos na Primavera e no Verão porque, quando o Outono chega e já se faz anunciar a chegada, as suas folhas demasiado maduras, acastanhadas e ressequidas, caem em abundância, roupagem velha, talvez inútil, coisa que ninguém quer, ou ...talvez queira.... a utilidade como fertilizante poderá ser um dos seus destinos. Mas a folhagem inútil ou reutilizável inunda todo o meu espaço, o vento as leva daqui para ali e é escusado andar atrás delas, porque saem umas e logo vêem outras, até que a árvore fica indefesa, despida, qual esqueleto dissecado e, esguio aponta os seus braços ao céu, suplicando que venha a Primavera para se vestir de novo!

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Lá em baixo o portão da garagem está aberto, o vento sopra, as folhas redopiam numa dança embalada pela música do vento e, sem autorização, empurradas, atropelando-se umas contra as outras entram portão adentro, qual alegre brincadeira de crianças se divertindo sem preocupações! 

A garagem cheia de folhas obriga-me a pegar na vassoura e varrer.... quando dou por mim, estou a vasculhar gavetas na arrecadação, que não são abertas há anos e encontro algo que me faz recuar no tempo. 

Aquela tampa vermelha, ali na minha frente, instantaneamente me leva ao tempo de menina, quando o meu pai me ensinou o valor do dinheiro e de como era importante saber poupar. Aquela caixinha foi o meu primeiro mealheiro, ela me ajudou a perceber desde cedo que nunca se deve gastar tudo!

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Guardamos coisas porque achamos que um dia nos poderão fazer falta ou porque encerram memórias que não queremos que desapareçam com o tempo! o facto de ter guardado a caixinha branca com tampa vermelha, mesmo esquecida na arrecadação foi precisamente para perdurar a memória que dela  ficaria. É apenas uma caixa sem qualquer valor, eu sei. Mas se pensarmos que  somos nós que atribuímos o valor às coisas mediante a importância que elas têm para nós, chegamos à conclusão que o que para uns é lixo, para outros são bens com bastante utilidade mesmo que se trate "apenas" de memórias! E as memórias fazem parte da nossa identidade!

Memórias será um tema para uma futura publicação!

A tua terra é um sitio lindo

Tão habituada que estás a viver nesse lugar que te esqueces de explorar o que os de fora vêm de propósito para o fazer. O sítio onde vives é um local maravilhoso com praias e paisagens lindíssimas, um património histórico e cultural que deves explorar e visitar. Uma nova e impressionante vertente surgiu há alguns anos para dinamizar e revolucionar toda a forma de vida dos seus habitantes, uma terra de pescadores, gente simples, humilde e acolhedora; o surf, essa paixão que envolve novos e menos novos, tornou-se por si só numa ferramenta poderosa que fez com que uma vila outrora apagada no Inverno, se tornasse numa vila repleta de vida todos os dias do ano! Quando contemplas a praia e vês todos aqueles, miúdos e graúdos brincando e se divertido em cima das suas pranchas, horas e horas a fio desafiando as ondas, podes dizer que estás a assistir gratuitamente a um espectáculo digno de ser ver! Quando entras nos bares ou nos apoios de praia e te servem comidas deliciosas que não estás muito habituada a comer nos restaurantes tradicionais, dizes para ti própria, porque não vim aqui antes? isto já está aqui há tanto tempo!... Quando pela manhã resolves fazer uma boa caminhada pela marginal, e te apercebes do odor a maresia que te inunda as narinas, inspiras até ao fundo dos teus pulmões e levas as mãos ao Céu agradecendo ao Todo Poderoso por te dar um presente tão gratificante que torna o resto do teu dia muito mais interessante e produtivo, pois a tua estabilidade emocional se elevou consideravelmente. Quando ao final do dia te sentas na tua varanda e contemplas uma bola de fogo se afundadndo no oceano, aí, sim, ficas deslumbrada, e sem palavras! Tu que vives nessa zona linda, privilegiada pela natureza, com tantos encantos escondidos em cada canto, não te esqueças  de usufruir tanta coisa boa que ela te oferece gratuitamente, ou quase!

Estamos a falar desta terra maravilhosa que é a ERICEIRA!

 

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Agosto Sol e Chuva

O dia amanheceu com chuviscos, mas já sabia que ia ser assim, com a previsão meteorológica no telemóvel a todo o momento, e eles raramente falham, sabemos sempre o que o tempo vai fazer nas horas seguintes. Assim, melhor esquecer a praia e arranjar outro modo de ocupar o tempo neste mês de Agosto, amanhã estará céu azul e sol quente! viver perto da praia tem estas vantagens! Mesmo em tempo de pandemia, a vila fervilha de gente, o comércio precisa de girar, as pessoas também, faltam é certo, os estrangeiros, que em Verões normais nos fazem quase esquecer que estamos em Portugal, mas este é um verão atípico e eles, os estrangeiros ficaram nos seus países! Mas a vila está repleta de portugueses, isso é bom, muito bom! por vezes digo para mim mesma que a Divina Providência se encarrega de colocar as coisas no devido lugar quando tudo se encontra a ultrapassar as estribeiras, e o mundo estava a ultrapassar e muito os limites, era necessário haver um travão, e ele apareceu fazendo o mundo quase parar e recuar! 

Assim sendo, chovia e eu queria sair, então fui até à vila me misturar nos muitos portugueses que mesmo à chuva passeavam, fui só mais uma que passeou à chuva, mas a temperatura estava amena e a chuva era fraca, por isso foi bom. Depois entrei numa esplanada, pedi um café que bebi sem açúcar, fiquei a observar os passeantes e a comparar mentalmente as suas formas de vestir, de andar, de comunicar e, constatando  que dentro de cada individuo existe uma vida e uma forma diferente de ser! todos somos irremediavelmente diferentes, cada um é um ser único  na sua forma de pensar, de sofrer, de ser feliz, de se relacionar com os outros... Estava eu neste devaneio quando de sentou na minha mesa uma amiga acabada de chegar, e ali ficamos na conversa durante um bom bocado, falando de tudo e de nada enquanto a chuva miudinha caía lá fora. Assim se passou uma tarde de chuva em Agosto!

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